“Melhora Educação na cidade de Maputo
16/02/2007
A governadora da cidade de Maputo, Rosa da Silva, disse, quinta-feira, que o sector da Educação conheceu avanços de realce em 2006 no que se refere ao pagamento atempado do salário dos professores, contenção da procura de novos ingressos e redução do rácio professor/aluno. Rosa da Silva que falava na sua primeira Sessão Ordinária do ano referiu, também, que as áreas de agricultura e saúde, consideradas prioritárias, registaram desenvolvimento.
A semelhança de outros líderes políticos da nossa esfera a governadora da capital disse que o balanço do ano 2006 é positivo, porque todos os programas traçados foram cumpridos. “O nosso balanço de 2006 é satisfatório, porque alcançamos os objectivos preconizados”, explicou.
Apesar dos avanços a governante acrescentou que é preciso fazer principalmente no sector da saúde” (fim)
Não quero ser ingrato e começar a morder a mão que me dá de comer. Refiro-me ao País Online, minha principal fonte de noticiário moçambicano para comentário aqui no blogue. Contudo, uma vez que parto do princípio de que algumas pessoas que fazem aquele jornal visitam o blogue gostaria de pedir que eles melhorassem a qualidade da redação. Muitas vezes é preciso advinhar o que o repórter quer dizer porque o seu texto é críptico. Uma boa informação é extremamente importante para qualquer esfera pública responsável. Não espero que os jornalistas discutam os assuntos com a profundidade exigida na academia porque essa simplesmente não é a sua vocação. Mas a vocação de informar, e bem, é deles.
A notícia que reproduzo acima é horrível do ponto de vista jornalístico. Escrevem “Rosa da Silva que falava na sua primeira Sessão Ordinária...” O que isto quer dizer? Onde é que esta senhora falou? Em que contexto? Para quem? E continuam “A (sic) semelhança de outros líderes políticos da nossa esfera a governadora da capital disse que o balanço do ano 2006 é positivo, (sic) porque todos os programas traçados foram cumpridos”. E repetem a mesmíssima frase como citação! Está bem, mas que outros líderes políticos da nossa esfera? A oposição não concordou com o balanço do governo. O pior, contudo, vem no fim: “Apesar dos avanços a governante acrescentou que é preciso fazer principalmente no sector da saúde”. Suponho que falte a palavrinha “mais” depois de “fazer”, mas isso não é o essencial. O essencial é saber porque se deve fazer mais no sector da saúde. De certeza que a senhora em questão explicou isso. Para que serve este suspense?
Por causa disto é difícil interpelar algumas incongruências no próprio discurso da governante, pois é bem possível que o problema esteja na notícia. Por exemplo, a ideia de que a educação melhora quando se paga o salário dos professores atempadamente é plausível; mas o que significa a “contenção de novos ingressos e redução do rácio professor/aluno”? Que andaram a proibir as pessoas de se matricularem e dessa maneira acertaram no rácio? É problema da governadora ou do repórter? O que parece ser mesmo problema da governadora vem mais adiante quando se diz que a agricultura e a saúde são áreas prioritárias. Faz sentido que a saúde seja uma área prioritária do governo da cidade de Maputo. Mas agricultura? Só por causa das zonas verdes? Não estaremos aqui perante um problema de identificação de problemas? Porque não alimentação/nutrição? Não seria mais adequado ao governo de Maputo formular o problema desta maneira? Agricultura como área prioritária...
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