Cuidado com revoluções que comem os seus próprios filhos
Na mitologia grega existe a história de Cronos, uma divindade, que tinha o hábito de engolir os seus próprios filhos. Da rebelião de um deles, Zeus, escondido e protegido desde pequeno pela mãe, surgiu a ordem natural das coisas constituída pela terra e céu, mar e submundo. Cronos engolia os filhos para não crescerem e constituírem ameaça para si próprio. Curiosamente, Zeus, que lutou com seu pai e venceu-o, acabou confirmando os receios de Cronos. A lenda é antiga, mas repete-se com muita frequência. Tem sido um dos maiores calcanhares de aquiles de revoluções. E isto por uma razão simples: revoluções parecem precisar de gente fanática que, por sua vez, só encontra sentido na vida e naquilo que faz, criando e recriando inimigos. Quando esses inimigos acabam lá fora, os revolucionários viram-se para o inimigo interno e continuam na auto-destruição até a própria revolução já não fazer sentido. Foi assim com Estaline, Mao e mesmo connosco num passado muito recente. Alguns simpatizantes do MDM estão em vias de recriar a mesma situação.
Refiro-me a um texto de Jonathan McCharthy publicado no seu blogue (conferir aqui). É um texto estranho e inquietante ao mesmo tempo. Estranho porque como texto do género político é demasiado incendiário para constituir uma verdadeira proposta de debate. Inquietante porque como reflexão crítica sobre um assunto importante da nossa sociedade é demasiado superficial na abordagem. O assunto é o que ele chama de unidade nacional. O argumento, que dá muitas voltas, é de que esta unidade não é e nunca foi realidade no nosso país em virtude do facto de os governos da Frelimo terem sempre optado pela dominação das etnias do sul. Ele sustenta esta tese com base naquilo que ele chama de factos matemáticos e que dão conta de que as últimas nomeações do Presidente Guebuza privilegiaram gente do sul em consonância com uma prática tradicional da Frelimo de colocar gente desta proveniência em posições de direcção a todos os níveis como se nas outras regiões não houvesse quadros. Ele conclui o texto levantando o espectro duma calamidade que ainda se pode abater sobre o país se isto não mudar.
Este é um ponto de vista que, infelizmente, é partilhado por muita gente no nosso país. Escrevo “nosso país” sem certeza se isso ainda faz sentido nestas circunstâncias. A melhor reacção a este tipo de ponto de vista seria, na verdade, ignorá-lo e esperar que os seus proponentes subam ao poder para depois descobrirem que, afinal, o “norte” desdobra-se em centro, oeste, sul do norte, centro do norte, norte do norte, macua, chuabo, sena, ndau, etc. e todos eles com elites dispostas a usar o trunfo da diferença para extorquirem posições, regalias e benesses. E mesmo os de uma única etnia, digamos, os macuas, iriam descobrir que afinal são muçulmanos, cristãos, ateus, formados, não-formados, rurais, urbanos, comerciantes, operários, etc. Argumentos políticos têm tanta coerência quanto sempre dependerem do mau da fita para ganharem plausibilidade. E o problema com isso é que o “mau da fita” nunca desaparece, apenas muda de cara. Desaparece o mau da fita “sul”, vão ter que ser criados outros, sobretudo na ausência de um programa político e de convicções políticas profundamente enraizadas na abordagem crítica das coisas. Ignorar seria, portanto, o melhor. Não obstante, pode ser útil prestar atenção a este ponto de vista, pois ele revela muito do que não está bem na forma como abordamos o nosso país e constitui um desafio às ciências sociais. As ciências sociais não vão obviamente resolver os problemas deste país, mas elas têm instrumentos à sua disposição que permitem abordar os desafios do desenvolvimento com cautela, medida e utilidade. É esta convicção que me leva a reagir ao texto do Jonathan MacCharthy.
