quinta-feira, março 26, 2009

O espectáculo das causas

Quando as ciências sociais são úteis

Recentemente, e como foi amplamente noticiado pelo mundo fora, um adolescente alemão de 17 anos pegou numa arma de fogo e alvejou mortalmente 15 alunos e professores de uma escola secundária numa pequena vila do sul do país e a seguir suicidou-se. Esta ocorrência trágica traumatizou o país, mas também levantou o problema de saber porque esse jovem fez o que fez. A opinião geral por aqui é de que o jovem não estava bem de cabeça, mas que há um contexto para a sua acção que é susceptível de ser investigado de modo a que se evitem situações semelhantes no futuro.

É assim que psicólogos e sociólogos que se ocupam de problemas sociais têm, neste momento, muita conjuntura na Alemanha. Andam nos jornais, na televisão e em discussões pontuais e vão deixando registada a sua convicção de que tudo tem explicação. Dizem, por exemplo, que casos como este se explicam pelo facto de os jovens hoje em dia terem acesso a jogos de computador ou vídeo com alto teor agressivo; dizem também que é por causa da proliferação de armas; outros falam de má educação ou de pais que não têm tempo para tomar conta dos seus filhos; há ainda aqueles que, ao estilo quase moçambicano, acham que é culpa do governo que não cria melhores condições de vida e obriga os encarregados de educação a se alhearam das suas responsabilidades.

É fascinante acompanhar este espectáculo das causas. Não é, afinal, só no nosso país que esta apetência é grande. É em todo o lado. Mas também não estranha. Afinal, é intrínseco à nossa condição humana procurarmos saber porque nos acontecem certas coisas. Não é essa, em parte, a origem da religião? Não é por querermos saber porque estamos aqui no mundo que contribuimos, com a nossa crença, para o sustento de uma das mais fantásticas instituições que existem no mundo, nomeadamente a igreja católica e, sobretudo, o Vaticano? Quando li, recentemente, que o Papa em visita à Angola falou da importância da democracia e da igualdade da mulher, não me contive e desatei a rir. Vaticano e democracia? Igreja católica e mulher? Enfim, é um outro assunto.

Na sequência da minha postagem (ler aqui) sobre o desafio da explicação nas ciências sociais surgiu uma pequena discussão que ganhou novo fôlego com o seguinte comentário do Josué Muchanga que reproduzo aqui:

Meus Caros,

...as privações extremas conduzem necessariamente ao boato e aos linchamentos? Podemos então assumir que em Moçambique sempre que ocorrerem "privações de todo o tipo" teremos que esperar boatos e assassinatos de gente inocente?

Este debate está muito excitante. As contribuições dos intervenientes são magníficas, contudo, a questão levantada pelo anónimo (acima assinalada em itálico) acaba por suscitar outras inquietações, diversas das tratadas por Elísio neste artigo.

A questão em causa é se será razoável transformarmos o estudo do professor Carlos Serra em proposições gerais? Podemos generalizar os resultados do estudo para outras circunstâncias similares ? Tenho as minhas reservas. Suponho que este estudo apenas procura perceber e explicar situações particulares de determina comunidade em certa região. Ao tentarmos transformar os resultados de estudo em lei, modelo ou proposições gerais, corremos o risco de repetir os problemas já denunciados primeiro por David Hume e depois por Karl Popper e David Miller, sobre as questões ligadas à validade do método indutivo.

Portanto salvo melhor opinião, julgo que a validade do estudo do professor Carlos Serra circunscreve-se apenas às particularidades e circunstâncias que o determinaram. Ao fazermos generalizações estaríamos a exportar alguns resultados que nada têm a ver com as outras circunstâncias em estudo.

