Leiam esta notícia do jornal O País Online e digam-me se faz mesmo sentido. Vemo-nos mais abaixo:
Advogado torturado pela polícia detalha o sucedido
10/07/2007
Aquinaldo Mandlate, advogado estagiário que foi submetido a severas sevícias pela Polícia de Investigação Criminal (PIC) na 2ª esquadra da Machava, no passado dois de Julho corrente, confirmou ter saltado o murro da esquadra em referência, em consequência do mal-estar que se tinha instalado a dada altura das audiências. Confirma também os disparos mas diz não se lembrar se terá sido alvejado na cabeça ou não, a verdade, porém, é que contraiu ferimentos graves.
Aquinaldo Mandlate que estava a acompanhar três constituintes de uma instituição bancária que tinham sido notificados para prestar depoimentos na PIC da Machava a respeito de um assunto que em seu entender envolve muitas somas de dinheiro, disse que o clima mudou quando insistiu em querer entender uma parte do processo que a polícia estava a manter em penumbra.
Na sequência da sua insistência, avança, o agente que conduzia a investigação disse que “os advogados são muito bem pagos neste processo e depois esquecem-se dos agentes que tem acompanhado o processo” e o mesmo agente acrescentou que a polícia estava preparada para emitir mandatos de captura para as pessoas que o causídico assistia.
O nosso entrevistado afirma ter ficado mais ofuscado pois o mandato de captura quem emite não são agentes da PIC mas sim agentes legalmente capacitados, tal é o caso de comandantes de esquadras, juízes, etc.
Como saltou o muro
Coincidentemente, quando decorriam as audiências, um grupo de criminosos disparou tiros quando assaltava uma agência do Banco Austral, localizada algures e é com esta situação que o nosso afirma ter se sentido constrangido e simulou estar a receber um telefonema para poder sai da sala para testemunhar o que se estava a passar.
Entretanto, quando retoma à sala, entrou um agente que posicionou a arma por cima da mesa, com o cano virado para si, momentos depois entrou uma agente que estava a paisana e mais tarde entrou um agente da Brigada Anti-crime que ordenou que as pessoas que estavam na sala se retirassem, excluindo o advogado.
Entretanto, intimidado com aquela situação tentou despistá-los, saindo da sala, e pulou o muro da esquadra e o da vizinhança para tentar se sair da encruzilhada. Neste contexto, os agentes o perseguiram e dispararam ao ar para o limitar, foi quando começou a pancadaria que o levou ao leito do hospital. (sublinhados todos meus, EM)
Os depoimentos do advogado não me parecem fazer muito sentido, a não ser que a reportagem seja defeituosa. Não há dúvidas de que a polícia procedeu de forma vergonhosa e que se houver seriedade em relação à legalidade no país haverá consequências não só para os agentes envolvidos como também para os seus superiores hierárquicos. Não obstante, não está claro para mim o que o tiroteio no banco tem a ver com a história, porque os agentes o intimidaram e quiseram só ficar com ele e porque ele saltou o muro. De certeza que ele teve razões fortes para proceder dessa maneira, mas quais foram essas razões? Porque é que os agentes queriam ficar só com ele e porque achou ele que se tratasse de intimidação? Porque pensou ele que o melhor fosse “fugir”? Não percebo a história. Alguém aqui – o advogado ou o repórter – está a violar o nosso direito à razão omitindo informação que nos permita perceber o que se passou.
1 comentário:
o ericino de salema pediu-me para colocar este comentário que ele próprio não consegue postar: "Na realidade, há muita parra e pouca uva nesta estória. Procurando chamar para si o direito a ter razão, tanto a Polícia como o advogadi Aquinaldo Mandlate estão a impedir o grande público de usufruir do direito à razão. De princípio, dizia-se que o causídico foi baleado, o que parece não corresponder à verdade, segundo as suas próprias palavras. Ele disse, em conferência de imprensa por mim televisionada na Stv, que não tinha a certeza se tinha sido atingido por uma bala ou não, o que é esquisito, dado que já foi tratado e já recebeu alta. Gostei de um dos comentários do Bula-Bula do jornal domingo de ontem, em jeito de sátira: "Destes três tiros nenhum o deve ter apanhado, já que, segundo o seu próprio testemunho, dois foram para o ar e o terceiro para lugar incerto, que não pode ter sido a sua própria cabeça, a qual se encontra em lugar certo, que é em sima dos [seus] ombros". - no seu blog. Abraços de Ericino de Salema"
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