… and the winner is:
O jornal Savana desta semana acaba de me distinguir com o título de “sociólogo oficioso” do “matutino oficioso”. A razão da distinção está no artigo que escrevi a comentar a decisão sueca de reduzir o apoio ao país. Ao que parece, prestei um importante serviço ao governo e para que isso seja extensivo ao país inteiro o jornal decidiu distinguir-me.
Por favor, desejem-me parabéns. O Savana é um dos mais importantes órgãos independentes de informação no país. Algumas das pessoas que lá trabalham ou contribuem artigos sabem muito bem o que significa ser “oficioso” de alguma coisa, pois nos gloriosos tempos defenderam com bom rigor intelectual muitos excessos que hoje ofendem o seu sentido democrático. Naquela altura só eles é que tinham a liberdade de emitir opinião, razão pela qual se mantém o reflexo de desconfiança contra tudo que não encaixe na sua visão do mundo. Independência de pensamento e integridade intelectual transformou-se agora na prerrogativa de dizer o que o governo faz mal.
A distinção encoraja-me, pois tenho usado, ultimamente, a reprovação e o desacordo por parte desse júri como teste de plausibilidade do que digo. Aos mais jovens que passam por este blogue aconselho perseverança na reflexão sobre o país. O importante não é dizer o que muitos vão aceitar; nem é mesmo ter razão. É suscitar debate, reflexão mais crítica e desencorajar a complacência em relação a ideias adquiridas. Vamos fazer do nosso país um desafio quotidiano. Não tenhamos medo de nos enganarmos. Não entremos no debate de ideias com o fim de ganharmos a razão. Entremos com o fim de percebermos melhor o que nos interessa perceber.
Quanto mais formos numericamente a sermos distinguidos desta maneira, melhor. Não quero ficar sozinho, por favor.
N.B. A distinção não prevê nenhum prémio monetário. Estou a pensar em abrir uma conta num banco aí da praça para todos os “críticos independentes não-oficiosos” contribuírem. A receita vai ser encaminhada ao Ministro da Planificação para ver se cobre o vazio deixado pela decisão sueca.
12 comentários:
Bom dia Professor.
Queria informa-lo que o artigo em apresso ja se encontra traduzido para espanhol. Confira aqui
http://es.globalvoicesonline.org/2008/08/21/mozambique-luz-al-final-del-tunel/
Melhores cumprimentos
Egidio Vaz
E por favor Professor, peco que retite o meu blog da seccao de blogues inactivos. Ja voltei e estou muito bem activo. Abracos.
Boa tarde Prof.
Quém não sabe que só se combate o indesejado? quém combate é que não deseja o que combate. mas o que é que isso tem haver com quem ajuda os que tem acções indesejáveis? é preciso compreender que nem todo o jornalismo é crítico porque aquele que é compreende que cada um para de um determinado polo para olhar para o mesmo ponto. agora essa de nomenclaturas é mau. acho isso violento e eu custumo concordar com agressividade mas violência deve ser impersonalisado.
coragem Prof.
Caro Elísio,
imagino que o Savana esteja seguindo tuas receitas argumentativas:
"(...)importante não é dizer o que muitos vão aceitar; nem é mesmo ter razão. É suscitar debate, reflexão mais crítica e desencorajar a complacência em relação a ideias adquiridas(...)".
"(...)Não entremos no debate de ideias com o fim de ganharmos a razão. Entremos com o fim de percebermos melhor o que nos interessa perceber."
Se o importante não é ter razão (ideia que merece um debate mais profundo, creio), mas suscitar o debate, nada melhor que rótulos (tipo, indústria da ajuda externa, sociólogo oficioso, e coisas do género). Principalmente se o objetivo for percebermos melhor aquilo que a NÓS interessa perceber (poderia ser diferente? Poderíamos perceber aquilo que aos outros interessa perceber sem, ao mesmo tempo, percebermos o que a nós interessa?)
