Acabo de postar um comentário anónimo no texto sobre a entrevista da Primeira-Ministra. É interessante e gostaria que continuássemos a falar sobre este assunto. A Primeira-Ministra disse coisas importantes. Vale à pena prosseguirmos com o debate. Leiam a postagem aqui.
quarta-feira, junho 13, 2007
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8 comentários:
Caros leitores,
Pretendo com esta postagem tecer dois comentários em relação as intervenções da Iolanda Aguiar e do “amigo anónimo” do Prof. Macamo.
Começarei, no entanto, por convidar o notório filósofo e sociólogo Jurgen Habermas para nos dar um “cheirinho” sobre um aspecto interessante que se apresenta na sua teoria da comunicação. Trata-se, nomeadamente, do conceito do “agir comunicativo”, que representa as acções orientadas para o entendimento mútuo entre os indivíduos em sociedade. Aqui, a comunicação pela via do discurso destina-se a fundamentar as pretensões de validade das afirmações e das normas nas quais se baseia a interacção social. Este discurso pode apresentar a característica intersubjectiva, que remete para a relação dialogal, tal seria o grosso exemplo do diálogo que estou a estabelecer convosco, e a característica lógico-argumentativa, que conduz a uma discussão com vista a fundamentação de aspectos problematizáveis numa possível comunicação. É a este nível que eu pretendo dialogar com Iolonda. Em primeiro lugar, devo confessar que não consegui entender o sentido da sua mensagem. Assim, para esclarecer as minhas incompreensões formulo as seguintes perguntas: 1) o que é que começava a ser desmotivante para quem estivesse indeciso em abraçar as ciências sociais como profissão? Agradecia que elaborasse uma argumentação para defender a sua posição; 2) o que pretende dizer quando afirma que “… parece-me que as ciências sociais podem ser muito mais interessantes do que simples críticas a montante, imbuídas de certezas”? 3) Como pretende a criação de uma “massa crítica moçambicana” sem que se aprenda com exemplos concretos como se faz uma crítica construtiva? Concordo que o actual estágio da construção do nosso Estado-Nação se caracteriza por um processo de aprendizagem, mas será que as intervenções críticas comprometem essa aprendizagem? De que maneira? Qual é o alcance da metáfora que usa quando se refere as palavras como andaime do Estado-Nação? O que quer dizer com “gerir o desconhecido”? O que pretende dizer quando diz reconhecer que as palavras são “armas incontestáveis” dos cientistas sociais? Enfim, não entendo a ironia com que termina o seu comentário. Digo isso por que o Prof. Macamo tem se fartado de dizer que está aberto a contestações. Aliás, em postagem passadas, neste mesmo blog, eu, apesar de seu aluno, interpelei-o nalguns aspectos que não me tinham parecido bem em determinados posicionamentos dele. Esse debate mostra que ele não só sabe criticar como sabe também aceitar críticas.
Falando em críticas, entro já para o repto ao “amigo anónimo” do Prof. Macamo (já agora, devo dizer que não gosto da ideia do anonimato. Acho bem que as discussões de ideias sejam feitas com rosto aberto para que nos chamemos pelos nomes). Quando nos seus tempos os gregos falaram de “crinein”, termo que está na origem do conceito de crítica, pretenderam designar o processo de separação, de julgamento, de avaliação. Esta avaliação pode ser tanto positiva como negativa desde que a pessoa que a faz tenha argumentos plausíveis para sustentar as suas posições. Eu concordo com a ideia de que a elaboração da primeira-ministra é qualitativamente interessante e que terá falado com conhecimento de causa, a julgar pelo que se pode depreender da sua argumentação. Como dizia um pensador francês, cujo nome não me ocorre agora, “o primeiro passo que um escravo deve dar para a sua liberdade é ter a consciência da sua situação”. A consciência, publicamente expressa pela nossa governante, de que o nosso país não é pobre mas sim empobrecido constitui, para mim, um grande passo. Grande por que eu acredito que posicionamentos desta natureza vindo de uma alta dirigente pode significar vontade política no sentido de tratar as coisas como deve ser. Ou seja, pode significar o reconhecimento da necessidade de deixarmos chorar e de nos lamentarmos, seja lá do que for que tenha causado o nosso empobrecimento, para começarmos a lutar no sentido da mudança dessa situação, já que ela não nos é naturalmente determinada, mas socialmente condicionada. Para mim, não interessa se isso é publicamente reconhecido tantos ou quantos anos depois da independência, pois o que importa mesmo é que tal reconhecimento seja levado a sério, isto é, haja vontade política para lutar contra o empobrecimento e não a proliferação de slogans contra a pobreza. Neste ponto, devo enfatizar que, na linha de Macamo, efectivamente, a exploração das potencialidades do país devem passar, necessariamente, pela criação de condições estruturais e institucionais para que os moçambicanos consigam resolver os seus problemas. Noutros termos, parafraseando o adágio chinês, já não é sem tempo de serem criadas condições para que nós, moçambicanos, possamos aprender a pescar o nosso próprio “bem-estar”.
Aquele abraço,
Nipas.
nipas, obrigado pelo comentário. espero que possamos continuar (ou começar agora a discutir o que a PM disse). escrevo apenas para defender o "anónimo". na verdade, escreveu para mim a comentar o meu artigo em privado. mas como acho que se trata de ideias extremamente interessantes para aprofundarmos o que a PM disse, pedi-lhe para colocar partes da mensagem que me mandou aqui no blogue. também não gosto do anonimato, mas a ideia foi minha para que beneficiássemos do seu raciocínio. eu gostaria que o que a PM disse fosse amplamente discutido. é um grande passo.
levantas questões pertinentes, iolanda, mas a mim interessa uma discussão do que disse a primeira ministra. foi por isso que apesar de ter reticências em relação ao anonimato publiquei os comentários. não gostaria de fazer uma discussão sobre esse tema, pelo menos por enquanto. interessa-me apenas o que disse a primeira ministra.
eis, então, questões que os que dominam o contexto podem responder. espero que alguém responda. espero que o meu amigo anónimo também o faça.
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