terça-feira, dezembro 19, 2006

Apertar o cerco...

O Semanário O País Online tem mais esta joia:

“O maior problema da polícia está nos meios

19/12/2006

“A exiguidade de meios para travar a onda de criminalidade que assola o país, em particular a cidade e província de Maputo onde os linchamentos estão a tornar-se prática comum é um dos grandes problemas pelos quais a Polícia da República de Moçambique se debate”, reconheceu, esta segunda-feira, o Comandante Geral da Polícia, Custódio Pinto à margem do balanço anual do desempenho das forças de lei e ordem, decorrido em Maputo.

A fonte avançou que 2006 não foi um ano nada fácil para a polícia. O Ministério do Interior conheceu várias movimentações e muitos acontecimentos chocantes marcaram a época, porém Custódio Pinto não se deixa levar pelas adversidades que afectam à polícia e assegura que a sua corporação vai apertar o cerco aos criminosos.

Instado a pronunciar-se em volta do seu desempenho desde que assumiu as rédeas da PRM Custódio Pinto disse ser demasiadamente cedo para avaliar o seu trabalho, tendo se assumido como um dirigente humilde.

A fonte que temos vindo a citar disse que o sector vai trabalhar no sentido de admitir mais homens nas fileiras da polícia.”

Há duas coisas interessantes do ponto de vista da sociologia do crime neste artigo. A primeira é a que dá o título à coisa: falta de meios. O que significariam mais meios? Mais agentes policiais? Melhor equipamento da polícia? Melhor formação? É aí onde reside o problema da criminalidade? O problema reside mesmo na ideia de que a polícia não dispõe de meios? Será? Como é que sabemos isto? Quantos casos não foram resolvidos e quantos crimes não foram prevenidos porque a polícia não tem meios? Que tipo e quantos casos foram resolvidos e, igualmente, que tipo e quantos crimes foram prevenidos apesar de a polícia não dispôr de meios?

A segunda coisa interessante remete-nos ao que nos ocupa nestas páginas. A notícia diz que apesar da falta de meios a polícia vai “... apertar o cerco aos criminosos”. Que bom! Mas que criminosos? O que significa apertar o cerco a algo mal definido? Qual é a base desta determinação e porque ela não serve para resistir ao argumento da falta de meios? Que ilações serão tiradas daí que ajudem a polícia a ser cada vez melhor?

São apenas ideias para a reflexão.

Sem comentários: