Este assunto não me está a largar. Vamos supor que o plano de acção dá certo e a produção de arroz é mesmo duplicada. É a hipótese de trabalho com a qual os chefes de Estado estão a trabalhar. Passados dez anos a produção de arroz em África é o dobro do que é hoje. A população manteve-se constante? O nosso paladar manteve-se constante? O nosso estilo de vida manteve-se constante? Está bem. Vamos supor que o aumento em dobro da produção de arroz marca passo com todas estas coisas. É em todos os países africanos produtores de arroz que a produção vai aumentar pelo dobro? Se aumenta a produção na Serra Leoa, resolve-se o problema de abastecimento em arroz no Lesoto? Bom, se calhar estou a exagerar. Vamos lá, se aumenta a produção de arroz no Chokwé, vende-se automaticamente a um preço acessível ao consumidor de Malhazine em Maputo ou do bairro da Manga na Beira? Vamos mudar outra vez. A produção mundial como vai ficar durante este tempo todo? O arroz chinês e indiano vão ser proibidos de entrar em África? Será que o plano de acção prevê a eliminação dos Acordos de Parceria Económica com a Europeia? Alguém disse parceria?
A questão é a seguinte: qual é a questão?
6 comentários:
Entretanto nao me assustaria se no regresso do chefe, todos os planos anteriores do pais fosses deitados fora em nome de uma nova moda de combate a dita cuja, como diz o Patricio. Ja foi assim com a Jatrofa e outras revolucoes, que so tem inicio, mas nunca dao resultados quando nao sao abandonados logo no inicio. Este pais nao pode continuar assim, e comeco a pensar que e necessario comecar a responsabilizar os politicos pelos seus actos que inumeras vezes tem estado a prejudicar o pais.
Iluminados e criativos empreendedores em mocambique, inspirados pelo Bata medico mecanico um reitor falou alto e a bom tom hoje na cerimonia de graduacao que vai formar medicos em 3 anos, porque na Europa e assim! E assim mesmo voces que conhecem a tak Europa? Forca no combate a pobreza absoluta, ja foi dito acelerar o passo rumo a novo escangalhamento?
Formam-se professores em 9 meses porque não médicos em três anos?
Na Europa 'e assim uma ova! E mesmo que fosse, quem disse que Europa 'e Moçambique? Custa ver a diferença entre os dois?
isto tudo aponta para a necessidade de um espaço político dentro do qual se insiste cada vez mais na responsabilidade como o júlio muthisse tem muitas vezes falado. penso que esse é um dos grandes desafios académicos do momento, nomeadamente como garantir isso. os políticos têm que tomar decisões e algumas dessas decisões estarão correctas, outras não. o que nos falta é esse espaço de avaliação crítica consequente.
Esta nossa (africana) mania de importar modelos estrangeiros sem nos preocupar-mos em comparar realidades ou sequer ponderar as nossas necessidades e estágio de desenvolvimento é confrangedora. A necessidade de queimar etapas no desenvolvimento (estimulada em muito pelos apoios externos) cria mais problemas que aqueles que pretende resolver.
Um abraço de Cabo Verde
cara sanpadjud, imagine só, queimam-se etapas e o que sobra? a memória desaparece! e se calhar o desenvolvimento precisa mesmo de memória. obrigado por passar por aqui. abraços a cabo verde!
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