segunda-feira, dezembro 08, 2008

A ARROGÂNCIA DO MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO E A SUPOSTA TESE DE INOVAÇÃO NOS MÉTODOS DE AVALIAÇÃO

O caso dos resultados dos exames da 12ª Classe
Por Francisco Carvalho

Até ao momento que escrevo este artigo, pelo que me consta, ainda não saíram os resultados dos exames da 12ª Classe, devido, por um lado, a falha deste modelo, como vieram os responsáveis deste ministério à admitir recentemente nos órgãos de comunicação social e por outro lado, à erros cometidos pelos examinandos no acto de preenchimento dos respectivos exames. Os exames foram realizados entre 1 a 6 de Novembro deste ano e até aqui já passaram até o calendário previsto para a realização da segunda época e dos exames extraordinários. Para nós educadores, eis aí uma matéria-prima para reflectir, sobretudo sobre a questão da inovação nos métodos de avaliação na educação.

Diante deste facto, gostaria de colocar algumas questões que, possivelmente, possam nos ajudar a perceber o que está acontecer e, naturalmente, avançar com algumas especulações. A primeira delas é: inovar para quê? Quais são os pressupostos desta inovação do Ministério de Educação e Cultura? O que eles pretendem evitar, de facto?

Pessoalmente acho que toda inovação é bem vinda quer seja na educação ou noutra área pertinente. Contudo, temos que nos perguntar se há condições de mudanças? Quais são as desvantagens do anterior modelo em relação a este que queremos pôr em prática? Qual é que pesa mais?

Depois de se fazer um real diagnóstico da situação presente fazemos a escolha entre os dois modelos. Será que o nosso Ministério fez este diagnóstico? Será que houve uma fase piloto? Tenho muitas dúvidas a este respeito. O que me parece ter acontecido foi, mais uma fez, a importação de modelos que tem sido hábito do nosso governo, sem procurar saber se nas condições actuais este modelo pode funcionar. Só depois de implementar começam com as desculpas que pouco convincentes.

Pelo que sei deste processo o Ministério dispunha de apenas uma máquina para realizar a correcção automática destes exames, que não são poucos – todo país!

É esta centralização do processo de avaliação que eu chamo de arrogância do MEC, pois me parece que já não confiam mais nos professores. A tese desta centralização era para evitar fraudes, venda de notas, enfim todo tipo de anomalias cujos principais responsáveis são sempre os professores.

Reparem, os professores são responsáveis pelo processo de ensino e aprendizagem enquanto o ministério se encarrega pela avaliação! Uns dão as ferramentas e outros avaliam. Nova distribuição ``educacional`` do trabalho! Será que o processo a partir de agora vai ser imparcial? Ou trata-se de transferir a corrupção de baixo para cima? Será que esta avaliação vai ser coerente com aprendizagem adquirida? Se repararem da 8ª a 11ª Classe estes mesmos alunos passaram por processos de avaliação assentes na quantidade, onde cada professor devia atingir uma certa meta. E agora, quem vai ter que fazer as metas? E quando chega-se na 12ª Classe procura-se um tipo de exame que supostamente vai garantir a qualidade destes graduados!

Esta atitude do MEC, não é só arrogante, mas contribui em parte para desprofissionalização da profissão docente que até aqui era uma semi-profissão, pois semi-autónoma e agora completamente dependente dos responsáveis do MEC.

Agora que “demitiram” os professores no processo de avaliação reduzindo ao mero papel de vigilantes “vigiados”, porquê é que o próprio Ministério não passa não só avaliar como também `a dar aulas no lugar dos professores?

Ora, as consequências da falha deste processo começam a se fazer sentir antes mesmo dos resultados: na concorrência ao ensino superior, onde os estudantes, que aguardam a qualquer momento os seus resultados, não sabem, se quer, se vão a segunda época, contudo, querem entrar no ensino superior e estão “tentando a sua sorte”. Ou ainda, se os resultados forem abaixo dos 50 % como foram os da 10ª Classe, hão-de vir dizer que a culpa foi da máquina ou então dos professores que prepararam mal os alunos para estes exames, ou ainda dos alunos que preencheram mal os exames!


Aqui vamos nós por uma educação de qualidade e sobretudo libertadora!

16 comentários:

Anónimo disse...

alô a todos.


