quinta-feira, março 08, 2007

Quando o povo nos é indiferente

Li no País Online e acho o título mau. A Frelimo é que paralisou sessão da AR.

“Renamo e Frelimo paralisam sessão da AR

08/03/2007

A Assembleia da República suspendeu a sessão de quarta-feira durante algum tempo, porque a Renamo exige a presença da Primeira-ministra, Luísa Diogo, para prestar informação do governo. Constava da agenda da Assembleia da República para quarta-feira a apresentação de informações do governo a este órgão legislativo.

A Frelimo queria saber do governo sobre a situação das calamidades naturais, enquanto a Renamo questionou o Executivo sobre a gestão dos recursos florestais. A sessão ficou pelo menos no período da manhã apenas pelos questionamentos, porque a seguir instalou-se um impasse dado que a Renamo exigia a presença da chefe de governo, Luísa Diogo, que delegou o ministro da Administração Estatal para apresentar a informação.

A Frelimo por seu turno desvalorizou a pertinência da presença da primeira-ministra que de momento se encontra em Espanha, Madrid, a participar na conferência Espanha-África” (fim)

O Parlamento é onde os representantes do povo se encontram. Portanto, o povo moçambicano está ali. Independentemente do que diz o regulamento daquela instituição sobre quem pode falar em nome do Governo de Moçambique perante os representantes do povo, a ausência do Primeiro Ministro – em festejos do dia da mulher na Espanha – e do Presidente da República – em festejos da independência do Gana – não parece documentar muita consideração pelo povo. E logo numa altura em que se discutem assuntos muito sérios – as calamidades naturais e o uso insustentável dos recursos florestais – da vida do país não fica bem que os nossos líderes máximos dêm prioridade a coisas, sinceramente, supérfluas e que, de certeza, envolvem despesas.

Não faria este comentário, que é essencialmente político, se nos últimos tempos não tivesse andado envolvido em estudos-consultorias sobre questões de desenvolvimento de Moçambique nos quais creio ter constatado que um dos problemas da intervenção externa no nosso país consiste no enfraquecimento do nosso sistema político. A maior vítima deste enfraquecimento é o parlamento cuja opinião não serve para nada na discussão do orçamento – pois este é decidido com os doadores – não serve para nada no combate à pobreza absoluta – pois este é decidido com os doadores – não serve para nada praticamente para nada. O que esses estudos me têm mostrado é que o país precisa de reforçar o vínculo entre o Estado e a Sociedade e precisa de tornar mais robusto o sistema de responsabilização política através de um Parlamento mais presente como veículo das preocupações do povo.

Não são só os que nos ajudam que nos fazem mal. O nosso sentido de prioridades também é muito problemático. Os parlamentares da Renamo têm toda a razão em fazer as exigências que fizeram.

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