sexta-feira, maio 30, 2008

Ainda sobre o arroz…

Este assunto não me está a largar. Vamos supor que o plano de acção dá certo e a produção de arroz é mesmo duplicada. É a hipótese de trabalho com a qual os chefes de Estado estão a trabalhar. Passados dez anos a produção de arroz em África é o dobro do que é hoje. A população manteve-se constante? O nosso paladar manteve-se constante? O nosso estilo de vida manteve-se constante? Está bem. Vamos supor que o aumento em dobro da produção de arroz marca passo com todas estas coisas. É em todos os países africanos produtores de arroz que a produção vai aumentar pelo dobro? Se aumenta a produção na Serra Leoa, resolve-se o problema de abastecimento em arroz no Lesoto? Bom, se calhar estou a exagerar. Vamos lá, se aumenta a produção de arroz no Chokwé, vende-se automaticamente a um preço acessível ao consumidor de Malhazine em Maputo ou do bairro da Manga na Beira? Vamos mudar outra vez. A produção mundial como vai ficar durante este tempo todo? O arroz chinês e indiano vão ser proibidos de entrar em África? Será que o plano de acção prevê a eliminação dos Acordos de Parceria Económica com a Europeia? Alguém disse parceria?


A questão é a seguinte: qual é a questão?

6 comentários:

Anónimo disse...

Entretanto nao me assustaria se no regresso do chefe, todos os planos anteriores do pais fosses deitados fora em nome de uma nova moda de combate a dita cuja, como diz o Patricio. Ja foi assim com a Jatrofa e outras revolucoes, que so tem inicio, mas nunca dao resultados quando nao sao abandonados logo no inicio. Este pais nao pode continuar assim, e comeco a pensar que e necessario comecar a responsabilizar os politicos pelos seus actos que inumeras vezes tem estado a prejudicar o pais.

Anónimo disse...

Iluminados e criativos empreendedores em mocambique, inspirados pelo Bata medico mecanico um reitor falou alto e a bom tom hoje na cerimonia de graduacao que vai formar medicos em 3 anos, porque na Europa e assim! E assim mesmo voces que conhecem a tak Europa? Forca no combate a pobreza absoluta, ja foi dito acelerar o passo rumo a novo escangalhamento?

Anónimo disse...

Formam-se professores em 9 meses porque não médicos em três anos?
Na Europa 'e assim uma ova! E mesmo que fosse, quem disse que Europa 'e Moçambique? Custa ver a diferença entre os dois?

Elísio Macamo disse...

isto tudo aponta para a necessidade de um espaço político dentro do qual se insiste cada vez mais na responsabilidade como o júlio muthisse tem muitas vezes falado. penso que esse é um dos grandes desafios académicos do momento, nomeadamente como garantir isso. os políticos têm que tomar decisões e algumas dessas decisões estarão correctas, outras não. o que nos falta é esse espaço de avaliação crítica consequente.

Sanpadjud disse...

Esta nossa (africana) mania de importar modelos estrangeiros sem nos preocupar-mos em comparar realidades ou sequer ponderar as nossas necessidades e estágio de desenvolvimento é confrangedora. A necessidade de queimar etapas no desenvolvimento (estimulada em muito pelos apoios externos) cria mais problemas que aqueles que pretende resolver.
Um abraço de Cabo Verde

Elísio Macamo disse...

cara sanpadjud, imagine só, queimam-se etapas e o que sobra? a memória desaparece! e se calhar o desenvolvimento precisa mesmo de memória. obrigado por passar por aqui. abraços a cabo verde!