Penso que este episódio vem mais uma vez pôr a nú aquilo que constitui o principal problema do MEC (Ministério da Educação e Cultura) no tocante às inovações educacionais: Egocentrismo.


tem sido prática corrente deste ministério a introdução de inovações sem auscultar a opinião do público com particular destaque para os professores que são uma ferramenta importante neste sistema. No final, somos aborados com explicações do tipo os professores estão a interpretar mal o sistema, as pessoas não estão a compreender o que o sistema pretende, etc. mas em nenhum momento antes de o introduzirem explicaram tanto aos professores bem como a sociedade em geral de sistema se trata.

Penso que alguma abertura por parte deste ministério seria uma medida que ajudaria a diminuir estas situações. Se sociedade pudesse conhecer aquilo que se pretende introduzir teria espaço para opiniar e mostrar os incovenientes de certo programa ou sistema e estaria em condições de ajudar no desenho de estratégias mais adequadas ao nosso contexto.


abraços

Unknown disse...

Prof. E. Macamo, também acho que essa assunção do poder central das políticas de enovação educativa é cego exatamente por os argumentos apresentados serem esfarrapados. Porém, quem atraza a formação é o aluno! não me lembro de um técnico de MEC que tenha sido responsabilizado pelos maus resultados muito menos de um professor! entretanto o Governos e os Pais vam gastando rios de recurso a investir na formação da sociedade e dos seus proles respectivamente para todo o estudante servir de cobaia, não sei quando é que aprenderemos a ser participativos, cooperativos nas nossas intituições públicas é assim até na saúde adopta-se medidas inovadoras arrogântes... na indúsria o barrulho é maior, na UP os actores chamam o actor de centralizador e favoritista, na UME é o que temos vindo a assistir o Reitor é o centro de tudo, na segurança Anibalzinho fugiu pela 3ª vez e é sempre quando ocorre mudança de elementos da estrutura a peergunta é porqué essa conscidência? enfim, vamos andando...

abraços

Anónimo disse...

Interessante a observação dos participantes no "debate" de ideias. Pena que o caro Chacate tenha feito uma confusão dos assuntos. É essa confusão na abordagem de assuntos releventes que nos tem caracterizado, muitas das vezes, e tornando-nos arrogantes do saber.
Pessoalmente já comentei e muito acerca desta inovação, adverti o MEC em como não estava, na verdade, preparadado para o desafio e houve atrevimento demais e o resultado é este visto por todos. O nosso País anda brincando com o ensino a vários níveis com a nuencia do MEC. Vejam, caros comentadores, os ultimos 10 exames da lingua portuguesa da 10.ª classe. - tudo fábulas - com histórias de coelhos ao meio, como se quisessemos formar homens - coelho. Um exames com perguntas ao nível da 5.ªclasse.(o que é que o coelho fez; quais são as pesonagens do texto, etc). Tudo para alcançar a percentagem e, ela está alcançada a 100%, mas a realidade é que este aluno confrontado com o programa da 12.ª classe - literatura, interpretação e gramática. nada se sabe e nada há que discutir com este aluno, num programa que requer mais investigação deste.

É o meu país a não tornar sério o sério. É o professor a ser substituído até por máquina de correcção. Para o ano esperamos um recuo...

CMatusse

Anónimo disse...

Seria bom se, ao fazer seus comentarios, as pessoas se identificassem. Digo nao no sentido de nome e numero de BI, mas sim quanto a sua posicao social em relacao a questao em debate. Concretamente, se identificassem como aluno, professor, oficial do MEC. Eu Assim, a (im)parcialidade dos seus comentarios seria logo percebido. Eu sou aluno. E preciso procurar ver de todos os angulos. Evidentemente que a inovacao tem sempre vantagens e desvantagens. Neste caso, a mecanizacao e uma boa nova para os alunos que se viam prejudicados pelas arbitrariedade humana no processo de correccao. Pontecialmente, torna o processo mais rapido e fiavel, reduzindo a ansiedade dos tempos de espera. Entende-se que neste primeiro ensaio, a coisa tenha saido mal. Mas e o caminho para o futuro, que sempre exige inovacao e roptura com as provas dadas da tradicao. De qualquer das formas, e a melhor forma de dinamizar a mudanca. Se os resultados forem muito maus, e um dado objectivo sobre a situacao real, que indica a necessidade de fazer mais.

Unknown disse...

CMatusse, descordo que tenha feito confusão na minha abordagem muito menos arrogante! porque so me referi `a generalidade do problema e não ha responsabilização depois! de que confusão o CMatusse se refere? agora, podes não concordar comigo é anaturar. apresenta seus argumentos.