Respondi a estas questões e o anónimo que as suscitara também reagiu com achegas que me parecem plausíveis. Fica, contudo, um sabor amargo em tudo isto. Na verdade, é possível responder às inquietações de Josué Muchanga – e ele concorda – com referência à necessidade de fornecer explicações completas dos fenómenos que queremos analisar. Leis universais do tipo “sempre que o governo for indiferente as pessoas vão agir assim e assado” são úteis, num primeiro momento, como ponto de partida para a formulação de hipóteses e, acima de tudo, para a focalização da atenção num objecto e num universo concreto. No caso da cólera, dos linchamentos ou da chuva amarrada, por exemplo, partimos daí para a descrição das pessoas envolvidas, suas características sociais, suas motivações, sua inserção nos meios em questão e, muito importante, o que os torna diferentes dos outros. Estou, como os mais atentos vão notar, a pensar o processo de pesquisa numa perspectiva positivista, mas em princípio não há muito de errado nisso. O que legitima os estudos em questão é justamente esta atitude positivista. Uma abordagem mais do estilo interpretativo como foi defendido por Max Weber levantaria outro tipo de questões e seria mais comedido nas suas conclusões.

Num segundo momento, porém, leis universais são um grande problema porque sugerem um tipo de conhecimento que as ciências sociais dificilmente podem produzir. Sugerem uma capacidade de previsão de fenómenos sociais que o objecto das ciências sociais se recusa a nos disponibilizar. Estamos a entrar no âmbito da metodologia das ciências sociais, mas é bom sempre ter isto presente. A sociedade, digam o que disserem Durkheim, Marx, Parsons, Lazarsfeld e não sei quem mais, não tem os mesmos atributos que os objectos das ciências naturais. A sociedade constitui-se historicamente e subtrai-se, por essa via, muitas vezes ao olhar vaticinador da ciência. Não é que não seja possível de nenhuma maneira tecer vaticínios sobre fenómenos sociais. Afinal sabemos, por exemplo, que a educação melhora as possibilidades de se conseguir emprego. Mas vejam bem: melhora, não garante. Precisaríamos de um mundo muito bem controlado para realizarmos as nossas profecias.

Não perco a oportunidade aqui de chamar a vossa atenção para o facto de existir uma afinidade muito grande entre as abordagens que nos são presenteadas nestes casos todos e o totalitarismo. O cientismo que caracteriza algumas das nossas abordagens é produto da necessidade de controlar as pessoas. A lei universal do “estado indiferente” é o cavalo de Tróia de uma postura política profundamente enraizada na convicção marxista de que o verdadeiro cientista social sabe o que é bom para as pessoas e pode mostrar o caminho até lá. A recusa do debate metodológico sob todo o tipo de subterfúgios e com recurso a insinuações ideológicas ou ad hominem é uma manifestação, em minha opinião, dos perigos totalitários do cientismo. Mas se calhar já estou a exagerar. É defeito de traumas sofridos na infância e na adolescência com gente com este tipo de postura.

O lado prático das ciências sociais

Como, então, proceder perante casos como o do adolescente alemão? Ficar de braços cruzados com o argumento de que o assunto ultrapassa as ciências sociais? Fazer o mesmo em relação à cólera, linchamentos e chuva amarrada? Os assuntos ultrapassam-nos, não podemos fazer mais nada? As leis universais são demasiado gerais, por isso vamos encolher os ombros? Penso que apesar de estarmos perante um desafio muito formidável não estamos totalmente reduzidos à impotência. O instinto totalitário está a levar gente sensata por aqui a sugerir a proibição total de posse individual de armas, a proibição de jogos vídeo com certo teor, a limitação de acesso à internet, etc. No nosso caso, e já que a explicação recai sobre o estado, o instinto totalitário sugere uma revolução, isto é a transformação radical do estado para passar a servir os interesses do povo.

