O Professor Mutambara
Já que estou na linha de reflexão sobre o sentido crítico na discussão pública deixem-me aproveitar uma deixa que me foi proporcionada por uma carta que um amigo me enviou da autoria de um zimbabweano sobre o problema zimbabweano. É uma carta “bomba” muito próxima da apreciação que eu próprio faço do problema daquele país. Quem quiser ler a carta inteira, em língua inglesa, pode o fazer aqui. O objectivo da reflexão sobre essa carta não é de reavivar essa discussão, embora isso seja sempre bem vindo, pelo menos do meu lado, mas sim de reflectir sobre um aspecto relevante do sentido crítico. Essa reflexão pretende mostrar algumas maneiras que temos ao nosso dispôr de lidar criticamente com proposições feitas por gente que se legitima – ou é legitimada por outros – com recurso à autoridade.
Infelizmente, não podemos saber tudo. Em muitas coisas da vida estamos dependentes da opinião de outros, sobretudo da opinião daqueles que se consideram, ou nós próprios consideramos, autoridade em certos domínios. Quando temos uma dor persistente de cabeça chega um momento em que devemos mesmo consultar o médico. Por vezes torna-se até necessário consultar mais do que um médico como qualquer moçambicano sensato que frequenta curandeiros sabe que deve fazer. Portanto, embora o nosso conhecimento não chegue para determinar se uma coisa é correcta ou não, temos ao nosso dispôr a opinião de terceiros que nos pode ajudar. Não é, evidentemente, seguro, mas é o que temos. Interessa-me, pois, reflectir sobre este recurso e mostrar os passos que estão envolvidos para ajudar algumas pessoas a evitarem situações embaraçosas de se ridicularizarem rejeitando de forma irreflectida a opinião de gente que está em muito melhor posição de saber do que elas próprias.
O Professor Mutambara é membro do MDC zimbabweano e, pelo que pude depreender dos noticiários zimbabweanos, foi proposto como um dos vice-presidentes nas negociações que decorreram sob a égide de Thabo Mbeki. Numa extensa carta de mais de vinte páginas ele tece duras críticas ao Ocidente acusando-o de através da sua política de diabolização de Mugabe estar a contribuir grandemente para prolongar o sofrimento do povo zimbabweano. Ele escreve (minha tradução de algumas passagens):
Ao entrarmos num novo ano reflictamos sobre alguns debates importantes que dão contornos à
nossa política... Merecem atenção especial nesta reflexão alguns desafios e realidades
desconfortáveis que muitas vezes temos medo de abordar. Em particular, estamos preocupados
em abater esse elefante na nossa sala de estar nacional: como o envolvimento externo ignorante
e não estratégico no discurso Zimbabweano tem feito mais mal do que bem. Procuramos aqui
demonstrar que no ano de 2008 brincadeiras ocidentais descaradas e sem vergonha, na verdade,
minaram a oposição e reforçaram Robert Mugabe. Mais importante ainda, é nossa convicção
que as posições mal informadas e endiabradas dos governos ocidentais, particularmente dos
EUA e do Reino Unido, tiveram um impacto negativo no nosso interesse nacional. Os
zimbabweanos precisam de perceber isto muito bem de modo a que o nosso destino colectivo
seja diferente no ano de 2009 (...) Quando nos preparávamos para deixar o ano de 2008 para
trás, durante o mês de Dezembro, havia um crescendo de vozes a exigirem a saída de Mugabe
do palco político. Não há nada de novo nem de criativo nesta fórmula mágica de que Mugabe
deve partir. O problema é que muitas pessoas e instituições influenciadas por esta ideia
padecem da doença de o seu coração se encontrar no lugar certo, enquanto que a sua mente
não está a ser aplicada. É preciso tanto um bom coração quanto uma boa mente... A carta continua tentando mostrar porque na perspectiva da oposição que ele representa no Zimbabwe seria mais importante lidar com Mugabe como parte da solução, dar a devida consideração aos esforços dos países da região na procura de uma solução negociada e estável para aquele problema e deixar que o próprio processo se encarregue de dar a Mugabe o destino que ele merece. A carta não está bem argumentada em alguns dos seus aspectos centrais, mas ela vale muito pelo facto de ser o depoimento de alguém que é da oposição, quer acabar com o poder de Mugabe e é zimbabweano. Uma pessoa que, pelo menos à partida, é insuspeita. Não é um “intelectual” que se diz íntegro como eu. Vale à pena citar uma passagem da sua carta só para desestabilizar (se é que isso é possível...) um bocadinho os auto-proclamados defensores do povo zimbabweano no nosso país. Ele fala da atitude ocidental em relação ao Acordo Político Geral (GPA) de Setembro de 2008:
Jendayi [Jendayi Frazer é a sub-secretária americana para os assuntos africanos], suponho que ela apoie o Sr. Tsvangirai e que queira que ele se saia bem. Será que ela o respeita? Ele assinou o GPA no qual Mugabe é designado como Presidente. Será que ela pensa que o Sr. Tsvangirai não sabe o que é bom para si e, por isso, ela tem que lhe mostrar o caminho? A propósito, não é verdade que o governo americano apoiou o acordo quando este foi assinado. Para que fique registado, quer os EUA, quer o Reino Unido opuseram-se ao acordo logo desde o início. Eles não gostaram do facto de que Mugabe era Chefe de Estado e Chefe do Executivo, e não gostaram das posições do GPA em relação à reforma da terra e às sanções. Toda a gente sabe disto. Não somos crianças. Os EUA e o Reino Unido estão agora a aproveitar o atraso na implementação do acordo para atacar e destruir o GPA. Será que Frazer e seu governo têm um mecanismo exequível que constitua alternativa ao actual GPA juntamente com meios de o fazer valer? E o que foi que ela disse sobre a fraqueza e incompetência do seu agente predilecto no GPA? Não foi ela que disse: “Tsvangirai é demasiado fraco e incompetente para que o deixemos participar de um governo inclusivo ao lado de Mugabe. Ele vai ser completamente ludibriado. Tsvangirai não é assim tão forte como Odinga. Se ele o fosse nós teríamos permitido que ele participasse de um Governo de Unidade Nacional com Mugabe.” Como é possível ela proferir tamanhos insultos contra o seu líder de oposição preferido? Com amigos assim quem precisa ainda de inimigos? Já agora, será que ela partilhou as suas ideias sobre Tsvangirai com ele próprio? E porque não? (…) Jendayi, não vê que está a destruir a oposição que tenta ajudar e a reforçar o Mugabe que você mesmo tenta destruir? Está de forma estúpida a confirmar tudo quanto Mugabe diz sobre a oposição: que somos fantoches. Para além disso, os pontos fortes de Mugabe em África são o pan-africanismo e o anti-imperialismo. Qualquer política externa que mina os líderes africanos e instituições africanas joga a favor do plano de acção de Mugabe. Porque é que diplomatas ocidentais não conseguem ter o domínio de coisas tão básicas?
O apelo à autoridade
Não fui eu quem escreveu estas linhas. Foi um zimbabweano membro da oposição. Um membro sénior da oposição! Reparem que com estas palavras estou a tecer um argumento que se desdobra em formas de grande interesse para a nossa cultura de debate. Na verdade, trata-se de dois argumentos. Estou, por um lado, a dizer que o Professor Mutambara está em posição de saber certas coisas e, em virtude disso, o que ele diz é muito provavelmente correcto. Por outro lado, estou também a dizer que o Professor Mutambara é uma autoridade no assunto sobre o qual ele se pronuncia e, em virtude disso, o que ele diz é muito provavelmente correcto. Deixem-me formalizar um pouco os dois argumentos para vermos o que está envolvido e os desafios que isso nos coloca do ponto de vista da reflexão crítica.
A primeira forma argumentativa consiste de uma premissa que simplesmente diz que alguém está numa posição de saber se uma coisa é assim ou não. A segunda premissa é afirmativa no sentido em que diz que alguém diz que uma coisa é assim. Segue-se, então, a conclusão que basicamente diz que uma determinada coisa é provavelmente mesmo assim. Trocado em quinhentas: O Professor Mutambara está em posição de saber se o papel do ocidente na crise zimbabweana é bom ou mau; o Professor Mutambara diz que o papel do ocidente é mau; logo, o papel do ocidente é mau.
A segunda forma argumentativa consiste de uma premissa que diz que fulano de tal é especialista de uma área dentro da qual é feita uma determinada proposição. A segunda premissa é de que esse especialista diz que essa proposição (dessa tal área) é verdadeira (ou falsa). A conclusão aqui é de que essa proposição pode ser tida como sendo correcta (ou falsa). Vamos traduzir: O Professor Mutambara é especialista da crise zimbabweana que envolve o papel do ocidente; o Professor Mutambara diz que o papel do ocidente é mau. Logo, o papel do ocidente é mau.