Como já comentei, no campo da retórica, pimenta nos olhos dos outros é refresco...
caro egídio, reactivei o blogue. bem vindo! caro chacate joaquim, obrigado pelo seu comentário. o debate de ideias é saudável, mas há várias maneiras de o recusar. infelizmente, é sempre o mesmo recurso: a representação caricaturada das ideias dos outros. os nomes não são assim tão graves, pois isso é questão de educação e boas maneiras. caro jonas, concordo que o feitiço se está a virar contra o feiticeiro. o debate tem destas coisas. há os que sabem, os que sabem que sabem, os que sabem que os outros não sabem e os que ficam incomodados quando se dão conta de que não são os únicos que sabem. e há também os que batem palmas. o meu feitiço é suficientemente grande para integrar tudo isso. abraços
Elísio, sou eu este filimone Meigos (iminelwe!). Não te regoziges , que esse é um presente envenenado. E, sabes-lo bem, no passado, os que te chamam de oficioso, envenenaram esse mesmo passado, e por extensão, este presente que te oferecem simbolicamente. É catafórico, pois, remete-nos para a real questão da nossa existênciam, esta, que como sabes remonta ao tempo em que, a sua (deles) oficiosidade, exclusiva, excludente fazia questão de desencorajar a produção da diferença.
Invariavelmente, esta discussão não se faz sem emoção. E, normalmente, acaba em ataques ad hominem. Mas o ponto mesmo é continuarmos o debate. Penso que basta de adjectivos, embora haja muito boa gente que merece um bom par de epítetos, claro, sem rancor. Eu que fui militar, quando chego a esse extremo, lembro-me do que me ensinaram, e que não gosto muito: " a nossa missão é de aniquilar as forças vivas e não vivas do inimigo.Mas, para quê pensar nisso se, a Nyinpi se hi helile?
oi mone, obrigado. foi com alguns deles que aprendemos "como age o inimigo". como chefe de turma, identifiquei muitos inimigos na minha turma da quinta classe. fiz-lhes dançar tchapa-mugu como punição. agora estou a pagar por isso. deus pune os pequenos pecados logo.
Há coisas da política que não dão mesmo para perceber. Se a Frelimo considerou David Simango um bom candidato à gestão de um município, por que razão não decidiu apostá-lo numa das cidades que mais precisam de uma mão forte para se levantarem do baixíssimo nível em que se encontram? Porque foi desperdiçar esse grande trunfo queimando outro igualmente grande sem necessidade?
Comiche, pela primeira vez na história da gestão municipal em Moçambique,tentou fazer, em profundidade, o que os técnicos que entendem de cidades acham que deve ser feito. Se o "politicamente correcto" que poderá explicar a votação interna dos partidos vem opor-se tão frontalmente ao tecnicamente correcto, para que serve a política?
Caiu o pano nas "internas" da Frelimo em Maputo-Cidade
Que motivos ditaram a derrota de Eneas Comiche?
Alguns membros seniores do Comité da Cidade de Maputo, do partido Frelimo revelaram em exclusivo ao «Canal de Moçambique» os prováveis motivos que levaram Eneas Comiche a perder a confiança dos camaradas e pagar com pesada derrota nas internas da Frelimo para eleição do candidato a Edil do Município de Maputo-Cidade
Maputo (Canal de Moçambique) – Depois de cerca de 13 horas de reunião da II Sessão Extraordinária do Comité da Frelimo da Cidade de Maputo, pouco depois de 21 horas da passada sexta-feira, Pedro Taimo, presidente da comissão de eleições, anunciou os vencedores das eleições internas da Frelimo que indicaram o candidato do partido dos camaradas para o município de Maputo, às 3.ªs eleições autárquicas já marcadas para 19 de Novembro do corrente ano. Não houve surpresas, todos os presentes no encontro, incluindo a imprensa, já sabiam que o vencedor das internas seria David Simango. E foi mesmo.
Alguns membros do comité da cidade que não conseguiram conter-se, já haviam falado antes nos corredores que Comiche devia ser afastado do cargo de edil de Maputo, e que Simango seria o homem certo para concorrer pelo partido. Os motivos que estes invocavam eram vários.
Depois de divulgados os resultados à porta fechada, ou seja, sem a presença da imprensa, chegou a vez de os mesmos serem tornados públicos.
Generosa Cossa não foi para além do seu próprio voto, que representa 1%.
Eneas Comiche consegui apenas 25 votos, o que corresponde a 32%, enquanto o actual ministro da Juventude e Desportos, David Simango foi o grande
vencedor com 53 votos, o que representa 67%.
Os membros do comité da Frelimo na cidade de Maputo, que enchiam a sala de conferências do Instituto de Formação das Telecomunicações de Moçambique incontidos de satisfação celebraram a vitória de Simango entre gritos e abraços, facto que levou Aiuba Cuereneia, Chefe da Brigada Central da Frelimo afecto à cidade de Maputo a intervir, pedindo contenção dos camaradas, visto que estes estavam a "inviabilizar o trabalho que ainda decorria".
