Guebuza exonera reitor do ISRI
11/03/2007
Em despachos divulgados sexta-feira, o Presidente da República, Armando Guebuza, exonerou Jamisse Wilson Taímo do cargo de Reitor do Instituto Superior de Relações Internacionais ISRI, que o dirigia desde 1996 e nomeou Patrício José então vice, para reitor da mesma.
Dez anos depois, o filho da Universidade Metodista do Brasil, deixa a reitoria da única instituição vocacionada na formação de quadros seniores em relações internacionais e diplomacia, e que desde 2002 forma igualmente administradores públicos.
A exoneração veio responder a onda de contestações quer por parte dos docentes e funcionários, quer por estudantes daquela instituição de ensino superior.
Segundo um artigo do Jornal “O país” de 1 de Setembro de 2006, os estudantes do ISRI há muito se queixavam do facto de Taímo ausentar-se por muito tempo da Instituição.
Ainda em conformidade com o referido jornal que cita estudantes daquela instituição de ensino, Taímo não é académico mas sim teólogo, o que na opinião deste, menos dedicasse o seu tempo para os assuntos académicos.
Outra contestação então apresentada, tem a ver com o facto de durante dez anos Taímo não ter conseguido construir um campus universitário, mesmo que as obras, hoje, estejam já num passo avançado.
Isto é apenas um pedido de esclarecimento. A nomeação do reitor do ISRI obedece também aos mesmos critérios que se aplicam à UEM? Ou por outra: aqui também houve recomendação do Conselho Universitário, ou não é preciso? Melhor ainda: as prerrogativas presidenciais incluem também a exoneração e nomeação ao bel-prazer do Chefe do Estado? Quem é que entende destas coisas e me pode explicar? Já agora alguém consegue explicar-me a lógica por detrás destas exonerações e nomeações espaçadas? É pelo efeito mediático ou é porque cada decisão está a ser devidamente ponderada? Não inspiraria mais confiança na solidez dos critérios por detrás destas exonerações e nomeações se fossem feitas de uma assentada?
Aproveito para comentar brevemente a notícia acima reproduzida. Ela traz à superfície o que pode ser considerado como uma série de critérios para decidir sobre o futuro da liderança de uma universidade: É teólogo ou não? Ausenta-se muito tempo ou não? Consegue construir campus ou não? Trata-se, evidentemente, da especulação do jornal, mas não deixa de revelar a qualidade de reflexão sobre o assunto. Espero que os critérios do Presidente tenham sido outros e melhores. Mas a ausência de debate sobre isto, acima de tudo, a ausência de debate sobre o que queremos que o ensino superior seja e porque o que temos agora ainda não é o que queremos que seja, é uma das coisas mais preocupantes nesta questão.
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