Argumentos incendiários
Logo à partida chamo a vossa atenção para uma série de dificuldades ligadas à discussão deste tipo de assuntos. A unidade nacional é um desafio enorme. A percepção de que ela não está realizada é legítima e muito provavelmente correcta. Ninguém com a cabeça no devido lugar pode negar que haja um problema aqui, mas lá está: Que problema? Quando é que a unidade nacional está realizada? Quando houver uma distribuição etnica ou regionalmente proporcional de postos políticos, económicos e sociais? E como se determinaria isso? Com base em que critérios? E se para os postos reservados aos machangana só houvesse lugar para gente não abalizada na matéria, deveríamos mesmo assim colocar essas pessoas em nome da “unidade nacional”? A primeira dificuldade está na própria noção de unidade nacional. Não é, na verdade, algo que se realize, pois nenhum critério é susceptível de agradar as pessoas. Portanto, o argumento de fundo não é de que não haja unidade nacional, mas sim que há dominação dum grupo ou duma região sobre o resto. Este é que é o argumento central para o qual, infelizmente, existem poucas evidências. É um argumento que depende de evidências anedóticas que me parecem extremamente problemáticas, mas populam o texto em questão.
Assim, os que vivem no norte são apresentados como gente pacata e tolerante ao contrário dos que vivem no sul que, no caso do governador Rosário Mualeia, originário do norte, até perseguiam a escolta gritando “chingondooo”. Pior ainda, só para provar a maldade dos governantes do sul, quando ele caiu doente não teve direito a tratamento em Nelspruuit ou Joanesburgo; teve que ir se curar lá para as bandas de Mecubúri. O pobre homem nem aceitava comida preparada pelos seus administradores (de certeza do sul) por medo de ser presumivelmente envenenado. Só esta evidência anedótica mereceria da parte de alguém que quer abordar o país com cuidado e medida várias interrogações. O menos difícil é, claro, mostrar quão ridícula é a suposição de que no norte haja mais tolerância do que no sul tanto mais que se há alguma justiça no mundo é na distribuição mais ou menos equitativa dos níveis de estupidez e irracionalidade (exceptuando a Beira, claro, que é um paraíso de relações étnicas harmoniosas...). Curiosamente, se de facto fosse assim, isto é que o norte fosse mais tolerante que o sul, então nem haveria nenhuma razão para o texto em questão alertar para a calamidade que se vai abater sobre nós se nada fizermos para corrigir a situação. Mas isso é o mais fácil. Mais difícil é interpelar os termos do relato perguntando, por exemplo, se caso for verdade que o tal governador foi tratado no seu distrito, se isso se deve ao facto de os do sul não terem querido que ele recebesse melhor tratamento na África do sul. E supondo que tivesse havido de facto essa falta de vontade dos do sul, podíamos ainda perguntar o que fizeram os outros do norte que estão no governo, por exemplo, a própria Primeira Ministra. Ficaram indiferentes à sorte do seu correligionário ou a força do sul é tanta que eles não puderam fazer nada? Mesmo o receio de envenenamento mencionado no texto: vamos supor que esse receio fosse mesmo real. A intolerância da gente do sul seria a única explicação possível? Não é concebível que, por exemplo, pudesse ter havido administradores, digamos, corruptos, que pudessem querer fazer mal ao governador não por ele ser do norte, mas por ser, digamos, uma pessoa íntegra que estivesse a tentar combater essa corrupção? Ou será que o facto de ser do norte, mas em conluio com o sul, faz dele um corrupto também?
Há uma segunda dificuldade. O argumento de que a unidade nacional é uma ficção usada por um grupo étnico e regional para dominar o resto assenta, para uma boa parte da sua plausibilidade, no espectro duma ameaça (no texto em questão usa-se o Ruanda como exemplo do que pode vir a acontecer!). Em postagem já antiga (conferir aqui) reflecti sobre este tipo de argumentos convidando os leitores para a consideração de certos elementos que me parecem importantes na avaliação da sua plausibilidade e solidez. Não faria mal reler esse texto, pois no seguimento vou partir do princípio de que o leitor está familiarizado com o que vem lá escrito. Na verdade, o problema aqui é que argumentos com base em consequências assentam em suposições que precisam de ser avaliadas criticamente. Se a dominação do sul continuar, o país vai arder como aconteceu no Ruanda. Temos aqui três suposições que precisam de ser avaliadas criticamente. (a) há dominação do sul; (b) essa dominação é má coisa; (c) se continuar o país vai arder. Vou apenas analisar a primeira.
