"Conceituado" e "controverso"
O Patrício Langa acaba de me enviar uma notícia publicada no Diário de Notícias de hoje contendo excertos de uma postagem deste blogue. O título é “Governo de Guebuza é incompetente” e essa afirmação é-me atribuída. O artigo começa assim: O conceituado e mais controverso sociólogo da praça, Elísio Macamo, acaba de publicar mais uma das suas críticas sobre o pulsar do país e conclui que o Governo do Presidente Armando Guebuza é incompetente. Com a devida vénia trasncrevemos em partes a sua visão sobre a actuação do actual executivo moçambicano”.
Acho isto horrível, desonesto e pouco sério. Leiam, por favor, a postagem original aqui. É do dia 29 de Maio! Recente... !? O artigo não diz em parte nenhuma que o Governo é incompetente. O artigo diz apenas que certas actuações do Governo parecem estar apostadas em dar razão aos que dizem que ele é incompetente. Parecem-me coisas diferentes. Quando tiver razões para dizer que o Governo é incompetente di-lo-ei. Que há membros do Governo com uma actuação de abanar a cabeça, lá isso há. Mas não é o Governo. A nossa esfera pública precisa de maior discernimento para poder enfrentar os problemas que temos. Jornalismo desta natureza não ajuda.
O que significa “conceituado”, “controverso” e “com a devida vénia”? Parece-me mais um atentado ao nosso direito à razão. Estamos mal. Muito mal.
13 comentários:
Não estou a conseguir escrever....quase morro de gargalhadas.
Prof. um dia disse-lhe que há jornalistas (e porque não intelectuais normais) que lêm o português em sua própria língua materna.
Ri-me de tristeza. tristeza pela forma descontextualizada como foi citado. já tínhamos falado da amputação dos textos originais. estou a pensar em duas hipótese: ou o repórter não entendeu porque fez mal a leitura, ou agiu de má fé, utilizando muito mal as passagens que consubstanciavam o seu pensamento.
diz-se que em 20 minutos destroi-se a reputação de um indivíduo. e os resultados estão à vista. mesmo se responder o que vai ficar é o que foi escrito primeiro. vou escrever um post sobre os perigos do jornalimso
Não se trata de de má fé muito menos de citação fora do contexto.
Trata-se isso sim da incpacidade de ler e compreender um texto tão sofisticado quanto ao do Professor Macamo. E eu insisti sempre nisso. Muita gente sabe que sabe ler, mas quando chega o momento de dizer o que leu, aí vem o desastre.
Um teste poderia ajudar-nos a compreender o que digo:
Se perguntarmos qual é ideia central expressa no texto do Prof Macamo, aposto que não conseguirá. Mesmo vc Bayano, veja como Mabunda não conseguiu compreender nem mesmo a ideia central que defendia no texto que escreveu acerca de Dama do Bling!
Temos isso sim, um problema grave: jornalistas.
posso inventar uma outra hipótese para o caso? Aí vai: falta de assunto.
E falta de assunto, em jornalismo, é resultante de quê, no fundo?
Prof. perdoe-lhes, eles não sabem o que escrevem... ou melhor, não sabem o que escrever.
Apesar do Prof. Macamo ter ideias afinadas e uma capacidade incrível de expô-las, acho que sempre dá para capturar o essencial. Deve ser má fé ou o jornalista deve ser mais um dos "adeptos" do ESM e que na tentativa lançar o Prof. acabou "metendo água". Eu acho melhor responder, para ficar bem clara a mensagem que pretende transmitir.
Dr. te mandei um e-mail recentemente, suspeito que não tenhas recebido. Anexei uma tese de Doutoramento (sobre negócio da fé em Moçambique - Igreja Universal) que cita um dos seus livros. Espero que o autor não esteja a te meter outras "palavras na boca".
Um abraço.
Echimbu
Os jornalistas do Noticias são exímios em inventar assuntos: nisso ninguém lhes tira o lugar: prova disso está em espaços do tipo "recreio e divulgação", "Ciência e saúde" "internacionais" ou "pelo mundo fora", onde pura e simplesmente copiam textos dos outros, na sua maioria de páginas de Internet sem interesse. Os do Diário de Moçambique, já nem falo. A propósito, porque é que tiveram que ir ao blog do Prof. Macamo e tirar exactamente esse texto? Porque não leram toda a série do "fenómeno da bicha" e depois produzir um comentário? As palavras do Prof. Macamo foram tidas como comentário ou notícia? Que trabalho fez o jornalista responsável pela notícia para obter mais esclarecimentos que, eventualmente e a avaliar por aquilo que nos apresentou, esclarecer -se do que não tivesse entendido?
Estava a pensar que todos os jornalistas fossem historiadores.
ESM não precisa de ninguém para "se lançar".
O jornalista queria "provar" ao mundo que lê Macamo. Só isso. E fê-lo de maneira infeliz!
Está a aquecer. vaz, estamos juntos no aspecto de que o jornalista teve a "incapacidade de ler e compreender um texto tão sofisticado quanto ao do Professor Macamo". é o que pretendo dizer com "ou o repórter não entendeu porque fez mal a leitura". mas não pretendo que essa hipótese seja a mais correcta. foi por isso que falei de uma outra hipótese. compreendo que não saber ler constitui um grande constrangimento para muitos de nós, e os jornalistas não são excepção. voltamos para aquela nossa discussão sobre o conhecimento emancipatório e conhecimento escravizante. temos que definir qual é a prática que está em uso no país para permitir-nos entender o que está a acontecer.
milton, a falta de assunto deve ser resultado da preguiça de pensar.
chimbutante, a minha experiência mostra que responder à alguns jornalistas é perca de tempo embora eu de tempo a tempo faça esse exercício.
Estou a ver que temos que criar uma associação de defesa dos direitos dos "bloggers" moçambicanos...
Sim, mas antes uma associação dos bloggers. Apoiado. Mas este não é o caso. Trata-se isso sim dum comportamento condenável. Por incompetência do jornalista. Insisto nisso.
Ilídio, queres avançar com o draft?acho que chegou a altura de nos precavermos de abusos e pressões que podem cheirar a pressão.
Sim, caro bayano. Avanço com o draft.
caros amigos, coloquei a postagem e tive que correr para o comboio. só agora é que tenho acesso ao blogue para ver as vossas reaccoes. escrever comporta estes riscos. chamei a vossa atencao para este caso por uma outra razao: a nossa política só pode ser melhor do que é agora se tivermos uma esfera pública mais racional e interessada no debate de ideias. nao é necessariamente a má interpretacao do que escrevi que me incomoda. incomoda-me o facto de o jornal ter perdido a oportunidade de convidar a uma reflexao sobre os assuntos levantados no comentário. podia ter pedido pessoas para comentarem, por exemplo. a política é tao boa quanto a nossa esfera pública.
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