Anónimo, concordo no que se refere ao tratamento dos resultados sejam desejados ou indesejados embora a (im)parcialidade da seu comentário em mim não tenha sido percebido por seres sargento, arféliz ou comandante em chefe! sugeria também, que ficasse claro que mesmo o E. Macamo não está contra a inovação só que o ensaio (não tem o mesmo nível de abrangência) é indispensável, só se emplementa a política com uma certeza dos seus resultados

Abraços

Anónimo disse...

Gostaria, sem querer ser orgulhoso, que os colegas deste debate prestasse atenção na pessoa que escreveu este artigo, que não fui o Professor Elísio, mas Francisco Carvalho, eu e concordo com Chocate que a "arrogância da centralização" esta todo nível, em que não se leva em conta nem aos visados (estudantes ou o povo) nem aos docentes como e o caso da UP e UEM quando tomam decisões, só pensam nos doadores, em Bolonha, Integração Regional, FMI, coisas do género...

Anónimo disse...

Francisco Carvalho, peço desculpa ahahah ati ao Prof. pela troca dos autores é o custume ahahah

abraços

Anónimo disse...

caro Chacate, ao falar da "confusão", talvez me engara o termo, mas observava o facto de meter questões como:
1 - "até na saúde adopta-se medidas inovadoras arrogântes..."
2 "na indúsria o barrulho é maior"
3 "na UP os actores chamam o actor de centralizador e favoritista"
4 "na UME é o que temos vindo a assistir o Reitor é o centro de tudo"
5" na segurança Anibalzinho fugiu pela 3ª vez e é sempre quando ocorre mudança de elementos da estrutura a peergunta é porqué essa conscidência?"

É que a questão do autor do texto é em particular os exames da 12ª classe. Agora, tentar entender o "fenómino exames" associando à saúde, à indústria, às reitorias,
às prisãoes, etc. pessoalmente não vejo uma corelação, nisto. Vamos olhar, analisar e abordar este assunto que é sério, se o senhor for professor ou encarregado possivelmente enfrente dificuldade/lacunas que o actual aluno apresenta. Não pelos programas de ensino, que eles são inovadores e bons, ao meu ver. Mas não há coordenação entre o MEC e os implementadores. Se reparar o professor, hoje em dia, está desautorizado a todos os níveis.
Uma questão simples: Caracterize o professor actual, no seu geral.

Agora. a arrogância, não era pra ti, mas na maneira de misturar os assuntos. Há que separar para melhor estudar e perceber, pois não?

Repare que se diz que e muito bem, a ex da UP, UEM que tudo está centralizado. No MEC é assim também. sou a favor de consultas.

Abraços

CMatusse

Unknown disse...

“É que a questão do autor do texto é em particular os exames da 12ª classe. Agora, tentar entender o "fenómino exames" associando à saúde, à indústria, às reitorias, às prisãoes, etc. pessoalmente não vejo uma corelação...”

CMatusse, os exemplos todos que enumera me citando era no sentido de mostrar que a atitude centralizadora e arrogante não só se verifica ao nível do MEC como pode ver nos exemplos. Porém, ninguém é responsabilizado pelo desperdício que recai em grande medida ao aluno. o Francisco Carvalho ao falar dos exames da 12ª classe tenta nos mostrar o papel do poder central na implementação de políticas educativas (lider disseminador) e as vantagens da simulação na redução de incertezas. Agora, o que o CMatusse devia fazer é passar a ser mais concentrado nos temas em questão para não se deixar levar pelos exemplos e comparações, porque entre os exemplos que dou se referem à mesma pessoa jurídica (Estado) que vai cometendo atrocidades em diferentes ramos da sua actividade.

Há descordância entre o MEC e o implementador. Sim, se olhar bem verá que este facto é o mesmo que acontece na Saúde, UP, UEM, MIT e por aí fora! não é verdade? Se for assim, as lacunas que os alunos no nosso ensino tem nada tem a ver com o atraso do MEC em devulgar os resultados dos últimos exames por falta de explicação e controlo eficaz dos técnicos do MEC! O aluno se sabe interpretar um texto narratino, didático ou científico mesmo expositivo como me sugere, isso só seria visto nos resultados que o MEC e seus técnicos iria devulgar. Não é verdade?

CMausse este assunto (atraso na devulgação dos resultados) não pode ser visto a nível dos conteúdos o autor do texto sugere nos um olhar nas estratégias de implementação dos políticas educativas e o CMatusse prefere ver essa estratégia ao nível da autoridade do Professor! O que é que teria a ver a desautorização do professor actual com o atrazo na devulgação dos resultados da 12ª classe? Porque o professor actua ao nível da unidades educativas, os dados de avaliação sumativa são tratados e devulgados ao nível do MEC. Seria confusão e arrogância no saber?