O problema da nossa esfera pública é que logo que alguém diz uma coisa destas não há preocupação de o interpelar. Concorda-se imediatamente com essa pessoa. Assim, e à semelhança do que vimos mais acima em relação à noção de “unidade nacional”, o (a) que é dominação do sul? Que eu saiba, no “sul” (que vai de Maputo a Inhambane), nem todos se revêem, digamos, em Machel, Chissano ou Guebuza. E isto não só por razões étnicas. No sul, como aliás em todo o país, pertencer a uma igreja protestante ou católica ou mesmo ser muçulmano pode ser mais importante do que ser “changana” ou “ronga”, “chope” ou “gitonga”. Ao contrário do que pensou Barnabé Nkomo, por exemplo, na sua biografia de Uria Simango, a socialização em meios protestantes e a adopção dum nacionalismo de cariz racial foi mais preponderante para as divergências entre aqueles que ele considerou mais nacionalistas e aqueles que ele chamou dos da supremacia do sul. A diferença entre Samora Machel e Uria Simango não foi simplesmente a diferença entre sul e centro, mas sim entre concepções do nacionalismo, elas por sua vez ancoradas em vivências e experiências religiosas – só para ficarmos pela religião – diferentes. E a coisa não pára por aqui. No sul, assim como no norte, há diferenças entre o urbano e rural; entre formado e não formado; entre costeiro e do interior; entre ter nascido e crescido na região ou ter nascido ou crescido fora da região; entre saber falar a língua local, e não saber falar a língua local; entre trabalhar para o Estado ou trabalhar no sector privado; entre estar na “sociedade civil” ou não estar. Eu tenho mais em comum com um sociólogo ou pessoa formada do norte do que com um camponês da periferia do Xai-Xai. E isto é só sobre o “sul”, ainda nem começamos a interrogar a noção de dominação. Quando é que uma região domina, se partirmos da ideia de que “região” é uma noção susceptível de ser definida com utilidade? Quando é que a supremacia numérica na distribuição de postos implica necessariamente “dominação”?
Para o texto não ficar demasiado longo, vou chamar a vossa atenção para os desafios que este tipo de argumentos nos colocam e apelar a todas as pessoas de bem que os tomem a peito. Esses desafios são todos de natureza lógica.
Seriedade na abordagem
O primeiro é o que se chama de “argumentum ad ignorantiam”, isto é o argumento que parte da ignorância. Trata-se duma falácia que diz que uma coisa é verdadeira por não ter sido ainda demonstrado ser errada. É difícil, efectivamente, provar que não existe dominação do sul no país. Essa dificuldade, porém, não tem, em minha opinião, nada a ver com os méritos da questão. Tem a ver com a suposição de que ela existe e que se apoia em critérios difusos e problemáticos. O simples questionamento das noções de “dominação” e de “sul” já mostra as fraquezas do argumento. O desafio que se coloca a alguém que quer abordar as coisas criticamente é perder mais tempo a definir os termos. E tentar chegar a acordo sobre o seu significado e utilidade. Infelizmente, no caso do dominação do sul, temos feito pouco disto, razão pela qual, provavelmente, gostamos muito de evidências anedóticas.
O segundo desafio está ligado a este primeiro. Quem deve provar que há dominação do sul é quem diz que ela existe. Não é quem refuta isso. Muitas vezes nas nossas discussões transferimos a responsabilidade aos que contestam desafiando-os a demonstrar que ela não existe. Isto é facilitado pelo uso de critérios que só na aparência são úteis. A simples contagem de postos não constitui, em minha opinião, prova da existência da dominação do sul; diferenças de rendimento entre as regiões não constituem prova da existência da dominação do sul; o facto de nunca termos tido um chefe de Estado do norte não constitui, por si só, prova da existência da dominação do sul. Quando muito estes critérios só descrevem um facto, mas um facto só começa a falar quando se elabora um argumento à sua volta. Que argumento é desenvolvido à sua volta pelos que dizem que há dominação do sul? É esse argumento que eles devem apresentar e ser discutido.
