Queria apenas recordar que criei este espaço para a troca de ideias sobre a nossa disciplina científica. No início a página beneficiou muito das vossas contribuições, sobretudo da vossa coragem em se exporem à interpelação crítica por pares. Este espaço tem um fim pedagógico que consiste em partilhar ideias, receios, esperanças sobre a contribuição que a sociologia pode dar para uma cada vez melhor compreensão da nossa sociedade. No período imediatamente a seguir à independência deixámos que os nossos sonhos, anseios e preocupações fossem formulados por outros que se consideravam detentores da verdade científica. Hoje, com a forte influência do auxílio ao desenvolvimento, continuamos a deixar que sejam outros a falar por nós. Num e noutro caso abdicámos da nossa faculdade crítica, submetemo-nos quase que voluntariamente ao poder totalitário das boas intenções dos outros.
O conhecimento científico de um modo geral, e as ciências sociais em particular, dão-nos subsídios muito importantes para começarmos a ensaiar a nossa emancipação. Não deixemos que sejam outros a nos dizer o que é bom para nós. Façamos uso dos instrumentos metodológicos, analíticos e teóricos das ciências sociais para nos libertarmos da tutela. Pensar ajuda. Usemos este espaço para explorar novas formas de pensar o nosso país. Aceitemos o desafio que os seus problemas nos colocam. Procuremos pelas perguntas para as quais a nossa sociedade parece já ter encontrado as respostas.
Ninguém se expõe ao ridículo por dizer o que pensa ou por procurar saber mais. Quem pensa que só pode ser sociólogo se tiver respostas para tudo equivoca-se. A sociologia é uma boa desculpa para sermos curiosos e passearmos a nossa ignorância. Ela dá-nos olhos inocentes para descobrirmos o mundo longe de preconceitos e ideias já formadas. Ela convida-nos a apreciarmos o social como algo com profundo valor estético, mesmo se ele se revela injusto, desigual, totalitário e opressor. Só pode transformar o mundo quem o percebe. Ao mesmo tempo, porém, o mundo não vai deixar de se transformar só porque está à espera do cientista social militante. A nossa sociedade transformou-se apesar do colonialismo português; transformou-se apesar do projecto revolucionário da Frelimo; transforma-se apesar do auxílio ao desenvolvimento. E essa transformação é completamente alheia às intenções dos outros, o que pode sugerir problemas na compreensão do social por parte desses transformadores todos.
Este espaço é nosso!
O conhecimento científico de um modo geral, e as ciências sociais em particular, dão-nos subsídios muito importantes para começarmos a ensaiar a nossa emancipação. Não deixemos que sejam outros a nos dizer o que é bom para nós. Façamos uso dos instrumentos metodológicos, analíticos e teóricos das ciências sociais para nos libertarmos da tutela. Pensar ajuda. Usemos este espaço para explorar novas formas de pensar o nosso país. Aceitemos o desafio que os seus problemas nos colocam. Procuremos pelas perguntas para as quais a nossa sociedade parece já ter encontrado as respostas.
Ninguém se expõe ao ridículo por dizer o que pensa ou por procurar saber mais. Quem pensa que só pode ser sociólogo se tiver respostas para tudo equivoca-se. A sociologia é uma boa desculpa para sermos curiosos e passearmos a nossa ignorância. Ela dá-nos olhos inocentes para descobrirmos o mundo longe de preconceitos e ideias já formadas. Ela convida-nos a apreciarmos o social como algo com profundo valor estético, mesmo se ele se revela injusto, desigual, totalitário e opressor. Só pode transformar o mundo quem o percebe. Ao mesmo tempo, porém, o mundo não vai deixar de se transformar só porque está à espera do cientista social militante. A nossa sociedade transformou-se apesar do colonialismo português; transformou-se apesar do projecto revolucionário da Frelimo; transforma-se apesar do auxílio ao desenvolvimento. E essa transformação é completamente alheia às intenções dos outros, o que pode sugerir problemas na compreensão do social por parte desses transformadores todos.
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