Comentei há dias um inquérito do jornal o País Online. Hoje volto ao assunto com um comentário sobre os "resultados".
O Presidente da República completou recentemente dois anos de governação. Como avalia o seu desempenho?
| Bom | ||
| 50% | |
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| Mau | ||
| 17% | |
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| Medíocre | ||
| 33% | |
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Passada uma semana desde que o jornal O País Online lançou este inquérito, eis os resultados preliminares. O que é que eles nos dizem? A distribuição do voto indica que o povo está dividido: metade avalia bem; metade avalia mal. É isso que estes resultados nos dizem? Olhemos ainda melhor para os resultados. A parte que diz “bom” não tem superlativos conforme comentei há algumas postagens atrás. A parte que diz “não-bom” subdivide-se em “mau” e “medíocre”. Aqui estamos a ver dois problemas. O primeiro é o da concepção das respostas à pergunta que não deu mais opções. O segundo tem a ver com as diferenças entre pesquisa quantitativa e pesquisa qualitativa. Vamos analisar isto um bocadinho.
Olhando apenas para as quantidades, podemos ficar com a impressão de que sabemos tudo quanto precisamos de saber em relação ao assunto. A metade que não gosta da actuação do Presidente da República tem sentimentos muito fortes em relação ao assunto. Mas isso é informação? É evidente que não. Para percebermos estes números precisamos de mais informação qualitativa que o inquérito não dá (e nem precisa de dar nos propósitos restrictos que tem). O que é que precisamos de saber exactamente? Várias coisas: (a) o perfil social dos que responderam ao inquérito; nível de formação, profissão, moradia, afiliação partidária, sexo e por aí fora. (b) os seus critérios de avaliação do desempenho; olham para aspectos económicos? Sociais? Políticos? Que expectativas tinham? (c) como é que votaram nas últimas eleições. Só com estas informações é que podemos contextualizar melhor o voto e, sobretudo, percebermos o seu verdadeiro significado.
Os ideólogos e estrategas da Frelimo podem, naturalmente, fazer uma análise dos utentes do jornal O País Online para ver se se trata de um segmento significativo e representativo da opinião pública susceptível de ser tomado em consideração. Pode ser, com efeito, que esta opinião seja significativa e relevante. Qualquer que seja o caso, é preciso sempre interrogar, interrogar, interrogar...
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