O terceiro desafio é complicado e, provavelmente, pouco susceptível de ser enfrentado com sucesso. É o problema da repetição constante desta ideia de que o sul domina. Esta ideia é tão repetida, e por tantas pessoas, que a gente começa de facto a acreditar na sua veracidade. Tem a morfologia dum rumor. Repetimo-la irreflectidamente, ninguém se queda para interpelar os seus termos, ela vai se impondo como critério de observação e sem nos darmos conta estamos a analisar coisas a partir dela: se não singramos profissionalmente, se somos incompetentes, se somos preguiçosos, se temos brio profissional, se fazemos bem as coisas, tudo isso se remete ao prisma dessa ideia repetida por todos. Ninguém pergunta porque Daviz Simango deve ser visto apenas como “sena” ou “pessoa do centro ou norte” e não como engenheiro, como formado, como político, como religioso, como urbano, enfim, como todas as outras coisas que o definem como ser humano. Nada, reduzimos as pessoas a uma única variável.
E mesmo para concluir: não me vou admirar se aparecer um engraçadinho qualquer por aqui – de certeza “anónimo” – a dizer “pois é, é do sul, o que iria dizer?”. Essa é que é a verdadeira pobreza absoluta. Enquanto isso, os problemas do país estão à espera de formulação. O problema da penalização do actor político por má actuação; o problema da responsabilidade; o problema da participação, enfim, o problema da cidadania e do valor que ela deve ter. Antes, de me acusarem a mim de estar a reagir como “changana” deviam pelo menos reflectir um pouco no mal que estão a fazer aos milhares de moçambicanos do “norte” que se identificam com o governo do dia. De certeza que eles agem por falsa consciência, não sabem o que fazem, foram comprados pelo sul. Luísa Diogo, Eduardo Mulémbué, Filipe Couto, Aires Ali e tantos outros por aí só estão a fazer número ao serviço da supremacia do sul. Tanta arrogância junta que parte de gente que crê ter os interesses do país no mais fundo do seu coração é simplesmente incrível. E deprimente.
Lanço um apelo aos jovens que querem abordar o país de forma séria: sejam claros, e não confusos na cabeça; lúcidos, e não obscuros; racionais, e não irracionais; tenham a certeza sobre coisas que podem justificar com base em argumentos e provas. Vale à pena tentar isso. Não vos convido a rejeitarem a existência da dominação do sul; convido-vos a aprenderem a pensar o problema. Só isso. Caso contrário, vão enveredar por um caminho que vos levará apenas a procurar bodes expiatórios por todo o lado. Vão ser engolidos pelas vossas próprias convicções.
5 comentários:
Caro professor achei oportuno intervir neste debate uma vez que quando eu era seu aluno no curso sociologia no ultimo ano havia feito um trabalho com este tema "A dominação do sul ou o sul domina". Nesta altura procurava trazer à baila algumas ideias que propalam na nossa esfera pública sobre a suposta dominação do sul. E quando li o seu texto me vi reflectido nele por duas razões: primeiro, porque concordo que há dificuldade em as pessoas argumentar que o sul domina, pois os critérios de análise usados são reducionistas, não conseguem ver diferenças entre a chamada "gente do sul" ou se quisermos entre os “machanganas” além disso, não conseguem ver exactamente quem domina e porque domina. Segundo, sendo uma pessoa proveniente, não do norte como se diz por aí com tanta ignorância em relação as regiões do pais, do centro, não consigo, usando todos instrumentos possíveis de captação da realidade, observar esta dominação do sul sobre o norte. Contudo, a minha inquietação é: porquê a necessidade de algumas pessoas em defender que o sul domina o resto? Porquê não pensarmos numa centralização do desenvolvimento na cidade capital, que para mim é uma cidade cosmopolita, e não há como dizer que este desenvolvimento beneficia esta ou aquela etnia. Se calhar este desenvolvimento concentrado, não no sul, mas na cidade de Maputo beneficia mais aos estrangeiros do que o pacato cidadão moçambicano que vive nesta cidade.