Entre nós, a avaliação destes argumentos seria tudo menos analítica. Havíamos de dizer que é hábito do Professor Mutambara não respeitar as ideias dos outros; não sabe nada; não entende nada desses assuntos; dá alento a ditadores; é arrogante, pensa que nós somos burros, etc. Portanto, tudo menos o que realmente conta para um debate saudável. E não é que nenhum destes pontos não seja pertinente. É claro que todos eles, no devido contexto, podem ser relevantes. O importante nestas coisas é tentar na medida do possível pensar a coisa de forma sistemática. Há seis perguntas que podemos colocar e que nos podem ajudar a fazer esta reflexão sistemática. A primeira pergunta seria de saber até que ponto é que uma determinada pessoa é credível como especialista (ou alguém que está em posição de saber). No caso específico do Professor Mutambara há muitas indicações de que ele seja uma fonte segura. Há muito que está na oposição, aliás, pertence à cúpula da oposição, tem participado directamente no processo de negociação e já documentou através das suas acções o seu repúdio por Mugabe.
A segunda pergunta seria de saber se ele é realmente especialista da matéria em questão. Esta pergunta aplica-se mais a casos, digamos, de natureza factual. Por exemplo, se alguém nos dissesse que as balas que crivaram o corpo de Todinho são balas de armas usadas pela polícia moçambicana e essa pessoa fosse especialista em balística, teríamos fortes razões para considerar o seu depoimento válido. Neste caso do Zimbabwe só podemos dar a mesma resposta que demos na pergunta anterior, nomeadamente de que em virtude de andar nestas coisas há muito tempo o Professor Mutambara é suficientemente abalizado. A terceira pergunta é menos chata, pois ela quereria saber se alguém realmente disse o que se lhe imputa. O Professor Mutambara, conforme se pode ver nos extractos reproduzidos mais acima, disse que o ocidente tem tido uma má actuação. A pergunta não é inocente. Muitas vezes fazemos o recurso a especialistas que nunca disseram o que lhes imputamos. É preciso ter cuidado nestas coisas. Na discussão desta questão do Zimbabwe já me foi imputada a ideia de que o que Mugabe faz é correcto e justificado pela história. Já se disseram várias outras coisas que não só revelam dificuldades de leitura e compreensão, mas sobretudo dificuldades de discutir com mente aberta.
A quarta pergunta seria de saber se podemos confiar no nosso especialista como fonte. Aqui a porca torce o rabo. Após receber a carta do Professor Mutambara meti o seu nome no “google” e fui dar em vários textos que põem vários aspectos da sua personalidade em causa, incluindo mesmo se o título de “professor” que ele ostenta é válido. E não só. Levantam-se sérias dúvidas em relação ao seu papel no seio da oposição e diz-se que ele se posiciona da maneira como o faz por mero oportunismo. Encontrei textos que o apoiam. Que fazer? Aqui só posso suspender a minha opinião até me informar melhor não só sobre o que se diz sobre ele como também sobre a idoneidade dessas outras fontes. Estão a ver como é complicado pensar? Podia ignorar isto como alguns fazem ou agarrar-me aos que o apoiam para insistir que ele é fonte de confiança. A quinta pergunta é também interessante porque quereria saber se o que o Professor Mutambara diz é também opinião de outras pessoas que estão, como ele, em posição de saber ou são também especialistas. Ainda não investiguei isto, mas é evidente que não se trata da opinião de um excêntrico. Trata-se, inclusivamente, de uma opinião que é partilhada por académicos e observadores mais ou menos independentes. Finalmente, a sexta pergunta seria de saber se o nosso especialista tem provas para o que diz. O texto do Professor Mutambara não apresenta provas do que diz; interpreta a situação e procura fundamentar essa interpretação com base na leitura de certos sinais como, por exemplo, afirmações feitas por protagonistas importantes. Numa outra ocasião vou falar sobre os argumentos baseados na interpretação de sinais que são também frequentes na nossa esfera pública.
Vamos respirar fundo
O texto já vai muito longo, infelizmente, mas era necessário. Como podem ver, na discussão crítica da opinião de alguém que está em posição de saber ou é especialista em alguma matéria há muita coisa envolvida que ultrapassa os limites do ataque à pessoa que é característico da nossa esfera pública. Tornar a colocação destas questões num hábito individual é uma condição essencial de participação útil no debate de ideias e na reflexão sobre os graves problemas que enfrentamos na vida dos nossos países. Corremos o risco inevitável de, para utilizar a bela expressão empregue por Amosse Macamo num comentário a uma postagem, sermos “conotados”, mas que remédio? O único que me parece insuficiente, e mau, é confiarmos apenas nas palmadinhas dos amigos que nos ajudam a insultar a pessoa que diz coisas que não cabem muito bem nos nossos esquemas normativos. Tentar ser sistemático na reflexão é uma forma de evitarmos cair no erro da credulidade e da repetição de lugares-comuns como é o caso, sobretudo nesta questão do Zimbabwe.
