A hora do fecho
No entretanto, como o regime por cá anda um pouco apertado por estar a ser listado na lista dos conservadores por detrás de Mad Bob (até os bispos querem a mudança), o escriba de serviço para assuntos delicados, voltou uma vez mais à carga para explicar que as complicações em Harare são devidas às intransigências ocidentais. É fácil analisar da Europa o que se passa no país dos triliões…”
(Semanário Savana)
Agora, quem quiser usar este texto para exercitar faculdades críticas pode responder às seguintes perguntas:
1. Quantos bispos mandaram matar pessoas que negavam o mito da criação (se esta pergunta for muito difícil respondam à seguinte: que bispo está com que problemas actualmente por ter negado o holocausto?)?
2. Esta é difícil: o que é um conservador?
3. Esta é fácil, por isso não há pontos: quem é o escriba de serviço para assuntos delicados?
4. Qual é a diferença entre citar (o Professor Mutambara) e fazer uma afirmação?
5. Porque estando o Savana tão perto dos triliões analisa com dificuldade?
6. Porque só é fácil para o escriba de serviço analisar da Europa o que se passa no país dos triliões? E todos os outros analistas na Europa que dizem o contrário do que o escriba de serviço diz? Também fácil?
7. A que se refere o adjectivo “independente” quando aplicado a um jornal? Do pensamento?
Cábula: consultem os videntes que financiam o jornal.
sábado, janeiro 31, 2009
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5 comentários:
Parabéns, meu caro "escriba de serviço". Tal visão só pode advir de, pelo menos, as pessoas lerem o que escreve embora, ao que parece, pouco propensas a procurar entender o que dizes.
Um abraço meu caro sociólogo oficioso (ontem) e escriba de serviço (hoje). hehehee
J. Mutisse
É a esfera pública. Temos que perceber a crítica dos outros e também aceitar da forma como a fazem.
caro júlio, e é este pessoal que dia após dia tenta convencer a sociedade moçambicana que pelo simples facto de criticar o que está errado eles têm razao. mas isto nao é só entre nós. há dias li divertido uma notícia compilada pelo jornalista britânico, joseph hanlon, que dizia que a cúpula da frelimo está dividida em relaçao à questao zimbabweana; a prova disso era o facto de graça machel, de um lado, criticar abertamente o regime de mugabe e elísio macamo, de outro, criticar o ocidente. até recebi um email de alguém do fmi em maputo a perguntar-me desde quando eu fazia parte da cúpula da frelimo e se teria percebido mal que eu tinha citado um opositor zimbabweano. enfim,...
caro bive, nao é a esfera pública, nao. é a nossa esfera pública. penso que perceber é uma coisa, mas aceitar a forma como ela é feita é outra coisa. uma esfera pública sa nao é aquela que diz o que eu penso, mas aquela que é honesta. pelo menos isso. no artigo em questao eu citei um opositor zimbabweano, o prof. mutambara, que dizia aquilo que eu também, por acaso, considero apropriado. a seguir o critério do savana, esse opositor teria mais razao porque está muito mais perto do país dos trilioes do que eu ou qualquer jornalista do savana. eu posso estar enganado na questao do zimbabwe, mas preciso de argumentos que me convençam disso. o facto de este pessoal estar agora a usar este tipo de artimanhas revela claramente que nao tem nenhum argumento. o que me entristece é que este pessoal é que é fazedor de opiniao no país.
Mais uma vez, digo: falta-nos o olhar certo por de trás das palavras ditas. Imediatismo, populismo ou marketing? Será possivel construir um pensamento crítico com desejos de servir ao mercado de venda de ideias? Que ideias...? Está aqui patente uma atroz cegueira quanto à noção da sociedade de informação. Por quanto proclamamos um mundo global, outros teimam a pensar que os acontecimentos só podem ser vividos presencialmente e à curtas distâncias. Bom, mais do que nunca, seria por bem clamar por um messias!
caro ernesto nhanale, obrigado pelo comentário. na verdade, há um messias mais realístico: a integridade intelectual. só isso. nao é prerrogativa de académicos. bom jornalismo é intelectualmente íntegro. integridade nao significa prescindir de posicionamentos políticos claros. um bom jornalista pode ser simpatizante da frelimo ou nao, mas ao abordar questoes que dizem respeito à frelimo tem de olhar primeiro para os méritos da questao. nao vejo incompatibilidade aí. há cada vez um número maior de jovens jornalistas (estou a ver pelo menos dois no jornal savana) que se preocupam com a questao da integridade. é muita pena que tenham de se sujeitar ao mau exemplo dos consagrados, mas como eles próprios teriam dito no passado (e obrigado outros a repetirem): a luta continua!
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