"Diplomatas nacionais arrasam `auto-estima´ moçambicana
2007/01/31
A auto-estima moçambicana está a ser ofendida em Nova York pelos diplomatas nacionais que para lá são mandados representar o país na ONU.
Estacionam em lugares proibidos, são multados e depois não pagam.
Moçambique é o 6.º país representado nas Nações Unidas com maior proporção de infracções praticadas. E os pesquisadores, como refere a revista brasileira VEJA, até sugerem que a quantidade de multas de estacionamento em lugar proibido recebidas por diplomatas estrangeiros que servem na ONU, em Nova York, é um reflexo directo do grau de permissividade ética do país representado.
`Quanto mais multas mais corrupto o país (em infracções de transito por diplomata que não tenham sido pagas)´, escreve a publicação do Brasil. À frente de Moçambique nessa lista de abusos só há cinco países: o Kuwait – o pior de todos – seguido do Egipto, Chade, Sudão e Bulgária.
A revista Veja, num artigo de Diogo Schelp titulado «O teste do estacionamento», escreve que “os abusos cometidos por diplomatas em Nova York mostram bem como a corrupção faz parte da cultura de certos países”. O Brasil está em 29º lugar de uma lista de 146 países.
O autor da peça, publicada num espaço dedicado à Ética, informa que `há uma antiga discussão muito presente no Brasil de hoje, sobre as raízes da enorme corrupção existente em determinados países. Basicamente trata-se de escolher entre duas possibilidades para explicar a desonestidade dos homens públicos e de seus apaniguados´.
`Na primeira hipótese, a tendência para um comportamento pouco ético decorria de factores culturais dominantes em determinada sociedade´ e `na segunda, seria a decorrência natural de falta de instrumentos legais adequados para punir a corrupção e o desrespeito pela lei´.
No entanto, `um estudo feito por dois economistas americanos – Raymond Fisman, da Universidade de Colúmbia, em Nova York, e Edward Miguel, da universidade da Califórnia – indica que a questão cultural tem um peso primordial sobre a conduta ética de uma sociedade´, prossegue Diogo Schelp e acrescenta que `os dados estatísticos para sustentar essa opinião são inesperados mas convincentes: as cento e cinquenta mil multas de estacionamento proibido não pagas por diplomatas estrangeiros na cidade de Nova York entre 1997 e 2002´ somam a módica quantia de `18 milhões de dólares amaricanos´.
`Bastou tabular a nacionalidade dos infractore´, observa a Veja, `para perceber que a maior proporção de multas não pagas era justamente de diplomatas vindos de países notórios pela corrupção e abuso do poder´.
Diz mais adiante o autor da peça que estamos a citar, que `o comportamento abusado no exterior revelou-se um excelente medidor de maus hábitos da elite governante do país´ de origem.
Ao se valer da certeza de impunidade para estacionar em local proibido, o diplomata está cometendo um abuso de poder em proveito próprio, observa a VEJA.
`Na outra ponta da lista´, a dos cumpridores da Lei, a `dos que não tiram proveito da imunidade (diplomática) para estacionar livremente em local proibido ou que pagaram as multas estão sobretudo os países do Primeiro Mundo, como Suécia, Noruega, Inglaterra´, escreve Diogo Schelp.
Mais adiante o mesmo refere que `os pesquisadores concluíram que a diferença de comportamento só pode ter uma explicação cultural, já que todos os diplomatas, independentemente da nacionalidade, desfrutam do mesmo privilégio de não poderem ser processados ou presos´.
Edward Miguel , um dos pesquisadores a que a Veja recorreu, diz que `os diplomatas´ levam `para Nova York o comportamento ético adquirido com as experiências de vida que tiveram em seus respectivos países de origem´.
Para reduzir os abusos dos diplomatas em Nova York já é permitido guinchar os carros com placas diplomáticas para tirá-los de lugares em que o estacionamento é proibido. E ainda deliberou-se que 110% do valor das multas não pagas passaria a ser descontado na ajuda que o país dos diplomatas infractores recebe de ajuda dos Estados Unidos da América..." (fim)
E cá estamos nós de novo. Não são só as perguntas que contam. A interpretação das respostas também. Ao ler esta notícia lembrei-me de uma convicção muito forte que a minha filha de 9 anos tem. Não sei com quem ouviu isto. A verdade é que ela acredita com paixão que há dois tipos de pessoas e que esses tipos são determinados pelo comportamento na retrete. Existem os que amarrotam o papel higiénico (que ela chama de “amarrotadores”) e existem os que dobram o papel higiénico (a estes ela chama de “dobradores”). Para não desestabilizar o mundo limpinho dela não lhe disse que há os que usam água, os que escorregam no chão de areia, os que usam troncos, folhas de árvores e os que não usam absolutamente nada. Mas isso só complicava a história. Segundo ela, o mundo subdivide-se em gente desorganizada e impaciente (os amarrotadores) e organizada e paciente (os dobradores). E isto com base no comportamento no momento das necessidades maiores.
Portanto, Moçambique, Kuwait, Chad, Sudão, Egipto e Bulgária são dos mais corruptos do mundo. A medida disso é o número de multas não pagas em Nova Iorque. Suponho que tenham sido pessoas sérias a fazer estes “estudos”, pessoas que por estarem em universidades de renome já trazem consigo uma carga enorme de autoridade que dispensa qualquer pio da nossa parte. Mesmo supondo que o argumento cultural fosse válido: não interessa saber quem são esses diplomatas, isto é as suas idades, a sua formação, o seu género, a sua posição na embaixada, a sua proximidade ao poder, a sua socialização, etc.? Será que quebrando o estudo por aí não chegaríamos a outros ordenamentos dos dados? Quem sabe, podíamos ter que as multas não pagas foram provocadas por católicos do sexo masculino com formação em direito e que, por regra, cresceram em famílias numerosas. Pode ser, porque não? Se calhar, vistas as coisas a partir desse ângulo tudo mudaria de feição. Já não seria a corrupção ou seja o que fosse, mas sim a religião ou outra coisa qualquer.
Daí que eu insista: previnam-se contra as conclusões dos outros antes de perceberem as razões! Há muitos lobos maus no mundo. E não dormem!
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