Outra coisa professor, que é muito pessoal, acredito que, o que o professor sofre pelo facto de ser visto como “machangana” e do sul e tudo o que disser sobre esta matéria ser reduzido a este facto, é mesma situação que eu passo pelo facto de ser visto, por muitos, como “mulato” e sempre que tento reflectir sobre a questão racial acabo caindo no mesmo reducionismo: “é porque é mulato e está numa posição privilegiada como fruto da herança colonial, portanto, são todos racistas”. Estas tendências empobrecem o debate na nossa esfera pública e cria apatia e desinteresse por parte de pessoais querem dar um contributo de valor para o país.
Caro F. Carvalho, por vezes temos vicios dogmatigos da imaculada percepcao.
Caro Professor
Mais uma vez parabenizar pelo artigo. uma assunto quente que pode ressuscitar mortos.
Em primeiro lugar gostaria de saber realmente a diferenca entre argumentos coerentes e a propria realidade em si. uma coisa sao criterios do debate, argumentacao logica, outra coisa seria constatar na propria realidade a tal dominicao.
Esperei que ao abordarem da dominacao, podessem especificar que tipo de dominacao se referem? Acho que tambem ha dificuldade das pessoas argumentarem que o sul nao domina norte?
Talvez poderia ser mais util justificar que o "norte" nao e dominado pelo "Sul" Outro aspecto que quanto a mim relevante seria procurar saber, fora dos factos matematicos, onde este tipo de posicionamento em relacao a dominacao do sul encontra seus alicerces? O que faz tantas pessoas pensarem assim? sera o mero acaso? Porque as pessoas do sul nao tem a ideia que o norte domina o sul? o que faz eles nao terem este ponto de vista? sera que ser do sul, centro, norte confere alguma vantagem as pessoas? em que situacao? onde? Como? sera que as pessoas activam estas identidades regionais ou ocultam? Como as pessoas do sul encaram esta acusacao? festejam? ou Negam tal facto? As pessoas do sul tem conhecimento deste discurso?
Ha tanta confusao neste debate por vezes confundimos identidade nacional, unidade nacional com a propalada dominacao do sul? seria pertinente na discussao clarificar estes conceitos! sabemos nos que as identidades se processam na dicotomia nos e os outros num processo sincronico (eu) e diacronico (na relacao com os outros, trajectorias). vamos discutir calmamente a questao.
Penso que F. Carvalho toca numa questao essencial "Porquê não pensarmos numa centralização do desenvolvimento na cidade capital, que para mim é uma cidade cosmopolita, e não há como dizer que este desenvolvimento beneficia esta ou aquela etnia"
Realmente bela questao, mas o Carvalho esta no Maputo, pensa num cidadao que pretende concorrer a uma vaga para o Ministerio da Agricultura para uma vaga em Maputo mas ele se encontra em Cabo Delgado, sera tem a mesma oportunidade? As entrevistas sao no Maputo? As oportunidades? pense em muitos jovens que dispoem de oportunidades em Maputo nos ministerios. Ai Carvalho os anuncios de Vaga do Jornal noticias apenas sao nacionais para os olhos dos que vivem em Pemba, Inhambane, Tete, Xai-Xai. Ha que repensarmos neste assunto, porque estes individuos nao podem deslocar-se a Maputo facilmente. Se pensarmos na cidade de Maputo Cosmopolita!!!
Penso que a forma como se esta a debater e muito cumplicado. Vou sugerir que invertamos os papeis (Alguem do Sul, deveria provar que o sul domina o norte e o do norte deveria argumentar que o norte nao e dominado pelo sul... risos, assim ultrapassavamos os rotulos. Sera!!!
