sexta-feira, dezembro 21, 2007

Por uma cultura mais crítica

Por razões estéticas decidi retirar o debate para aqui.

O Egídio Vaz Raposo publicou um comentário no seu próprio blogue com o título “A arte de criar fracas instituições” no dia 8 de Junho de 2007. Nesse artigo ele vaticinava que não haveria eleições este ano, algo que se revelou correcto. Em discussão numa das minhas postagens mais recentes ele escreveu o seguinte:

Eu também hei-de voltar Prof. Sim, fico satisfeito porque poucas foram as vezes em que o Professor respondeu aos que visaram ao seu discurso; seu pensamento. Quando eu blogava, poucas foram as vezes. lembro-me que da última vez foi quando reagi muito violentamente a eleiçãos dos actuais tractores da CNE. O Professor quis questionar tanto a minha reacção violenta como a previsão que fazia. Eu expliquei bastantes vezes mas não o convenci. Hoje estou numa boa, a assistir rindo, e feliz. Porque tudo o que antevia está a realizar-se. Não foi por acaso que Chapa100 chamou-me de curandeiro+qualquer coisa. Professor,estamos juntos. Abraços.

A ênfase e os sublinhados são meus. Como a blogosfera tem boa memória fui de novo ao seu blogue para recuperar o sentido da nossa discussão e descobri algumas coisas interessantes. Descobri, primeiro, que a minha posição nessa discussão é a mesma que hoje me opõe ao desabafo e à denúncia. Ao longo de todo o debate procurei convidar o Egídio a reflectir mais sobre o seu próprio método. A segunda coisa que descobri foi que ele aceitou reformular a sua conclusão à luz dessa discussão. A terceira coisa foi que à luz dessa discussão também aceitei as suas conclusões. A quarta foi que o Egídio pareceu reconhecer a importância do método e agradeceu por isso. O que terá ocorrido no espaço de seis meses para o mesmo Egídio se tornar tão agressivo em relação à “arrogância do Prof. Macamo”, o mesmo a quem ele dirigiu as seguintes palavras, “Muito obrigado Prof. Finalmente irei sair do "beco". Concordo plenamente consigo. E já agora rectifico: Tenho muito medo de as próximas eleições serem as mais sujas que há memória na história democrática do país. Por razões aqui já referidas. PS: Ainda vou a tempo de lhe agradecer por isso. Uma das grandes vantagens de debater com o Prf e Chapa 100 é a oportunidade de poder aprender a por o que penso mais claro. E na verdade, tenho tido muito sucesso. Continue. Abraços. Dentro de 2 horas irei postar mais uma grave provocação.?

Reparem que a minha questão aqui não é de exigir do Egídio, nem de outros, que não estejam contra as minhas ideias só porque no passado me agradeceram, ainda que seja pelo mesmo tipo de conselhos que ele hoje critica. A minha questão é de tornar claro que não me interessa calar a boca de seja quem for. Interessa-me, isso sim, contribuir para que aqueles que acham que têm alguma coisa a dizer e acham que podem se socorrer de subsídios académicos tenham em mim e noutros colegas membros da comunidade académica moçambicana interlocutores úteis e interessados. Acabei concordando com o Egídio pela força dos argumentos que ele desenvolveu ao longo dessa discussão, mas para verem como estas coisas da ciência são complicadas, embora de facto a conclusão do Egídio tenha sido correcta não foi pelas razões que ele desenvolveu! Moral da história: todos podemos vaticinar, mas o mais importante é como o fazemos. Eu posso dizer que depois de amanhã vai chover porque é sempre assim sempre que me cruzo com um indivíduo careca. E, dito e feito, depois de amanhã chove! Tinha razão?

Reproduzo, portanto, aqui essa discussão como uma contribuição para o que acho ser o nosso dever quando fazemos intervenções na esfera pública. Quem quiser ver a postagem original terá que consultar o inactivo blogue “Ideias de Moçambique” do Egídio seguindo o elo aqui ao lado.


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