quinta-feira, março 08, 2007

Informação imprecisa

Os nossos meios de comunicação de massas prestam um grande serviço à sociedade. é através deles que a nossa esfera ganha substância. Por essa razão, é importante que eles sejam capazes de fazer o seu trabalho da melhor maneira possível. Hoje comento aqui uma notícia que li no jornal O País Online, uma das melhores fontes de informação actualizada sobre o país na internet.

“Garrido instala crise no seio de médicos

07/03/2007

O ministro da Saúde, Ivo Garrido, quer inequivocamente que os cerca de 500 médicos espalhados pelo país ocupem maior parte da sua actividade laboral nos hospitais onde são efectivos, principalmente nos públicos. A medida visa eliminar os famosos médicos “turbos” que para além de trabalharem em várias clínicas leccionam em universidades.

Porém, a ideia não agradou os médicos que já fizeram questão de manifestar o seu desagrado publicamente. Para eles trabalhar das 7:30 ás 15:30h e mais três horas aos sábados, para além de exceder sobrecarga horária semanal, poderá prejudicar as habituais rondas que estes tem feito pelos hospitais, bem como as solicitações que tem tido para atender as urgências visto que limitar-se-ão ao restrito cumprimento do horário estabelecido.

Contudo, o que se diz a volta deste assunto é que o outro ponto que desagrada os médicos no novo horário é o facto deste poder vir a condicionar muito o exercício da sua actividade nas clínicas privadas que dependem em quase cem porcento destes agentes. É que, segundo fontes, o ministro da Saúde sabe que muitos médicos distribuem o seu tempo entre a docência na faculdade de medicina e no Instituto de Saúde, bem como pelos hospitais públicos e clínicas privadas. Refira-se que vários contactados pela nossa equipe de Redacção negaram ceder informações” (fim)

Uma das coisas que põe um indivíduo louco ao ler notícias da casa é a imprecisão na informação. A notícia diz que os médicos “... já fizeram questão de manifestar o seu desagrado publicamente”. Mais abaixo há um desabafo, “[R]efira-se que vários contactados pela nossa equipe de Redacção negaram (recusaram?) ceder informações”. Esta não é a única imprecisão. A notícia diz também, por exemplo, que “... muitos médicos distribuem o seu tempo entre a docência na faculdade de medicina e no instituto de saúde, bem como pelos hospitais públicos e clínicas privadas”. O ponto de partida são os “cerca de 500 médicos espalhados pelo país”, portanto, o jornalista neste último parágrafo devia tornar claro que se refere aos médicos de Maputo. Este tipo de imprecisões não permite interpelar bem os nossos decisores políticos porque sempre fica a sensação de que, talvez, a nossa informação não está completa. Isto é particularmente pertinente no caso desta notícia ainda para mais com o título irresponsável que se lhe deu.

O que é que o Ministro da Saúde pretende exactamente fazer? A) Obrigar os médicos a cumprirem as suas obrigações contractuais? B) Obrigar os médicos a trabalharem mais tempo nos hospitais públicos? C) Obrigar os médicos a trabalhar mais tempo? Quais são os planos do Ministro da Saúde? A resposta a esta pergunta vai nos permitir perceber a oposição dos médicos e o que está verdadeiramente em jogo. Se a pergunta é a) o assunto está claro. E se não está claro que um contracto deve ser cumprido, então alguém andou a fazer sorna no aparelho do estado. Se a pergunta é b) ou c), aí sim, o assunto tem que ser discutido.

Mas a pergunta é: O que quer fazer o Ministro da Saúde? Temos que saber isso para podermos reflectir sobre o assunto e dizer se concordamos ou não.

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