terça-feira, janeiro 16, 2007

Soluções

Enquanto não abrimos novo tema, ficam aqui algumas reflexões sobre o problema das soluções. As reflexões têm como base um artigo extraído do jornal O País Online.

Gestão de lixo exige Knowhow

15/01/2007

Alguns municípios do país buscam experiências de gestão de lixo urbano no seminário organizado pela Aquatec.

A questão da gestão do lixo urbano tem sido o grande calcanhar de Aquiles para o Concelho Municipal da Cidade de Maputo e outros, pois, das cerca de 1.100 toneladas do lixo produzidas diariamente nesta cidade, a edilidade apenas tem capacidade para recolher 30%.

De acordo com o vereador para área de Salubridade no CMCM, João Schwalbach, a gestão de resíduos tóxicos em qualquer parte de mundo é um serviço extremamente delicado, porque dificilmente se consegue recursos matérias e técnicos para que se possa fazer um trabalho positivo. “O CMCM, através da taxa de lixo, não consegue suportar todas as despesas. O CMCM colecta mensalmente 1.700 000 meticais através dessa taxa, mas só em combustíveis gasta 1.200 000, possuindo, actualmente, 10 camiões para a recolha de lixo, contra os 40 necessários

Por outro lado, o administrador-delegado da Água de Portugal, Enriques Castiblanques, com larga experiência na gestão de lixo urbano, recomenda que “a cidade de Maputo tem alguns problemas que deve ultrapassar na recolha de resíduos urbanos, que passam pela reformulação do aterro que actualmente está em Laulane”.

No entanto, Enriques Castiblanques aponta que a separação do lixo doméstico pelos munícipes é uma questão a ter em conta, sendo que a problemática do resíduo urbano só terá solução quando os fazedores do mesmo pagarem uma taxa como dos outros serviços”.

Portanto, vamos reter duas razões que explicam as dificuldades com o lixo: (a) os custos; (b) o aterro. Que contribuição é que os cientistas sociais podem dar? Atenção, não estou a falar de soluções práticas, pois se alguém vos pedir uma solução prática naturalmente que vão falar de dinheiro, meios, etc. Estou a falar do que podemos fazer melhor, isto é definir claramente o problema. Ou por outra, será que o problema do lixo nas nossas cidades é o problema dos custos e do aterro? Que mais precisamos de saber para abordar esta questão? Interessam-nos as atitudes das pessoas em relação à higiene e salubridade? Interessam-no o tipo de lixo que é produzido em diferentes partes das nossas cidades? Interessa-nos o valor que as pessoas atribuem à convivência sã? Interessa-nos a estrutura de despesas que as pessoas têm no seu quotidiano e que, provavelmente, determinam o que estão dispostos a gastar para a sua própria saúde? Interessa-nos saber se as pessoas têm consciência da ligação entre lixo e saúde? Interessa-nos saber como as unidades de saúde (postos de saúde, hospitais, etc.) lidam com doenças directamente imputáveis à salubridade? Poderemos daí extrair subsídios que nos permitam alterar os comportamentos? Interessa-nos a forma como as entidades empregadoras lidam com pessoas que faltam ao serviço devido a doenças resultantes dos ambientes insalubres em que vivem? Interessa-nos saber até que ponto é que os munícipes podem, em troca do pagamento de altas taxas de lixo, ter maior controlo sobre os vereadores? Interessa-nos saber se existirão outras instâncias mais próximas dos munícipes para além do próprio município?

Estão a ver? Tantas perguntas que podemos fazer. Tantas. O que eu sempre me pergunto a mim próprio é se as pessoas que nos governam fazem isto. Fazem? E se não fazem, como é que os podemos encorajar a fazer? A utilidade prática da sociologia (e das ciências sociais no geral) está justamente nisto: o problema está bem identificado? Qual é o problema? O artigo reproduzido mais acima é muito breve para ser exaustivo. Contudo, tenho a impressão de que as pessoas que lidam com o lixo na cidade do Maputo não fazem a mínima ideia do problema que têm. Mas isso não é mau. É a oportunidade dos cientistas sociais!

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