As ciências sociais podem se situar no meio. Elas podem partir do princípio de que não podem prognosticar certas coisas, mas podem contribuir com conhecimento que permita às autoridades, às comunidades e aos indivíduos reagirem com medida e se protegerem das consequências mais nefastas de certos actos. Por exemplo, há diferença, em minha opinião, entre proibir a posse de armas e penalizar judicialmente quem não observe certos cuidados que constam da legislação relativa à posse de armas. No caso do adolescente alemão, por exemplo, houve grave desleixo do pai. É verdade que a energia criminosa de certos indivíduos vai sempre conseguir transpor obstáculos, por mais elevados que sejam, mas é disso que estou a falar aqui. Há certas coisas que não podemos prever com certeza.

No nosso país existe, infelizmente, pouca tradição de reagir a acontecimentos trágicos com uma reflexão profunda sobre como reagir em casos futuros (ver a propósito os seguintes comentários meus aqui, aqui, mas sobretudo aqui e aqui). A tendência, possívelmente herdada do autoritarismo do período imediatamente a seguir à independência, é de querer procurar pelas causas para as eliminar. Se arde no Ministério da Agricultura e o corpo dos bombeiros não reaje a tempo, uma boa parte da reflexão – muitas vezes até feita em Concelho de Ministros – vai para as causas e sobra pouco tempo e espaço para rever os mecanismos de resposta ao incêndio no próprio local, os dispositivos de segurança, a cadeia de responsabilidade no corpo de bombeiros, etc. Fica-se pelo “faltaram meios”.

Os cientistas sociais podem dar uma ajuda nestas circunstâncias. No caso da cólera e de amarrar a chuva podemos contribuir com reflexões sobre o perfil das vítimas e como garantir a sua segurança, podemos identificar os mecanismos sociais que falharam e permitiram que a insatisfação desembocasse na violência, podemos investigar as formas de reacção das autoridades e ver em que medida elas podem contribuir para a escalada, e como evitar isso, enfim, há uma série de elementos que podemos procurar recolher como contribuição não para evitar que certas coisas aconteçam – que isso é quase impossível – mas sim para reagir com maior eficácia às suas consequências. Enfim...

quarta-feira, março 25, 2009

1,00 Mt para o mesmo de sempre?

Águas turvas

Vou me meter em águas turvas – ou limpas que me encarregarei de sujar – comentando algo que veio cair à minha caixa de correio. Trata-se de um pedido de donativo de 1 Metical formulado pelo Movimento Democrático de Moçambique. A ideia parece-me genial e revela que o novo partido integra indivíduos com muita criatividade ao mesmo tempo que lhes proporciona espaço para que façam uso dela. Recebi também um convite para me inscrever numa plataforma da internet que promete ser um espaço de informação e discussão. Espero que a moda pegue e que os outros partidos explorem estas possibilidades todas. Acho a criação deste partido bastante oportuna na medida em que o nosso sistema político, viciado pelo Acordo Geral de Paz, precisa de novos contextos de debate, mas acima de tudo de novos conteúdos para que o país continue a manter a sua estabilidade e, por essa via, manter ainda acesa a esperança de melhores dias para um número cada vez maior de moçambicanos.

Se o convite para contribuir com 1 Metical “Para mudar Moçambique SIM!... um Moçambique para todos, é possível” – reza o panfleto – reproduz o fundamental da mensagem desta nova formação, então devo dizer, e contrariamente ao que tenho lido por aí, que ainda não é desta vez que teremos novos conteúdos. Normalmente não gosto de comentar erros de redacção (para que os meus não sejam comentados...), mas devo abrir um parêntesis para chamar a atenção dos fazedores desta mensagem para a importância de uma boa apresentação. O problema não é escrever bem Português que isso só poucos é que conseguem; o problema é ter o cuidado de consultar esses poucos para que o que for à atenção da esfera pública não contenha erros. Eu, a título individual, posso não fazer questão de produzir algo que me apresente bem; mas uma formação com indivíduos que querem transmitir a ideia de que são competentes e eficientes precisa de tomar cuidado. Nestas pequenas coisas começamos a ver a qualidade do que nos é proposto. E a seriedade de quem fala.

