terça-feira, julho 10, 2007

O direito à razão VI

"Conceituado" e "controverso"

O Patrício Langa acaba de me enviar uma notícia publicada no Diário de Notícias de hoje contendo excertos de uma postagem deste blogue. O título é “Governo de Guebuza é incompetente” e essa afirmação é-me atribuída. O artigo começa assim: O conceituado e mais controverso sociólogo da praça, Elísio Macamo, acaba de publicar mais uma das suas críticas sobre o pulsar do país e conclui que o Governo do Presidente Armando Guebuza é incompetente. Com a devida vénia trasncrevemos em partes a sua visão sobre a actuação do actual executivo moçambicano”.

Acho isto horrível, desonesto e pouco sério. Leiam, por favor, a postagem original aqui. É do dia 29 de Maio! Recente... !? O artigo não diz em parte nenhuma que o Governo é incompetente. O artigo diz apenas que certas actuações do Governo parecem estar apostadas em dar razão aos que dizem que ele é incompetente. Parecem-me coisas diferentes. Quando tiver razões para dizer que o Governo é incompetente di-lo-ei. Que há membros do Governo com uma actuação de abanar a cabeça, lá isso há. Mas não é o Governo. A nossa esfera pública precisa de maior discernimento para poder enfrentar os problemas que temos. Jornalismo desta natureza não ajuda.

O que significa “conceituado”, “controverso” e “com a devida vénia”? Parece-me mais um atentado ao nosso direito à razão. Estamos mal. Muito mal.

13 comentários:

Egidio Vaz disse...

Não estou a conseguir escrever....quase morro de gargalhadas.
Prof. um dia disse-lhe que há jornalistas (e porque não intelectuais normais) que lêm o português em sua própria língua materna.

Bayano Valy disse...

Ri-me de tristeza. tristeza pela forma descontextualizada como foi citado. já tínhamos falado da amputação dos textos originais. estou a pensar em duas hipótese: ou o repórter não entendeu porque fez mal a leitura, ou agiu de má fé, utilizando muito mal as passagens que consubstanciavam o seu pensamento.
diz-se que em 20 minutos destroi-se a reputação de um indivíduo. e os resultados estão à vista. mesmo se responder o que vai ficar é o que foi escrito primeiro. vou escrever um post sobre os perigos do jornalimso

Egidio Vaz disse...

Não se trata de de má fé muito menos de citação fora do contexto.
Trata-se isso sim da incpacidade de ler e compreender um texto tão sofisticado quanto ao do Professor Macamo. E eu insisti sempre nisso. Muita gente sabe que sabe ler, mas quando chega o momento de dizer o que leu, aí vem o desastre.
Um teste poderia ajudar-nos a compreender o que digo:
Se perguntarmos qual é ideia central expressa no texto do Prof Macamo, aposto que não conseguirá. Mesmo vc Bayano, veja como Mabunda não conseguiu compreender nem mesmo a ideia central que defendia no texto que escreveu acerca de Dama do Bling!
Temos isso sim, um problema grave: jornalistas.

Milton Machel disse...

posso inventar uma outra hipótese para o caso? Aí vai: falta de assunto.
E falta de assunto, em jornalismo, é resultante de quê, no fundo?

Prof. perdoe-lhes, eles não sabem o que escrevem... ou melhor, não sabem o que escrever.

Eugénio Chimbutane disse...

Apesar do Prof. Macamo ter ideias afinadas e uma capacidade incrível de expô-las, acho que sempre dá para capturar o essencial. Deve ser má fé ou o jornalista deve ser mais um dos "adeptos" do ESM e que na tentativa lançar o Prof. acabou "metendo água". Eu acho melhor responder, para ficar bem clara a mensagem que pretende transmitir.

Dr. te mandei um e-mail recentemente, suspeito que não tenhas recebido. Anexei uma tese de Doutoramento (sobre negócio da fé em Moçambique - Igreja Universal) que cita um dos seus livros. Espero que o autor não esteja a te meter outras "palavras na boca".

Um abraço.

Echimbu

Egidio Vaz disse...

Os jornalistas do Noticias são exímios em inventar assuntos: nisso ninguém lhes tira o lugar: prova disso está em espaços do tipo "recreio e divulgação", "Ciência e saúde" "internacionais" ou "pelo mundo fora", onde pura e simplesmente copiam textos dos outros, na sua maioria de páginas de Internet sem interesse. Os do Diário de Moçambique, já nem falo. A propósito, porque é que tiveram que ir ao blog do Prof. Macamo e tirar exactamente esse texto? Porque não leram toda a série do "fenómeno da bicha" e depois produzir um comentário? As palavras do Prof. Macamo foram tidas como comentário ou notícia? Que trabalho fez o jornalista responsável pela notícia para obter mais esclarecimentos que, eventualmente e a avaliar por aquilo que nos apresentou, esclarecer -se do que não tivesse entendido?
Estava a pensar que todos os jornalistas fossem historiadores.

Egidio Vaz disse...

ESM não precisa de ninguém para "se lançar".
O jornalista queria "provar" ao mundo que lê Macamo. Só isso. E fê-lo de maneira infeliz!

Bayano Valy disse...

Está a aquecer. vaz, estamos juntos no aspecto de que o jornalista teve a "incapacidade de ler e compreender um texto tão sofisticado quanto ao do Professor Macamo". é o que pretendo dizer com "ou o repórter não entendeu porque fez mal a leitura". mas não pretendo que essa hipótese seja a mais correcta. foi por isso que falei de uma outra hipótese. compreendo que não saber ler constitui um grande constrangimento para muitos de nós, e os jornalistas não são excepção. voltamos para aquela nossa discussão sobre o conhecimento emancipatório e conhecimento escravizante. temos que definir qual é a prática que está em uso no país para permitir-nos entender o que está a acontecer.
milton, a falta de assunto deve ser resultado da preguiça de pensar.
chimbutante, a minha experiência mostra que responder à alguns jornalistas é perca de tempo embora eu de tempo a tempo faça esse exercício.

ilídio macia disse...

Estou a ver que temos que criar uma associação de defesa dos direitos dos "bloggers" moçambicanos...

Egidio Vaz disse...

Sim, mas antes uma associação dos bloggers. Apoiado. Mas este não é o caso. Trata-se isso sim dum comportamento condenável. Por incompetência do jornalista. Insisto nisso.

Bayano Valy disse...

Ilídio, queres avançar com o draft?acho que chegou a altura de nos precavermos de abusos e pressões que podem cheirar a pressão.

ilídio macia disse...

Sim, caro bayano. Avanço com o draft.

Elísio Macamo disse...

caros amigos, coloquei a postagem e tive que correr para o comboio. só agora é que tenho acesso ao blogue para ver as vossas reaccoes. escrever comporta estes riscos. chamei a vossa atencao para este caso por uma outra razao: a nossa política só pode ser melhor do que é agora se tivermos uma esfera pública mais racional e interessada no debate de ideias. nao é necessariamente a má interpretacao do que escrevi que me incomoda. incomoda-me o facto de o jornal ter perdido a oportunidade de convidar a uma reflexao sobre os assuntos levantados no comentário. podia ter pedido pessoas para comentarem, por exemplo. a política é tao boa quanto a nossa esfera pública.