sexta-feira, abril 11, 2008

O celular (5)

Evangelização

A melhor expressão que me ocorre para reflectir sobre a grande necessidade de comunicação que o celular introduziu na nossa vida e na estrutura das nossas relações é a evangelização. Há um forte elemento disso na cultura do celular no nosso país. Esse artefacto compele-nos a partilhar a boa nova. E o problema dessa boa nova é que não é nada do pelouro da nossa vida e seu quotidiano, mas sim algo que simplesmente documenta a posse do celular. Nas horas mortas, naquelas horas em que não sabemos o que fazer da nossa vida, não temos inspiração para continuarmos a escrever (por exemplo, continuar a escrever a série sobre o celular...) pegamos no celular e mandamos uma mensagem; quando nem mesmo inspiração temos para algo mais original do que “viste o blogue do Elísio Macamo hoje?” vasculhamos o arquivo de mensagens padronizadas e lá estamos nós a enviar mensagens sobre o valor da amizade e não sei que mais.

Comunicar é a palavra de ordem. Nisto o celular é sintomático de algo ainda mais profundo e que encontra expressão na nossa condição de consumidores de coisas produzidas por outros. Apesar de todo o respeito devido ao “Made in Mozambique” devemos, infelizmente, reconhecer que nós consumimos, não produzimos. Se calhar devia ser “Consumido in Mozambique”. Mas o consumo entre nós vai para além da simples satisfação da necessidade para a qual o produto é a resposta. O consumo é uma forma de celebração da criatividade de outros. Maravilhamo-nos com a produtividade dos outros e transformamos as nossas necessidades em artefactos dessa maravilha. Reparem, por exemplo, na música jovem actual. Muitos têm se esforçado em perceber o seu significado, incluindo Carlos Serra, para cujos textos interessantes sobre o que ele chama de Ziqoismo, e recentemente publicados no seu blogue, chamo a vossa atenção. O que é intrigante, porém, nessa música jovem é a sua natureza lacónica. Não é nem sequer a temática sexual que essa é previsível, mas sim a forma bruta e agreste como ela é apresentada.

Antes de aprofundar esta questão vou abrir um parêntesis para fazer um comentário geral sobre a composição “doggy style” que tem estado no centro de muita controvérsia. A posição sugere naturalmente a ideia de submissão e humilhação da mulher. Vemos nesse desiderato a projecção de formas estrangeiras de prática da relação sexual que, por serem estrangeiras e pertencerem a um universo cultural que coloca o nosso mais abaixo, são, na realidade, uma maneira de nos dizer que a cultura homogeneizante vinda de fora quer a moçambicanidade em “doggy style”. Esquecemos, porém, que à chegada dos portugueses, pelo menos no sul do país, a “posição missionária” não era padrão. A posição padrão entre nós era um “doggy style” lateral muito bem preservado na expressão changana que diz “levanta a perna” (e não, abra... desculpem-me ter de ser assim tão explícito). Os que falam changana podem prestar atenção à composição de Daimawanuna axinathsemba” (não confie nos homens) quando ele canta o seguinte, no refrão: “umuhlampswela mpahla, a basa/umusvekela xikafu, a minta/uthlakuxa nenge, a b’usa... (o estilo é de difícil tradução: lavas-lhe a roupa e ele fica limpo/fazes-lhe comida e ele traga tudo/levantas-lhe a perna e ele festeja...”. Ainda está por escrever a história de muitas mulheres maltratadas pelos seus maridos ou amantes no século XVIII e XIX. Vários relatos de missionários e de colonos dão conta do facto de que mulheres que se colocassem na posição missionária eram logo suspeitas de terem dormido com brancos...

O consumo do que outros produzem torna supérfluas as nossas necessidades. Regalamo-nos com as potencialidades técnicas do artefacto externo. O processo de composição da música jovem começa na exploração das potencialidades técnicas às quais muito posteriormente se adiciona a letra quase num gesto instintivo porque menos relevante e importante. Pensem numa das composições que está a fazer muita gente transpirar nas discotecas de Maputo: “é só fazer kathla!”. Só isso. Mais nada. Nem sei se quer dizer alguma coisa. É bem provável que nem importe, pois o importante é fazer o tal “kathla”. É isto que o celular traz à superfície, nomeadamente a necessidade de comunicar não para comunicar, mas sim para utilizar o celular. Portanto, o lacónico explica-se pela atenção que dispensamos ao artefacto em si. O essencial, isto é a comunicação (mesmo na música), fica em segundo plano.

É daí onde, de repente, o ano ganha importância. As efémerides passam a ser momentos muito importantes que ninguém pode esquecer, pois esquecer significa perder uma oportunidade de mandar mensagem. O 3 de Fevereiro, o 14 de Fevereiro, o 8 de Março, o 7 de Abril, o 1 de Junho, o 16 de Junho, o 25 de Junho, o 24 de Julho, o 7 de Setembro, o 25 de Setembro, o 4 de Outubro, o 20 de Outubro, e, naturalmente, O idi, a Páscoa, o Natal e o Fim do Ano. Até se inventaram fins de semana longos para permitir que as pessoas tenham mais tempo de compor mensagens (estou a exagera)! O ano, que entre nós marcava presença pela monotonia da sucessão entre a época seca e a época chuvosa, deixou de nos ser indiferente. Podemos agora marcar a progressão do tempo com as mensagens (repetidas) que caiem nos nossos celulares. E reparem: o objectivo dessas mensagens não é de nos desejar seja o que for; é, sim, de nos anunciar a efeméride, portanto, de nos dizer algo que já sabemos. Ou por outra, não se trata de comunicação. Trata-se da celebração do artefacto.

A ideia é simples: usamos o celular para usarmos o celular. Somos vítimas incautas do narcissismo do próprio artefacto, pois nós não somos nós.

11 comentários:

Patricio Langa disse...

E.M. Isto está mesmo a anaimar.
Permita-me duas notas.

1) “Comunicar é a palavra de ordem. Nisto o celular é sintomático de algo ainda mais profundo e que encontra expressão na nossa condição de consumidores de coisas produzidas por outros”. “Apesar de todo o respeito devido ao “Made in Mozambique” devemos, infelizmente, reconhecer que nós consumimos, não produzimos” (E.M).

O Filimone Meigos disse-me que estaria em Maputo, a 17 de Abril, o controverso autor de um livro intitulado “Capitalist Nigger”, o Nigeriano Chika Onyeni, radicado nos EUA! A principal tese de Chika ao diágnosticar, os problemas da “raça negra”, é de que essa raça nunca passou de consumidora para produtora seja lá do que for. Como se não bastasse nunca consome produtos vendidos (mesmo que não sejam produzidos pelos seus homologos) por seus similares. Falta-lhes a estrategia do que ele designa de doutrina da teia de aranha. Segundo Chika, os Indianos colonizam e criam nichos de negócio usando essa estratégia da teia de aranha. O exemplo que fornce é dos taxistas de Nova York. Um negócio que foi tomado pelos Indianos. Cada dolar que cai na rede da teia indiana não sai. (Maputo é um bom exemplo disso). Lá onde a raça negra produz alguma coisa (parace contraditório) - cultura e desporto – quem controla o dinheiro não são eles (os negros). Dá exemplo da Liga Amerinaca de Basket (NBA) ou da industria músical. Quem mais rende nesses negócios são todos menos os negros. Os maiores consumidores de eletrodomesticos de origem Asiatica (Niponica em particular) nos EUA são os Afro-americanos. Quem mais morre das armas produzidas, nunca por Negros nos EUA, são os negros. Enfim, o livro de Chika têm lá os seus “d-efeitos”, a começar pelos limites da própria categoria de “raça”. Esta passagem da postagem de hoje recordou-me Chika! Esta aí um livro que vale a pena ler.

2) Essa do posíção missionária foi “boa”!
Revela, mais uma vez o perigo da racionalização dos fenómenos. Conhecem a música do Zé Guimarães ( a Vafana va wetele, va zdi kuma ni yethele...?) E as do Zeburane (Eusébio Tamele, de Xai-Xai) então... eh, eh , eh! Como disse num dos meus comentários algures, é mais fácil racionalizar o que se chamou de “Zicoismo” do que tentar compreender o que se está manifestar!As analises rápidas fazem o mesmo que o celular nos impele a fazer, ingorar o príncipio essencial da análise. Analisamos por analisar, para dizer que analisamos. Nesse exercício de racionalização perdemos cada vez mais de vista qualquer possibilidade de (nos) entender (mos), comprender(mo-nos); conhecer(mo-nos).