Ora, deixe me tentar esclarecer de outra forma. O SNE deve ser visto por exemplo em três níveis Conceptual (político) que por sua vez se relaciona com outros planos como quinquenal do governo, económico social, PARPAs e por aí fora, esses planos por sua vez interligão diversos sectores de actividades do Estado; nível estratégico ou táctico onde se procura reduzir a incerteza usando métodos e meios de forma eficiente e o nível operacional onde encontramos o professor por exemplo. Agora, em relação ao caso em análise, as políticas foram bem concebidas, o professor deu aulas como mandão as regras apesar da sua desautorização, sim, porque os resultados da avaliação formativa mostrão nos isso através de estudantes levados à sala de exame para o caso dos internos. Então o nível táctico é que falhou porque supostamente não fez o ensaio. é isso que estou adizer e infelizmente isso acontece em todos os sectores do Estado. Espero não te provocar outra confusão. abraços

Anónimo disse...

Nada de confusão caro Chacate, em tudo isto, o que a mim interessa é que um dia alguém seja responsabilizado pelos danos causados na educação. Não só pelo atraso na divulgação dos resultados que prejudicará de que maneira os alunos!, Mas também nos "orquestradores" destas mudanças drásticas e sem medidas de cotenção.

Percebí e bem o que queria ao enumerar os casos UP, UEM, MISAU, etc. Mas nesta enumeração me falta um dado novo, como o que traz agora:
"entre os exemplos que dou se referem à mesma pessoa jurídica (Estado) que vai cometendo atrocidades em diferentes ramos da sua actividade".

Ora vejamos caro Chacate. Todos somos agentes do Estado, a vários níveis. E para que este logre os seus itentos, responsavelmente vamos agindo para tal. O que quer dizer que o Estado age em nós (sujeitos concretos).Aqui está o centro: Há que se responsabilizar estes que agiram em nome do Estado ( que é em nosso nome, até certo ponto), estes que tomaram decisões (não bem pensadas), fora da nossa realidade.

SE formos a ver o dinheiro do MINT saíu em nome do Estado. Mas há pessoas concretas que estão a ser responsabilizadas ou porque se beneficiaram directamente ou pela sua cumplicidade. E para a educação, assim como noutros sectores que enumera, há pessoas claramente identidificáveis.

É momento de responsabilizar os visados se não o tempo responsabilizará a todos.

Abraços, estamos pela mesma causa.
Dois olhares diferentes sobre a mesma realidade. Que bom!
CMatusse

Unknown disse...

Abraços

Anónimo disse...

Como aqui não se discute dinheiro, mas sim ideias, há pouco debate. Veja como se estão a guerrear no blong do Serra só por que Chissano comprou uma empresa que ajudará aos moçambicanos no emprego e a reduzir as taxas da LAM. Até que é dinheiro retirado deste País que está de volta.

CMatusse

Unknown disse...

kkkkkk obrigado CMatusse já passo por la.

Unknown disse...

Caro CMatusse,
Não é o sentido patriótico que orienta o investimento, mas sim a rentabilidade do negócio. Se Chissas resolveu investir em moçambique, é porque identificou uma oportunidade economicamente aliciante. Mas concluir que da entrada da companhia aérea de Chissano, os preços das passagens aéreas reduzam? Acho uma conclusão até provável, contudo um pouco arrojada. Já equacionaste a possibilidade da entrada originar um cartel ? Qual seria o interesse da nova companhia em reduzir o preço, se ela pode tomar o preço praticado no mercado e maximizar desse modo o lucro.

Josué J. Muchanga

Anónimo disse...

O que esta realmente a acontecer no nosso pais pode ser chamado por "banalização do ensino tanto superior como médio.

O que esta por detras dos ODM (Objectivos do Desenvolvimento do Milénio). A quem interessa esses ODM?

Aqui é preciso ter em conta o ciclo da "banalização do ensino superior como médio"

A tal banalização interessa por um lado as agencias multilaterais, pois com isso, eles conseguem impor seus consultores em varios Ministerios e Agencias de Desenvolvimento.

Para o pais eles conseguem fazer crer que estamos a fornar pessoas. Mas a realidade esta a mostrar que não estamos a formar nada.

