segunda-feira, junho 02, 2008

Arroz por outros meios

Se...


Continuo totalmente fixado neste assunto do arroz. Acabo de ler a reportagem sobre a derrota dos "Mamba" na Costa do Marfim num artigo publicado no Notícias de hoje (ler aqui). Achei uma frase particulamente interessante. Transcrevo-o a seguir:


Era, pois, uma saborosíssima oportunidade desperdiçada pela Selecção Nacional para se adiantar no marcador, diante da sua congénere da Costa do Marfim, decorridos 28 minutos. É que, caso o golo tivesse acontecido, seguramente que a história da contenda teria sido outra e os "Elefantes" não teriam ganho, tal como acabou acontecendo, por uma bola sem resposta, tento apontado por Sekou, aos 75 minutos deste desafio referente à primeira jornada do Grupo VII da Fase de Apuramento para CAN e Mundial de 2010.


Repito a frase, caso não vos tenha despertado atenção: "É que, caso o golo tivesse acontecido, seguramente que a história da contenda teria sido outra e os 'Elefantes' não teriam ganho, tal como acabou acontecendo, por uma bola sem resposta...". Devo confessar que é um bocado difícil ler esta frase. Parecem palavras de um curandeiro. A referência é a uma grande penalidade que um jogador moçambicano não marcou. Até aqui tudo bem. Quando diz que a história do jogo teria sido outra, caso essa grande penalidade tivesse sido convertida, também podemos concordar. Um golo sempre muda as coisas se mais não fosse porque os "Mamba" não iam terminar o jogo sem um golo marcado. Mas quando o jornalista ainda escreve que com esse golo marcado os "Mamba" não teriam perdido o jogo – ou que os "Elefantes" não teriam ganho – a coisa muda de feição. Como sabe ele? Em todos os meus anos de paixão pelo futebol aprendi que a bola é redonda, o campo é rectangular e o jogo dura 90 minutos. Sempre percebi isso como querendo dizer que o resultado está sempre em aberto até ao fim. Porque é que os "Elefantes" não iam ganhar depois de estarem em desvantagem?


Este é o problema do aumento da produção do arroz ao dobro. Não há nenhuma contingência na reflexão dos planificadores. Basta decretar o aumento, aumento haverá, fome será fragilizada em África. Felizmente, o jornalista desportivo é mais esperto do que os planificadores. Ele contextualiza melhor o seu vacticínio com uma frase que é simplesmente desarmante. Ele escreve: "... os 'Elefantes' não teriam ganho, tal como acabou acontecendo, por uma bola sem resposta...". Sim, tem razão, porque não pensei nisso antes? Teriam ganho, talvez, por 2-1, ou 3-1, ou 4-1... Agora fiquei com ânsia de ler o texto completo do Plano de Acção de Yokohama para ver se não há uma frase fininha assim escondida por aí. Deve haver.


1 comentário:

Nkhululeko disse...

certo. ;)