Elísio Macamo disse...

oi patrício, de facto a minha referência imediata para esta ideia de consumo é o livro de que falas. li-o recentemente porque os que estavam a organizar esse evento (que já nao vai ter lugar por falta de patrocínios) perguntaram-me se estaria interessado em o comentar. considero o livro extremamente péssimo, embora seja útil lê-lo. ao dizer que nós só consumimos estava mais interessado a destacar a forma como o nosso comportamento pode ser determinado pelo que os produtos por outros manufacturados nos impelem a fazer. a este nível aqui situa-se a reflexao que me parece necessária e que tu no teu segundo comentário à postagem anterior muito bem apontaste. que desafios é que esta dependência nos coloca? como é que esta dependência limita os nossos horizontes? nao é, evidentemente, um problema racial; é estrutural que tem a ver com toda uma história de reconhecimento de espacos de accao.
sobre ziqo tens razao. acho importante convidar os nossos historiadores a investigarem estas coisas. nesta história em particular acho interessante como as coisas podem mudar tao rapidamente. é o mesmo com a nudez, decência, etc. há gente que jura de pés juntos que andar vestido até a ponta dos cabelos faz parte da verdadeira tradicao africana. essas coisas merecem estudo.

jpt disse...

Saúdo o "extremamente péssimo" para o capitalist nigger, livro fast food.
muito saúdo esta abordagem à história da sexualidade - há anos procurei ultimar um texto sobre a colonização a partir das práticas sexuais, em particular através da prática do coito anal heterossexual, que muitas vezes ouvi associado aos portugueses. Andei em busca de textos sobre o assunto. Um silêncio total - a sexualidade em Moçambique é estudada através de questões de saúde materno-infantil, prostituição, sida e alguns afins. É um higienismo total. Anquilosado. Talvez estes posts possam fazer interessar quem pergunta o real - e, já agora, fale as línguas nacionais

Num outro ponto - a mim membros da elite intelectual ronga (no sentido geográfico) contaram-me da sua versaõ da introdução do cunnilingus aqui: via cooperantes cubanos. Confesso que uma longa e interessantissima sessão de conversa não me chega para produzir um texto de retórica científica, mas tanto isto significaria para o estudo das relações sociais...

Dal Guila disse...

É URGENTE que repassemos para que todos estejamos cientes do que se esta a passar...Recebi isto no meu e-mail. Tomei a liberdade de posta-lo aqui por dois motivos:

1. Não tenho o email (contacto) do Azagaia para confirmá-lo.
2. Estou convencido que o Elísio, não por parecer um grande fã dele (que nem é um mau gosto), mas por se afirmar um verdadeiro meteorologista social, nos ha-de, certamente, dar uma novidade em torno do assunto dentro em breve.

CONFIREM:


"Caros amigos e admiradores! Uma equipa da Procuradoria Geral da República foi a minha faculdade pedir o meu endereço/contacto, ainda não sei do que se trata mas provavelmente seja pelo conteudo das minhas músicas. Aguardem novidades.Conto connvosco! Azagaia"

PS. Perdoem o descontexto!

Ivone disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ivone disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ivone disse...