Eneas Comiche é membro da Comissão Política do Comité Central do Partido Frelimo e a sua derrota foi muito mal vista por amplos sectores da sociedade civil.
Mas o que levou Eneas Comiche a perder confiança dos seus camaradas? Foi esta a questão que o «Canal de Moçambique levou a alguns membros seniores do comité da Frelimo na cidade de Maputo. As respostas foram diversas, mas todas convergiam num
mesmo ponto: durante o seu mandato Comiche esqueceu-se dos interesses das bases do partido Frelimo.
António Frangoulis
De acordo com o deputado da Assembleia da República pela bancada do Partido Frelimo António Frangoulis, "Comiche cometeu alguns erros intoleráveis".
António Jorge Frangoulis, que também é jurista, docente universitário e foi director da PIC (Polícia de Investigação Criminal) ao nível da cidade de Maputo, falando em exclusivo ao «Canal de Moçambique» disse que "de facto houve alguns erros na base" mas alegou que não podia enumerá-los. "Agora não posso dizer quais são, ponto a ponto, mas oportunamente poderei dizer-lhe".
Armindo Barradas
Já Armindo Barradas, director da Indústria e Comércio da cidade de Maputo e um dos subordinados de Eneas Comiche foi outra personalidade que comentou em exclusivo a este diário a derrota do ainda Edil da capital do País. "Penso que sabemos que quando estamos a fazer o trabalho com as massas não podemos esquecer as bases. De resto trabalhou bem, mas não desceu até as bases, no devido momento", afirmou Armindo Barradas.
Para este outro membro do Comité da Frelimo ao nível da capital moçambicana, Eneas Comiche "falhou a solução dos problemas das bases" e por isso perdeu a confiança dos camaradas.
Armindo Barradas disse ainda acreditar que David Simango, caso seja eleito edil de Maputo em Novembro próximo, "vai corrigir os erros que ele (Eneias Comiche) cometeu".
Armindo Barradas também não disse quais foram os erros de Comiche cometeu, e negou-se a associar tais erros com o mau relacionamento que o até agora edil de Maputo manteve com certos sectores do empresariado em Maputo-Cidade.
"A demolição de alguns complexos comercias penso que não é algo relevante, pois o fez no cumprimento das posturas municipais", sublinhou a terminar Armindo Barradas em alusão ao facto de Comiche ter mandado destruir o «Splash» num dos PHs da Coop.
Aníbal Macamo
Já Anibal Macamo viria a esclarecer que empresários são esses descontentes com a governação municipal a cargo de Eneas Comiche. Alega ele que o ainda Edil da capital "nos trabalhos que ele fazia, sentia-se que o partido não sabia".
Aníbal Filipe Macamo é um dos vários empresários que o partido dos camaradas congrega. Ao comentar ao «Canal de Moçambique» a "humilhante derrota de Comiche" disse não poder confirmar se Comiche terá perdido ou não a confiança do empresariado ligado ao partido Frelimo na Cidade de Maputo. "Eu como membro do partido não posso falar disso, mas as pessoas que o afirmam podem ter a sua razão", disse a terminar.
Foi o culminar de um processo de eleições internas muito sensível no partido Frelimo, de tal modo que no final do encontro todos os membros do comité da cidade davam "graças a Deus por não ter havido escândalo na
divulgação dos resultados".
A derrota da Eneas Comiche está a ser vista por amplos sectores que não participaram da eleição do candidato a Edil de Maputo nas eleições autárquicas de Novembro próximo, como uma vitória do presidente do Partido, Armando Guebuza, que dessa forma conseguiu afastar um dos últimos "incómodos" que ainda restam do período em que a liderança no Partido Frelimo estava a cargo de Joaquim Chissano.
Opinião de Manuel Araújo (*)
O que será de Comiche?
Maputo (Canal de Moçambique) - Eram cerca das 20.00 horas de Sexta feira, quando uma mensagem de um amigo, confirmava que David Simango acabava de vencer o pleito interno do seu partido para candidato as eleicoes municipais da capital do pais, deixando de fora o actual Edil, Eneas Comiche e Generosa Cossa.