Nas grandes coisas também. O panfleto parece apresentar a proposta que o MDM representa para o país. Fá-lo apelando à consciência de cada um de nós para o que temos de fazer em prol do nosso país. A ideia é excelente, mas a execução é algo curiosa. O apelo à consciência, para ser eficaz, precisa de descrever com precisão o que está mal no país e, a partir daí, indicar o que deve ser feito. Nessa descrição do que está mal ficam claras duas coisas: (a) quem fala, isto é, a partir de que posição e (b) a quem é dirigida a palavra, isto é, quem deve se sentir motivado a agir. O país descrito pelo panfleto parece a representação que uma classe média frustrada faz de Moçambique e de si própria. O panfleto diz que merecemos viver (a) sem coacção partidária para fazermos parte da administração pública a quem todos pagamos salário, (b) sem intimidações por não pertencermos ao partido de quem governa o país e (c) sem perseguições apenas por discordarmos de algo. Não quero, obviamente, dizer que nada disto aconteça, mas será este mesmo o problema do país? É o discurso da Renamo que tão pouco retorno deu.

O panfleto continua dizendo que é possível, sim (a) que o mérito dite a relevância social dos homens sem que seja necessário pertencer ao partido de quem governa, (b) que os homens cultivem a harmonia e o respeito pela consciência de outros e (c) porque Moçambique é a terra que Deus nos conferiu e podemos reafirmar o grande sonho de ontem que consiste em vivermos em harmonia, consolidando a nossa moçambicanidade. Aqui o enfoque já é outro; eleva-se o nível de abstração sem, contudo, se proporcionar um argumento que sugera a ideia de que outros partidos no país estejam contra este desiderato. Finalmente, o panfleto conclui dizendo que merecemos um país melhor, sim, e que para isso devemos participar na fundação do amanhã dos nossos filhos porque eles merecem viver. Com mais tempo ainda vou ler outros documentos da nova formação. O que está no panfleto, contudo, é decepcionante para além de ser pouco original. O Fórum Social moçambicano vai reconhecer imediatamente o seu slógan: Um outro Moçambique é possível!

Em texto recente (ler aqui e com atenção à discussão que se seguiu, sobretudo com o Jonas e com o Book Sambo) tentei levantar algumas questões que me parecem de fundo no que diz respeito aos desafios políticos enfrentados pelo país. Tentei sugerir que não basta estar contra a Frelimo para ter razão de existência no país e constituir alternativa. É preciso ter uma ideia do país, problematizar essa ideia e dizer como chegar lá ou, no mínimo, porque os outros não nos vão levar até lá. O panfleto reduz os problemas de Moçambique à Frelimo e parece sugerir que estar contra a Frelimo é suficiente como solução. É bem possível que esta estratégia seja racional do ponto de vista eleitoral. Contudo, ela fala para um sector bastante reduzido da população, sector esse fácil de co-optar por um partido inteligente em posse dos meios do Estado, e cai muito aquém do discurso de novidade que veicula. E não só. Perde uma excelente oportunidade de fazer o ponto de situação do país e recria, inconscientemente, a mesma Renamo que se revelou como grande impecilho à materialização do projecto político que se supõe estar na posse dos fazedores da nova formação.

Não percebo o alarido que a nossa imprensa e alguma blogosfera fazem de uma formação política com tamanha consciência dos problemas do país. Aliás, dado que parte da nossa imprensa decidiu que ser independente é estar contra o poder, o alarido não admira. Mas se querem ser diferentes, vão ter que fazer muito mais do que estarem simplesmente contra. E prestarem atenção aos detalhes.

segunda-feira, março 23, 2009

Do mau jeito

Do sociólogo Francisco Carvalho recebi o oportuno texto que se segue. Espero que suscite o debate que merece. O tema é importante e continua a merecer a nossa atenção. A propósito recordo uma reflexão minha aqui.