Assim eles conseguem absorver a sua mão de obra desempregada na Europa e ao mesmo tempo influenciar nas politicas

E por outro lado interessa a elite do poder porque é um prenúncio da morte da competencia, pois assim eles conseguem facilmente reproduzir o status quo fazendo o uso do nepotismo para garantir que seus proximos ingressem facilmente no mercado do trabalho.

Realmente estamos a formar pessoas que não sabem o que estão a fazer. Há um exemplo caricato que vale a pena fazer refeência aqui, reparem quantos estrangeiros (Europeus)estão nas agencias de desenvolvimento como especialistas de M&A.

O que estamos a ensinar aos nacionais? Reparem quantos paraquedistas que se beneficiam da tal banalização do ensino estão a frente de instituições de ensino no pais.

Veja o argumento defarrapado de pedagogos que tentavam analisar as reprovações na 10 classe. Se pedagogia é so abrir a boca, então há problemas sérios neste país.

Licenciatura em 3 anos é uma aberração? vale a pena recordar o artigo do P. Langa sobre as Pseudos Universidades? Para que tenhamos Licenciaturas em três anos temos que promover um nível médio a Mutola (Com exames oferecidos)prenda de natal mas o tiro saiu pela culatra.

Veja aagora a coorrida para atingir as metas do ODM (2015) estão a resultar em aberturas de Universidades e Institutos Superiores, porque apenas faltam 7 anos, e agora que fazer reduzir a Licenciatura para 3 anos para se poder ter 2 gerações de Licenciados.

Assusta-me a emergencia de Universidades e Institutos superiores desfazidos do realidade. A mudança de currilos escolar não pode ser vista apenas como redução do tempo de conclusão do curso.

E isto causa um efeito domino para outros niveis como o médio. o tempo agora é para correr até 2015? So espero que cheguemos bem!!!

Valha-me Deus, apetece-me citar aqui José Paulino Castiano, meu professor em tempos "Educar para que" Para ODM ou para formar o homem do amanha.

Ou devemos livrar-nos dos falsos compromissos. Será que tudo que é pensado em conjunto é sempre bom? Tenho dúvidas. Esta Africa que não sabe dizer não é preocupante!!

Rildo Rafael

Anónimo disse...

Caros companheiros de blogue,

Para mim, o problema do MEC vem de há muito e ultrapassa, também em muito, a questão dos recentes exames da 12ª classe. Há vários anos que o Ministério da Educação VAI DE MAL A PIOR, em ritmo uniformemente acelerado. Quer-me parecer que naquele ministério cada um pensa por si, sem qualquer estratégia ou coordenação global. Como os efeitos normalmente não se vêem de imediato, isso não lhes importa para nada, pois ninguém vai ser responsabilizado.
Para acesso a fundos é preciso que se ensardinhem os alunos nas escolas? Aceitá-lo só depende do gabinete de planificação, que o resto da sociedade pouco vai entender e, quando acordar, será tarde. Por que não fazê-lo?
Alguém acha que os currículos não são relevantes, ou que a disciplina de educação musical ou outra qualquer é importante, com professor e livros a ela dedicados? Mudem-se os currículos, introduzam-se as disciplinas e faça-se lei.
Sem qualquer estudo, alguém conclui que o facto de o português não ser a língua materna da maioria dos alunos é a principal causa do insucesso escolar em Moçambique? Mude-se a língua de ensino e introduza-se o ensino bilingue em TODAS as línguas nacionais nas zonas por TODO o país. A elaboração dos livros, a sua distribuição, a formação dos professores, a reestruturação do MEC, o impacto de tudo isso no sistema em geral e na economia do país, que importam? Serão estudados depois, à medida que os problemas forem surgindo. E se forem tais que o sistema vá abaixo como um baralho de cartas, não será certamente esta equipa que estará em funções nessa altura.
Não há capacidade de dar resposta a tempo nas correcções dos exames? Então os testes de escolha múltipla não são mesmo para isso? Que importa que os professores nunca tenham sido ensinados a fazê-los, que os alunos não estejam nada a eles habituados? Façam-se os testes, que as máquinas os vão corrigir. Os problemas serão resolvidos passo a passo.
Os resultados dos exames são maus, não correspondendo à meta da redução do insucesso escolar? Exames, para quê, se pode haver passagens semi-automáticas ou administrativas, ou "ciclos de aprendizagem, como quer que os queiram chamar? Mas, em havendo exames, se a causa é "terem sido difíceis as perguntas dos enunciados", como ouvi muito recentemente a um responsável do MEC, por que não, no próximo ano simplificá-los?
E assim vai andando o barco ao sabor da maré. E nós, aqui a assistir.