Ainda no mesmo dia, numa das nossas entradas (no blog) vaticináramos já este resultado, pois Simango parecia ser o candidato do Cachimbo (NR.: imagem de marca de Armando Guebuza). E que não faria sentido nenhum, pelo menos dentro da cultura do partido do «batuque e da maçaroca» (NR: os símbolos do Partido Frelimo), que um membro júnior do partido ousasse desafiar um membro da Comissão Politica! O Caso do mediático HM (NR: Helder Muteia) e paradigmático.
Com a derrota de Eneas Comiche, termina assim, literalmente o reinado de Joaquim Chissano, uma vez que Comiche era o ultimo Chissanista não convertido à causa e música Guebuziana a manter-se no poder, mercê do mandato popular das ultimas eleições municipais. Comiche recusou terminantemente a ceder as pressões e chantagens de que era alvo no sentido de passar a cantar e a dançar a musica do novo DJ, AEG (NR: sigla do nome de Gubeuza). Como numa pista só se pode dançar a musica que o DJ principal toca, Comiche não tinha outra saída ou dançava ou então caía fora! Pelos vistos Comiche preferiu cair fora de cabeça erguida a vender-se por cinco cobres! O ponto mais alto da sua não conversão ocorreu quando Comiche desafiou a autoridade de AEG, no que se refere a nomeação da Governadora da Cidade de Maputo. Não era segredo para ninguémm que a «Mana» Rosa da Silva teria que se contentar com as migalhas da mana Luisa e não teria qualquer espaço de manobra governativa na gestão da capital enquanto Comiche tivesse o mandato popular. A partir daquele momento, Comiche assinara já a sentença da sua morte política, da mesma forma que HM o fez, quando desafiou AEG na sua ascensão triunfal ao Secretariado Geral do Batuque e da maçaroca. A lição ficou para a história: quem desafia o chefe, vai para a rua ou para o exílio forçado.
As opções de Comiche:
Comiche sai deste embate de cabeça erguida, apesar da derrota. Sai com uma folha de serviço impecável, e também sai com a vantagem de ter sido vítima, uma vez que sabia de antemão que não era o candidato do chefe. E mais, sabia que as regras de jogo haviam sido mudadas no meio do jogo, pois não faz sentido para ninguém que um membro da Comissão Política de um partido no poder não conheça as regras de jogo da casa. Ou é muito maquiavelismo ou então incompetência pura. Explico-me. Começou a ficar evidente que AEG jogaria qualquer cartada para descartar-se de Comiche, quando este aparentemente, não foi informado de que haveria primárias dentro do partido, facto que fez com que Comiche não participasse nelas, primárias essas que acabaram abrindo caminho para a homologação de David Simango como o candidato. Ora, que ginásticas legais foram feitas para incluir Comiche e Generosa sabendo-se que não foram às primárias, só a Pereira do Lago (NR. Rua da sede do Comité Central da Frelimo) nos pode dizer.
O que será de Comiche?
No entanto, a carreira política de Comiche pode apenas estar a começar. Ele tem várias opções: Umas férias no Algarve, Inhambane ou então um lugar discreto na Fundação Joaquim Chissano, à moda do ex-timoneiro da nossa diplomacia, Leonardo Simão, que não tendo conseguido ser eleito deputado, refugiou-se no cemitério dos ministros de Chissano. Haverá lugar para mais um desempregado na Fundação? A ver vamos. Ou vamos ter mais um banco, já que o lema dos ex-governadores do Banco Central e ou ex-ministros das Finanças passou a ser a criação de bancos! Oxalá seja um banco rural, lá em Cheringoma, Morrumbene ou Pebane!
A última cartada de Comiche poderia ser, o lançamento de uma candidatura independente ou então tornar-se o candidato do Juntos pela Cidade. Esta atitude demonstraria a independência e coragem de Comiche. Aliás não seria a primeira vez no mundo que tal aconteceria. O ex-mayor de Londres, Ken Livingstone fez o mesmo e ganhou as eleições. Lembro-me de ter participado na campanha de Ken Livingstone e até de ter votado para Ken Levingstone, quando era estudante na Universidade de Londres. Livingstone era membro sénior do partido Trabalhista tendo liderado a Grande London Authority, que entretanto fora abolida pela Dama de ferro, Margaret Thatcher. Quando Tony Blair decidiu devolver o poder, o partido achou que Ken Levingstone não deveria ser o candidato dos Trabalhistas. Ao que Ken respondeu lançando uma candidatura independente e acabou ganhando a liderança do Município de Londres. A questão que se coloca é: será que um membro da comissão política (da Frelimo) pode dar tal salto? A realizar-se seria o cumprimento do vaticínio do Padre Couto (NR: Reitor da Universidade Eduardo Mondlane), segundo o qual o «batuque e a maçaroca» se desmembraria um dia. À luz da lei eleitoral que regula os pleitos municipais, Comiche ainda vai a tempo?