Violência Contra a Mulher versus Violência Simbólica


O problema da violência doméstica ou da violência contra a mulher é, como o problema do HIV/SIDA, sobretudo, um problema de mentalidade. A minha grande inquietação não é o ponto de vista masculino em relação à violência dirigida contra a mulher, mas o ponto de vista das próprias mulheres em relação a este acto. Fiquei chocado com a atitude duma mulher tão influente como a Dama do Bling, que presumivelmente é formada em Direito, durante uma entrevista num programa da STV de sábado passado. Ela recusou-se a condenar a violência doméstica, limitando-se a dizer que “em brigas de marido não se deve meter colher” e apresentando argumentos pouco convincentes do tipo “eles se amam”.

De um homem, como eu, pode-se esperar tudo na forma de abordar este assunto; os homens normalmente tentam normalizar e minimizar este assunto, em parte em defesa dos seus interesses. É claro que existe muita mulher que acredita que é normal um homem bater numa mulher: “é uma forma de expressão do amor”, enfim, “é um assunto que diz respeito à eles dois”. Mas, quando se trata de alguém que deve mobilizar a opinião pública em torno da mudança de mentalidade a proferir estas declarações, a coisa torna-se grave. Estamos numa época em que se fala muito sobre a questão do género e direitos humanos da mulher, e inclusive existem campanhas contra a violência contra a mulher espalhadas em todo o lugar. Como é que uma mulher tão influente e se calhar bem (in)formada como a Ivânea, que em vez de aproveitar este momento para encorajar as mulheres a denunciar estes actos, pode ainda continuar a ter uma posição tão superficial como esta?

A luta contra a violência doméstica só terá sucesso, em parte, se as próprias mulheres deixarem de serem emocional e sentimentalmente dependentes dos homens e tornarem-se racional e intelectualmente independentes deles. Muitas mulheres vão à escola, estão nas universidades, trabalham, mas continuam a se curvar diante dos homens quando estão em casa. Não conseguem ser feministas na sua vida doméstica, passam a vida a “lamber as botas” dos seus homens para os não perderem, submetendo-se a todo tipo de humilhações em nome do amor, da crença de que “ele é o único” e na a ideia de que “homem deve-se babar”. E os homens diante deste cenário de legitimidade da violência de gênero ou melhor da violência simbólica, pois algumas não reconhecem estes actos como violência, só saiem em vantagem reforçando a sua dominação.

quinta-feira, março 19, 2009

Referências

Maticar

Ainda na esteira dos blogues gostaria de chamar a vossa atenção para a página “Pnet Moçambique” criada recentemente e coordenada pelo antropólogo português, José P. Teixeira. A página apresenta um grande número de blogues feitos por moçambicanos ou sobre Moçambique e constitui, por isso, uma importante referência para todos quantos se interessam pela matéria. O próprio José Teixeira produz um dos blogues mais interessantes com matéria moçambicana e já se impôs como uma referência obrigatória na reflexão crítica sobre a produção intelectual moçambicana. Chama-se Ma-shamba (seguir o elo aqui ao lado) e tem sido para mim, embora não o visite com a devida frequência, um dos melhores espaços de busca de uma perspectiva externa, mas profundamente enraizada no país, para a avaliação crítica e isenta do que produzimos. Já que estou nisto, aproveito para incluir Agry White, cujo blogue, Navegador solidário, também incluí na minha lista de elos e Jonas – que eu saiba não tem blogue – e, claro, Sueli Borges com o seu No olho da rua, todos eles não moçambicanos, mas que frequentam os nossos blogues e têm pautado por intervenções críticas de muito valor, pelo menos para mim, sobretudo por serem marcadas por integridade, bom senso e, acima de tudo, respeito. pelas ideias, pessoas e assuntos. Que mais podemos desejar? Em changana – não há como contornar este assunto agora – perguntaríamos: mu ethlela kwihi hitaya sindza (onde é que vocês dormem para irmos lá maticar as paredes)? Uns desenrolam o tapete vermelho, nós vamos rebocar a parede...