É a primeira vez que escrevo neste blogue. Foi a Isabel Casimiro que me falou do Elísio Macamo, e gostei.
Adiante. Vivo há muitos anos longe de Moçambique e por isso talvez esteja 'fora do assunto'. Por outro lado, estando fora vemos as coisas numa outra perspectiva. Concordo em linhas gerais com o que diz.
Consumir sem ser critíco é um perigo, porque pode destruír a nossa identidade cultural.
Parece-me que o consumismo é um fruto da economia de mercado. Os produtos da China também são consumidos noutras partes do mundo. Produz-se para se consumir. Vivemos em sociedades de consumo. A cultura e a educação são esquecidos como se toda a gente ambicionasse ter uma casa, um 4X4, um celular último modelo etc. O sonho americano!
Nas sociedades industrializadas produz-se mais porque há infraestruturas, máquinas e porque o capital gera capital.
O que quero dizer com isto, é que Moçambique aderiu à economia de mercado, sem estar preparado para isso, sem ter infraestruturas de produção. Por isso gera um produto feito à pressa 'tipo americanizado'(zigostas?).
Em 1975 ou 1976 eu andava no Liceu Francisco Manyanga, e lembro-me que fizemos uma peça de teatro que contestava os valores importados na época colonial. O que se pretendia, era saber o que é que esses valores tinham a ver com a identidade e tradições Moçambicanas. Entre outros, participou nessa peça o João Manja, hoje actor.
Comunicar sim, mas sem perder identidade e valores. Comunicar e consumir sem deixar de estar inserido no meio, sem esquecer que há tradições a preservar.
O que eu considero 'especial' em Moçambique pode-se perder. Sejam genuínos, originais, sejam voçês próprios. Há qualquer coisa em Moçambique que não encontramos noutras partes do mundo. É isso que me faz querer visitar, voltar a Moçambique.

Elísio Macamo disse...

cara ivone, obrigado por passar por aqui e deixar registada a sua opiniao. muitos beijinhos à isabel. concordo consigo que estamos perante um grande desafio. como fazermos parte do mundo sem necessariamente deixarmos de ser nós mesmos e sem, também, ficarmos presos a uma identidade inflexível? é difícil. ao olhar para o celular estou à procura de uma maneira de colocar essa questao de forma cada vez mais clara. ainda nao consegui!
caro jpt, estamos de acordo quanto ao livro. estamos também de acordo quanto à necessidade de estudarmos estas questoes da sexualidade de forma mais ousada. dei com essas informacoes por acaso quando lia coisas antigas à procura de dados sobre formas de administracao colonial. infelizmente, aqui só posso indicar os assuntos e sugerir formas de abordagem, mas o trabalho sério cabe a outros. penso que a língua é importante. noto um fosso muito grande entre o nosso vocabulário sexual e as práticas dominantes. como se explica isso? eis um desafio!
caro dal guila, essa notícia nao é boa. pessoalmente, nao sou fa de azagaia e como verá numa postagem desta série, considero uma composicao em particular de muito mau gosto e irresponsável. penso, contudo, que é sua prerrogativa como artista e o que os estado deve fazer é proteger quem deve ser protegido da má influência que essa música pode representar sem, contudo, privar quem goste de se deleitar. o assunto, na verdade, é muito complicado e nao pode ser comentado assim tao rapidamente. solidarizo-me com a sua liberdade artística e faco votos de que tudo seja um equívoco.

Anónimo disse...