Com a consagração de David Simango, pensamos que começou finalmente, apesar de tardia, a coroação de AEG à guiza de Luis XIV, que proclamou que O Estado Era Ele! ou seja L Etat Ce Moi, onde passara a reinar o quero, posso e mando! Uma nova era, onde o moto será sempre - faça aquilo que lhe mando fazer; não pense, execute! E, como não deixaria de ser o: se não estás comigo é porque estás contra mim!
Agora resta sabermos quem será o concorrente de David Simango pela parte da Perdiz: Eduardo Namburete, Fernando Mazanga ou o mediático Jeremias Pondeca?
(*) Manuel de Araujo, deputado da Assembleia da República pela Bancada da Renamo
Quer comentar? É a derrota de Comiche (e não a vitória de David Simango) que domina a esfera pública nacional.
caro anónimo, como pode imaginar, não disponho de informação abalizada para emitir um juízo sobre a questão que coloca. a informação que me dá está muito viciada para me permitir um posicionamento sólido. o texto do canal de moçambique especula bastante e sem nada de concreto. é um mau texto. o de manuel araújo também especula ao bom estilo de um analista político que procura racionalidade em algo que provavelmente não tem nenhuma.
o que acho mais fácil de responder é a questão de saber que critérios poderíamos utilizar para abordar esta questão. o seu comentário bem como os dois textos que cita dão por adquirido um dado que me parece pouco claro. falam da "frelimo" e sugerem com isso que a "frelimo" são as pessoas que votaram contra comiche; porque não partem do princípio de que houve uma maioria no interior da frelimo que se manifestou de uma determinada maneira? o que incomoda nessa generalização é a ideia de que a "frelimo" faz a vontade do chefe. não tenho a certeza se esse tipo de abordagem é útil, sobrretudo quando dão a entender que se trava uma luta entre guebuzistas e chissanistas. a minha leitura do discurso inicial de guebuza é de que ele queria mesmo incutir um outro ritmo às coisas, mas que não estava necessariamente a criticar chissano. acho que algumas pessoas que preferem uma política de preto e branco no nosso país é que devem ser responsáveis por essa personalização do discurso de eficiência de guebuza. isto não quer dizer que não haja animosidade entre os dois, mas acho bastante arrojado partir do princípio de que quem é presidente da frelimo manda em toda a frelimo. há em qualquer grupo alianças estratégicas que podem equilibrar as coisas. a sugestão de que comiche seja vítima de uma purificação de fileiras contra os chissanos encalha nas recentes nomeações ministeriais.
seria mais comedido na avaliação do desempenho de comiche. é verdade que a cidade de maputo registou melhorias significativas nos últimos tempos, mas a avaliação do desempenho de um político não se faz apenas ao nível do que ele fez de bom para o povo. o povo é que avalia dessa maneira. o político é político e age dentro desse contexto. comiche pode ser bom técnico, mas esta derrota revela que não é bom político. se quer agir na política tem que dominar o jogo político. em todo o lado é assim.
o último reparo que gostaria de fazer é um bocado complicado. a correlação de forças no interior da frelimo parece-me menos interessante, do ponto de vista de um observador como eu ou o anónimo, do que a questão de saber se o nosso sistema político dá ao eleitorado meios de sancionar decisões políticas. se em novembro david simango for eleito, a decisão de tirar comiche terá sido boa. se não for eleito, terá sido má. se for eleito e fizer mau trabalho, haverá outras eleições. até mesmo comiche pode voltar a tentar...
Viva Prof.,
Sou muito mais novo do que o sr prof e do que os rotuladores que pululam por este país.
Lamento bastante que se sinta preocupado com o que o SAVANA fez. Até parece-me que se zangou...
Eu acho que esta parte de etiquetar outrem, chamar nomes, etc., nao devia caber no debate de ideias, mas, infelizmente, Mocambique está cheio disso.
Ora, vejamos, o 1o semanário independente gosta de chamar nomes e debochar a quem nao pensa na sua linha; o notícias e o domingo, idem...veja-se o que o famigerado "bula-bula" faz...