9 comentários:
Caro Elisio, achei a texto interessante e considero mais um ponto de continuidade sobre a sua preocupação nas questões que envolvem a critica e a reflexão. Em todo o caso, acho que há elementos básicos normativos ou não, que definem os parametros de aferição da veracidade de qualquer ideia ou opinão. Por exemplo: como é que um paciente chega a duvidar (e com razão) da prescrição de um médico? como é que estudantes chegam a conclusão que o seu proprio docente não tem dominio da matéria? É, realmente, muita coisa junta e suscita muita reflexão.
Abraço
Professor gostei do seu texto. Comecei a ler o texto de Mutambara, mas não acho que o interpretou como devia ser. Há pontos que foram deixados para tras, principalmente no que concerne a sua proposta de solução da crise.
Voltarei com um texto mais elaborado nos proximos dias.
Abraços.
E.V.
Achei interessante o exercício que Elísio nos propõe. Quando nos dizem que uma afirmação foi feita por uma determinada autoridade, qual deve ser a nossa atitude?
Quando nos dizem que um determinado filósofo africano acredita que os negros não têm orgulho da sua raça porque usam cosméticos, qual deve ser a nossa atitude?
Quando nos dizem que um respeitado bispo acha que uma determinada crise deve ser resolvida com uma invasão de exército estrangeiros, qual deve ser a nossa atitude?
Colocar em alerta o nosso sentido crítico e exercer o nosso direito à razão, parece ser a proposta de Elísio.
A afirmação não se torna automaticamente verdadeira e razoável apenas porque foi feita por um filósofo e ainda por cima negro. Precisamos de interroga-la até à exaustão, de modo a tirarmos as nossas próprias conclusões.
Caríssimo Egídio,
Não creio que Elísio tenha tentado interpretar o que disse o Professor Mutambara. Foi uma tentativa de expor-nos essa carta e alertarnos de que ela não se torna automaticamente verdadeira por ter sido escrita por Mutambara. Ou até por coincidir, em grande medida, com os seus próprios pontos de visto (do Elísio) sobre o Zimbabwe. É necessário exercermos, também neste caso, o nosso direito à razão.
Obed L. Khan
caro bive, desculpe-me a demora na resposta. problemas de saúde impedem-me de acompanhar o blogue com a devida atençao. as perguntas que levanta sao pertinentes. é um bocado arriscado duvidar da opiniao de um especialista, mas quando nos habituamos a interpelar afirmaçoes de forma crítica podemos conseguir. nao se trata de duvidar da autoridade de alguém, mas sim de reflectir sobre o que essa pessoa nos diz e vermos se, independentemente das nossas inclinaçoes normativas e emocionais, percebemos e concordamos. o facto, por exemplo, de nao gostarmos de um professor nao é motivo suficiente para pôrmos a sua autoridade em questao. mas a interpelaçao crítica do que ele nos diz, a confrontaçao com outras fontes, etc. pode nos ajudar a julgar a qualidade do que ele nos diz.
caro egídio, fico a aguardar o teu texto. confesso que me deixa muito curioso, pois aqui nao tentei interpretar o texto do professor mutambara. peguei apenas numa afirmaçao que ele faz e tentei mostrar que desafios ela nos coloca. seja como for, a importância do debate está exactamente nestas coisas. nao foi por acaso que coloquei o texto à disposiçao de todos para que cada um forme a sua opiniao com conhecimento de causa.
caro obed, obrigado pela clarificaçao do que tentei fazer neste texto. infelizmente, a nossa esfera pública está de tal maneira envenenada que é difícil passar à correcçao de alguns males. algumas pessoas habituaram-nos a estas referências à autoridade sem nenhum convite à reflexao autónoma e crítica. o resultado disso sao debates sem muita substância. o pior, para mim, é que certas pessoas nem estao a ver o ridículo em que caiem quando, apanhadas em contrapé, ao invés de reconhecerem a sua incoerência tentam a todo o custo salvar a sua cara. para mim um dos aspectos mais irresponsáveis da blogosfera foi a oportunidade que criou para que pessoas com credenciais académicas sólidas chamassem a atençao dos leitores para textos problemáticos sem lhes alertar sobre as suas deficiências. como sabes, há muito que luto contra este mal, pois um académico tem, acima de tudo, responsabilidade na formaçao das pessoas. sei que é um bocado arrogante da minha parte, mas acredito que uma esfera pública crítica constitui um dos requisitos mais importantes para o fomento do nosso país. há muitos jovens com muito potencial e um dos meus objectivos é garantir que eles nao se percam.