Caro Prof, desculpe-me interpela-lo nao entrando no debate propriamente dito. Apenas detenho-me no seu parentesis, a proposito da musica do cantor Ziqo, o auto-intitulado Zico da Silva Maboazuda (o que isto quer dizer, isto de se atribuir titulos?). Primeiro: fui eu quem incitou o prof. Carlos Serra a lancar um debate ao tema de Ziqo "Na ku djula hi Doggystyle" (Quero-te ao estilo/moda do cao), dada a apetencia do prof. Carlos Serra de "fenomenolizar" estas coisas (como veio a acontecer ao atribuir-lhe qualidades e efeitos e depois apelida-lo de Zicoismo), e pelo antecedente interessante po ele criado ao fazer o ue chamou de "Desmaboazudando maboazuda". Infelizmente o debate la (se o foi) cingiu-se 1) a apelos a censura e ao banimento do musico vs defesa do musico 2) ao Gregos e Troianos quanto ao video de uma cena sexual forte do mesmo que acabou por virtude (ou defeito?) do CELULAR (e dos seus usos por nos: E' so' fazer Kathla e so' Foto...). Nao tenho tanto background em relacao a historiografia da musica mocambicana, mas quer-me parecer que esta (tal qual o Patricio Langa) a desqualificar artistas como Zeburane e Alexandre Langa (por sinal vossos conterraneos!) ao comparar determinado conteudo erotico ou apelativo ou evocativo do sexo ou das posicoes em que o mesmo se pratica(va) com o que este Ziqo diz. Ziqo ja celebrou-se e celebrizou-se antes ao cantar em Maboazuda, "negra, mulata vai/ europeia, chinesa apanha/filipina, monhe da-lhe/ate alibina..., (dizem os SMS do nosso CELULAR que Ziqo foi o APOSTOLO DA SUA DESGRACA, ao profetizar PHELA MINA NTA DLAWA HI MABOAZUDA, tendo em conta o seu episodio sexual gostoso e filmado e que deu origem a um processo que nao tem pernas para andar, bem como a perda de um contrato que se fala valia-lhe 25 mil dolares anuais da mesma mCel do NOSSO CELULAR, essa empresa cuja estrategia de marketing faz apologia ao SHOW-OFF). Este mesmo Ziqo, prof, diz nesta sua musica "Na ku djula hi doggystyle", xitilo xa bobi: PODE no mato, PODE no carro/PODE no escritorio... e la continua mais este seu "HIT" A BATER nas radios, festas, programas de te-ve, casamentos (pasme-se!)...prof, sera isto comparavel a o que Zeburane e Alexandre Langa cantaram sobre sexo? Merecera' isto realmente complacencia intelectual? Sera' Azagaia mais perigoso ("MENACE TO SOCIETY") do que Ziqo?
prof, nao sou um moralista tipo Kandiyane Wa Matuva Kandiya, qual defensor dos valores mais africanistas e indigenas perante o LEVIATAO da globalizacao ocidentalizante...ate' porque tenho apenas 29 anos e sou dessa geracao que curtiu a brava e cantou "i give props to Hip", ao ritmo do HIP HOP HOORAY e consumiu musicas de cantores americanos quais Dr. Dre e Snoop Doggy Dogg (o pai do Doggy Style) cheias de expressoes portentas de CONTEUDO EXPLICITO tipo "she is a bitch", "motherfucker","pussy", "suck my dick", "shake that ass", "G's (gangsters) up, hoes down"...num dicionario calonico proprio de orgias...mas sinceramente, Ziqo (que repete apenas nas nossas linguas e ao ritmo do pandza/dzukuta) nao merece estar no "mesmo palco" que o pai do finado e talentoso Gustavo Tamele (nao e' seu correligionario, prof?) e de Aniano Tamele...a nao ser que o prof possa tirar "DE LETRA" aqui verso a verso, de Zeburane e Alexandre Langa, tais ocorrencias ou mencoes ao sexo dessa forma zicoista de dizer PODE quando esta a dizer com o F no lugar de P... Desculpe-me nao ter debatido sobre o CELULAR e me detido no seu parentesis...aquele abraco, prof,

Jonathan McCharty disse...

Caro Elisio!
A sua referencia a musica “é só fazer kathla!”, fez o meu dia, hehe! Julgo que ela e' a expressao mais clarividente do ponto a que chegamos, como sociedade!!

Elísio Macamo disse...

caro jonathan mccharty, fico contente por saber que fiz o seu dia. na realidade, os hábitos do nosso país é que fizeram o seu dia. volte sempre!
caro milton machel, acho que há um equívoco no seu comentário. percebi que achou que eu estivesse a comparar ziqo e outros músicos e considera isso incorrecto. o meu ponto de partida foram os textos interessantes de carlos serra no seu blogue. abri, a partir daí, um parêntesis para manifestar o desejo de que aprofundemos estas questoes com recuos à nossa história. nao estava, portanto, a dizer que ziqo nos revela essa história, estava, isso sim, a dizer que ele (talvez mesmo sem se aperceber) está a levantar questoes de interesse intelectual. só isso. pessoalmente, danco ao ritmo das suas músicas que é bom. aprecio também a batida e a capacidade lírica de azagaia. tenho problemas com o conteúdo de ambos e acho que cada um de nós deve decidir como se relacionar com essa música. em nenhum dos casos estaria a favor de uma censura oficial, embora considere certos conteúdos (em ambos) extremamente ofensivos ao meu entendimento de moral pública. nao vejo perigo em nenhum deles, apenas ofensa. há quem goste e esse, precisamente esse, tem de ser protegido.
o milton machel nao saiu do tema. estamos mesmo a discutir o celular, isto é a relacao entre o indivíduo e o colectivo. as questoes estéticas e de moral que levanta sao peertinentes. obrigado pela sua contribuicao!