Até os intelectuais mais velhos gramam desse "modus operandi", veja-se o caso de Carlos Serra com os seus "mandarinatos", o Paul Fauvet com os seus argumentos baseados na adjectivacao "do outro", gosta de rotular o zambeze de "jornal de pequena circulacao, jornal da extrema direita"; Veja-se o caso de Kandiyane (que até é Vice-ministro da Mulher) grama de prosas insultuosas...enfim, aqui estao uns exemplos colhidos ao acaso...
Mas, escutem ó mais velhos, eu que sou muito novo e os que sao da minha idade, tenho 25 anos, já sabemos quando é que voces os mais velhos estao a debater ideias, quando é que estao a prestar servicos a algum "patrao" ou pura e simplesmente a fazer jus ao vosso nivel educucacional, nao académico nem escolar, mas a educacao lá em casa...A MIM NAO ME INFECTAM JAMAIS...
Joao das Neves
PROF. MACAMO EU CONHECI-LHE HÁ ALGUNS ANOS ATRÁS QUANDO DEU UMA PALESTRA NO ISPU, na altura que O PROF. FRANCISCO NOA DIRIGIA A ESCOLA...nessa altura parece que a palestra nao me interessava a palestra e achava o prof. um ilustre desconhecido mas agora percebo porquê foi convidado!
OLHA, Prof. o Sr. está a contribuir/influenciar na nossa forma de pensar/estar ...OBRIGADO POR TUDO ISSO!! ACHO QUE MUITA GENTE DEVIA PAGAR POR ESTAR A TER ESTAS CONSULTORIAS GRÁTIS (online aqui no blog, pois as consultorias pagam-se......agora o savana quiz dizer aquilo que o SR. PROF. MACAMO ESCREVEU: "Quando, recentemente, o jornal Notícias (esqueço-me sempre de acrescentar “o governamental...”) noticiou que o Ministro da Saúde teria indicado a intenção de fechar os hospitais de dia para os seropositivos publiquei uma reflexão que caiu em ouvidos moucos numa esfera pública habituada ao desabafo como demonstrou o comentário do jornal Savana (o que se acrescenta aqui? O não-governamental Savana?)"
O PROF. MACAMO ESCREVEU: São mensagens sem emissor, apenas veias transmissoras que vão girando legitimadas pela ideia de que reflectem o sentimento do povo. São objectos de arte desprovidos de estéctica porque não têm autor, nem intenção para além de produção de algo de consumo imediato, que não compromete e não mexe de forma fundamental com as coisas concretas da vida. São um comentário. Um desabafo.
A sua principal característica é a ironia. Dizem a verdade de forma assim-assim, sem necessariamente estarem a dizer a verdade, mas de algum modo a dizerem a verdade. Quatro formas de ironia são predominantes, todas elas típicas da constituição da nossa esfera pública. Há uma ironia que eu chamaria de sabichão (Titio Turutão Sabe-Tudo), isto é que finge não saber nada, mas na verdade é apenas uma armadilha para revelar a ignorância dos outros...
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pra mim uma das melhores passagens que li neste blogue segue abaixo, isto prova que o prof. doutor macamo nao é oficioso, leiam por favor....
PROF. DOUTOR ELISIO MACAMO ESCREVEU AQUI O SEGUINTE!!
É Preciso Coragem Para Não Aceitar!
Acho que as pessoas devem começar a ter coragem de não aceitar o que não está certo. Devem ter coragem de condenar o que está errado e não aceitar o discurso gratuito de que tudo está bom e cada vez melhor.
Em primeiro lugar: não podemos afirmar que vivemos em um Estado de Direito quando a intromissão do executivo no judiciário é evidente e de certa forma descarada. O verdadeiro exemplo é a crescente onda de "perseguição" de jornalistas por parte dos tribunais em beneficio de altos funcionários públicos.
Em segundo lugar: não podemos aceitar que este país continue demasiadamente dependente de apoios de cooperação externa enquanto pode por si suportas suas despesas. O grande exemplo é a afirmação do Ministro da Administração Estatal, segundo a qual, para colmatar o défice criado pelos doadores que reduzem a ajuda, serão usados fundos provenientes das receitas internas. Afinal o país tem receitas?