Caro professor, não quero comentar sobre o conteúdo da texto original. Mas um pouco sobre o resultado do debate que suscitou. De facto, há em nós, jovens, um forte interesse, talvés diria, protagonismo nas intervenções que fazemos no espaço público, mas tais, pouco se servem do "uso da razão". Espero que possamos tirar belas lições e compreendamos que não é pelo número de vezes que interpelamos ou comentamos sobre um assunto, mas a súmula e o conteúdo do que dezemos. Deixar-se guiar pelo entendimento é uma tarefa difícil, não imputável a interpretações levianas!
caro ernesto nhanale, concorco consigo. tudo é aprendizagem e o desafio é mesmo identificarmos as coisas que ainda nao sabemos, e saber porquê. o interesse dos jovens é palpável e ainda bem que é assim. o importante é cultivá-lo. abraços
Na esteira do que o Ernesto dizia, haverá como refrear a rebeldia típica da juventude que muitas vezes se manifesta na vontade desenfreada de ter opinião e formulá-la? No contexto em que vivemos onde se cultivam as ideias acabadas e muito pouco o sentido crítico sobre o que nos é dado a conhecer formular as 6 perguntas não é ir "contra a natura" e desviar-se de uma sociedade apologista da "formatação" com ideias sobre a "mão poderosa", e teorias da conspiração?
Que ferramentas prático teóricas devem guiar o jovem a perceber que pouco sabe do que julga saber e como levar esse jovem a empreender no sentido da busca de (mais) conhecimento sobre as coisas no geral e sobre os enunciados dos fazedores mor de opinião sem levar pedradas ou cassetadas?
Oi Macamo dos Esclarecidos,
Se por um lado existiram os iluminados no mundo, que graça pela sua humildade nos asclareçeram a escuridão a que estavamos sujeito, agora a uam necessidade de mudarmos de linha e indicarmos os Esclarecidos no qual o Macamo faria parte. Este pequeno elogia não gostaria de terminar sem lhe provocar, "acho que na vida o mais dificil é lutar com alguem que dá de comer, mesmo quando temos uma mosculatura para infrentarmos os que nos dão de comer: os exemplos asseguir coloco-os para uma reflexão conjunta, dificil lutar com alguem que ti dá de comer, caso Israel & Palestina, Zimbabwe & Ocidente, Jornalistas moçambicanos em exercicio no Estado... enfim Mendes Mutenda, estou a espera de outro escrito, o de professor Mutambara
caro júlio, a tarefa é difícil. penso que nao há maneira de evitar pedradas, pois o ambiente em que nos movimentamos é propenso a isso. o único que posso sugerir como remédio é mesmo tentar cultivar a atitude de indagaçao tantas vezes apedrejada por gente que está em posiçao de saber melhor. repito o que já havia escrito num outro comentário: uma das maiores irresponsabilidades entre alguns com certas credenciais no mundo académico foi de recomendar textos intelectualmente fracos só pelo simples facto de estarem a dizer aquilo que nós achamos bom. ao invés de incutir na juventude o sentido crítico encorajámo-la a pensar que o único que é necessário para participar na esfera pública é dizer mal de alguma coisa sobre a qual a maioria está a dizer mal. vai levar tempo para sairmos disto, mas com perseverança sairemos.
caro mendes, acho que o mais importante é procurarmos saber porque algumas pessoas se acomodam na ideia de que é difícil lutar contra os que nos dao de comer. nao quero com isto dizer que devemos ser insubordinados ou completamente ascéticos ao serviço do pensamento crítico. contudo, um pouquinho de integridade intelectual nao faria mal a ninguém. contudo, se tu falas de integridade intelectual na nossa esfera pública haverá os que vao começar a dizer que isso é hipocrisia, nao existe, etc. e haverá muitos outros a repetir a mesma parvoíce sob fortes aplausos de gente que deveria saber melhor. no fundo, acho este estado de coisas deprimente.
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