Abracos a todos pelas excelentes contribuicoes.
caro francisco, obrigado pelo comentário. parece-me bastante oportuno e pertinente. lembro-me desse trabalho. lembro-me também de o marcar não como um convite à rejeição da ideia de que haja dominação do sul, mas como um convite para pensar as questões que o assunto encerrava. o nosso problema é que algumas pessoas pensam que é suficiente abordarem uma questão controversa, não importa de que maneira, para acharem que estão a contribuir para o debate de ideias. como muitos dizem que há dominação do sul e alguns não se sentem à vontade com isso, basta alguém vir à frente dizer isso para achar ter feito grande contribuição. a questão que o francisco colocou devia ser uma das primeiras a ser considerada: não será o problema do sistema político que é bastante centralizado? e de facto, quem está em maputo, não interessa se do norte ou do sul, tem mais hipóteses de ter acesso a certos privilégios do que quem está longe de maputo. o remédio não é mudar a capital, mas descentralizar e desconcentrar. sim, o assunto incomoda-me por essas razões. inúmeras vezes aparecem "anónimos" ou não anónimos por aqui a levantar a questão de eu ser do sul. é uma maneira de silenciar e fugir ao debate de ideias.
caro rildo, o conjunto de interrogações que levanta é importante. como exercício de reflexão seria, claro, interessante fazer as coisas noutra perspectiva, mas lá está, aí o rildo estaria a naturalizar as categorias que, quanto a mim, precisam de ser interpeladas. como decidir que alguém é do sul para fazer de cardeal do diabo? e o que fazer de todas as outras identidades que essa pessoa traz consigo?
o nosso país tem muitos problemas, entre os quais o da percepção de que uma região ou etnia domina as outras. intervir com utilidade nesse debate significa começar por esclarecer os termos. por exemplo, pode haver 90% de ministros num governo oriundos de uma única "etnia" e, mesmo assim, não ser coerente falar da dominação dessa etnia. essa é uma questão metodológica muito séria que tem a ver com a lente que usamos para dar sentido aos factos. ainda bem que temos espaços de discussão destes assuntos. devemos aproveitá-los para chamar atenção aqueles que fazem uso deles sem sentido de responsabilidade. abraços e obrigado pelo comentário.
Caro Elísio
O que custa a si em ir ao debate ou ignorá-lo? Pergunto-o assim, porque nem uma nem outra vc faz, e, o que vc faz é tentar proibir qualquer debate, p ex, em torno de etnicidade. É um assunto que lhe toco, em culpa., seria? Para você, etnias não existem em Mocambique, não é? Será que o Elísio se baseia de algum estudo pelo que afirma? Fiquei curioso de como não seria dominação se 90% de ministros pertencesse a uma única etnia entre 13 ou queira-se 15 existentes num país.
Depois vejo com tanta infelicidade que Elísio Macamo não pensa no futuro de um Moçambique forte, um Moçambique uno. Será que realmente a Macamo não incomoda a localização da capital dum Moçambique independente? Seria a única coisa belíssima feita pelos portugueses ou pelo colonialismo em pôr a capital do país onde está? Porquê isso é tão belo assim para o Elísio Macamo?
Estou estupefacto por Macamo não aceitar o desafio do Rildo Rafael. Sem vc responder as perguntas do Rafael, faz uma volta e meia e chama de quem usa os problemas relativos sem sentido de responsabilidade. O que é responsabilidade para Macamo? Será que vc tem sentido de responsabilidade sobre este assunto?
Macamo, ninguém faz você calar. E dizer que é uma maneira de silenciar e fugir ao debate de ideias é o que você ELISIO MACAMO devia evitar. Sabe porquê? Você acabou de condenar a suspeição do Azagaias. Só Macamo tem o direito de suspeitar que querem o calado?
caro anónimo, obrigado por passar por aqui e deixar registado o seu sentimento em relaçao à minha posiçao sobre este assunto. tenho a certeza que está a dizer algo muito importante, mas como abordou tantos assuntos misturados com insinuaçoes a meu respeito tenho dificuldades em perceber o desafio que me está a colocar. talvez fosse bom, para melhor discussao, dizer como entendeu o meu texto e que pontos ficaram pouco claros ou com os quais nao concorda. se eu puder responder fá-lo-ei; se nao puder, vou dizer que nao posso e o anónimo vai ganhar todos os pontos. quanto ao rildo rafael creio que ele é suficientemente crescido, inteligente e directo para me voltar a interpelar caso ache que eu nao lhe tenha respondido satisfatoriamente. continuaçao de bom fim de semana!
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