Em terceiro lugar: não devemos aceitar que o Ministério Público persiga casos que não são urgentes mesmo sabendo que muitos outros, mais urgentes ainda, clamam pela sua intervenção. Ora vejamos, só neste ano, o Ministério Público na cidade de Maputo, ouviu Azagaia, ouviu vários jornalistas e não ouviu vários suspeitos de terem usado para fins próprios fundos públicos. Governo impondo no MP é humilhar os procuradores.
Em quarto lugar: não devemos aceitar que se apregoe o desenvolvimento de Moçambique ao mesmo tempo que milhares de moçambicanos não conseguem, por causa da distancia, chegar a atempo, a um hospital, a uma maternidade, a uma fonte de agua potável ou mesmo a ter uma escola ou uma estrada. Este país não se limita só nas cidades, o campo também é Moçambique e para a nossa vergonha, mais de 60% da população moçambicana vive no campo.
Em quinto lugar: não devemos aceitar que a confusão entre o Estado e o Partido se agudize. Usar bens públicos para fins partidários não é ético. Deixar que autoridades partidárias se metam na gestão da coisa pública mesmo sabendo que não são funcionários, constitui um grave atentado ao principio da boa administração do Estado.
Em sexto lugar: não devemos aceitar que pessoas sejam bem empregadas, ou de outra forma beneficiadas, somente porque são filhos, primos, familiares ou até conhecidos e compadres de figuras ligadas ao poder. Não devemos aceitar que gente qualificada e devidamente credenciada fique prejudicada devido o favoritismo, nepotismo e incompetência na gestão da coisa pública.
Em sétimo lugar: não devemos aceitar que sempre digam, quando o povo se insurge ou revolta contra o peso do custo da vida, que houve uma mão externa ou que foi a incitação de criminosos. Não devemos aceitar que chamem o povo de burro ou de criminoso, afinal de contas, as assimetrias, a injustiça social, a exclusão social e a miséria em que o povo vive, constitui a primeira motivação para revolta.
Em oitavo lugar: não devemos aceitar que um Governo queira dialogar com o cidadão somente quando chega a época eleitoral. O dialogo comunitário, o dialogo com as autoridades deve ser incentivado como uma forma de fortalecimento da democracia e não como um instrumento para colher dividendos políticos.
Em nono lugar: não devemos aceitar que o nosso Governo opte pelo Silencio e cumplicidade quando outros governos da região austral violam direitos humanos dos cidadãos e governam a nação com uma vara de intimidação, de dor, de violência e restrição de liberdades.
Não devemos aceitar que nos roubem a coragem de negar. Não aceitemos a cobardia..."
AQUELE ABRAÇO!
CARLOS MAGNO
caro joão das neves, muito obrigado pelo seu comentário e, sobretudo, por me sossegar quanto a não ficar infectado. no fundo, isso é o que é mais importante. há muitas ideias por debater no país e acho que devíamos fazer isso mesmo. é verdade que o calor da discussão pode, por vezes, conduzir a excessos. ninguém é imune a isso. mas é nossa obrigação, pelo menos nós que somos académicos, de sempre privilegiar o debate de ideias. espero que tenha reparado que neste blogue em nenhum momento se caricaturou ninguém, suas ideias ou coisa parecida. há desacordo em relação à muita coisa, mas isso é normal. algumas pessoas continuam ainda a fazer insinuações desprestigiantes, mas agora já não respondo porque quando foi necessário fazê-lo fi-lo e essas pessoas não tiveram a coragem de discutir ideias. acho a atitude do jornal savana estranha, pois em nenhuma das ocasiões em que eles me ridicularizaram perceberam realmente o que eu estava a escrever. foi um simples instinto de contradição. não se deixem infectar, por favor!
caro carlos magno, a si também muito obrigado pelas suas palavras. por pouco dizia que faz justiça ao seu pesado nome, mas não vou dizer, pois é difícil perceber ironia escrita e em relação a tema tão emocional. gostaria apenas de dizer que mais importante do que os nove pontos que indica é a discussão dos critérios que devem estar por detrás dessas constatações e, acima de tudo, a aceitação do facto de que as pessoas podem ter razões legítimas e substanciais para não acietarem os critérios. o que não me parece correcto, e isto infelizmente tem feito a substância da discussão no nosso país, é terminar o debate concluindo que quem aceita os pontos é contra o governo e quem não aceita é a favor do governo. assim facilitamos a vida aos que não querem pensar por acharem que pensar dói. não devemos fazer isso. vamos discutir critérios, justificá-los, reformulá-los, etc. abraços
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