A constituição da realidade da corrupção
Vou entrar agora em terreno bastante pantanoso. Estou até com medo, mas já não não dá para recuar. Lembro-me de um texto de um grande académico indiano, Arjun Appadurai, que analisava o genocídio no Ruanda. O texto tentava perceber como é que os perpretadores dos massacres sabiam que estavam a matar Hutu ou Tutsi dado que, ao que parece, é difícil distingui-los. Appadurai chegou a uma conclusão muito elegante: o próprio acto de matar alguém transformava essa pessoa, independentemente da sua verdadeira pertença étnica, na categoria étnica visada. Esta é uma ideia genial que nos ajuda a perceber muita coisa. Bom, ajuda-me a mim a perceber muita coisa. É verdade que o real existe independentemente de nós, mas ao mesmo tempo nós podemos criar o real através dos nossos actos. Tudo quanto precisamos para que algo seja real é, no fundo, a convicção forte de que algo é de facto real, podemos agir sobre ela e ela pode nos afectar. Existe uma máxima sociológica antiga, o famoso teorema de Thomas, que diz que “quando os homens definem uma situação como sendo real, ela é real nas suas consequências”.
Todo este papo é para dizer que podemos olhar para a realidade da corrupção desta maneira. Sei que vai ser difícil, pois cada um de nós conhece – ou pensa que conhece – casos de corrupção, pelo que ela é real de forma independente da nossa vontade de acreditar na sua realidade. Peço-vos, contudo, que suspendam por momentos essa convicção e se concentrem numa pequena demonstração que quero fazer sobre a utilidade da abstração quando abordamos fenómenos da nossa vida social. Por favor, é importante, caso contrário vamos dar o assunto por encerrado. Não? Então é assim: a corrupção em Moçambique não tem existência material; ela é um artefacto da intervenção externa. Há quatro momentos que podemos identificar na constituição da corrupção para cuja elaboração me socorri, uma vez mais, da reflexão de Marie-Laure Susini, neste caso, da sua reflexão sobre a caça às bruxas na Europa medieval. Identifico, então, uma constante, um procedimento, regras de inferência e produção de verdade.
A constituição da corrupção baseia-se numa constante que consiste na situação geral do país. O nosso país encontra-se em processo de desenvolvimento, mas as coisas não andam a contento. Os índices de pobreza são elevados; as disparidades regionais continuam gritantes; a justiça e a polícia funcionam mal; os que estão no poder resistem estoicamente ao conselho técnico; os doadores metem rios de dinheiro para projectos específicos que não produzem os resultados esperados ou planeados; o país mantém-se desesperadamente dependente do auxílio externo; as populações não saiem da dependência externa e continuam extremamente vulneráveis. Enfim, Moçambique não se desenvolve. Alguns doadores só dizem que Moçambique se desenvolve quando eles querem justificar a ajuda que continuam a conceder ao país. Reparem numa coisa: se Moçambique apresentasse um quadro diferente deste, isto é, se estivesse mesmo em franco desenvolvimento e sem pobreza, analfabetismo, nudismo, etc., mas os dirigentes andassem a roubar dos cofres do Estado, ninguém falaria sobre corrupção. Só faz sentido falar de corrupção quando podemos sugerir a ideia de que ela explica a situação que estamos a descrever. Logicamente, o argumento é problemático porque funciona segundo a falácia da causa falsa e do non sequitur. Mas lá porque não quer dizer que. Lá porque o país não se desenvolve, não quer dizer que seja por causa da corrupção; lá porque no país há corrupção, não quer dizer que a corrupção seja a explicação para o não-desenvolvimento. Tomem nota, por favor, sobretudo do seguinte reparo: a ideia de corrupção dá um significado especial ao que vai mal no país.
Depois vem o procedimento. As coisas vão mal por causa da corrupção. É preciso, então, conhecer melhor esse bicho. Fazem-se estudos ou inquéritos. Uma coisa curiosa: não importa em que área, basta fazer um estudo vai se descobrir muita corrupção. Querer é poder. Não importa a precisão dos instrumentos, dos conceitos, das teorias. O cúmulo disto foi o estudo encomendado pela USAID no ano antepassado e que definiu a corrupção como a existência de um sistema político dominado por um único partido. E isto foi feito por académicos de importantes universidades americanas! Enfim, o importante é fazer o estudo para estabelecer a existência do fenómeno. Na Inquisição, toda a mulher que aparecesse perante o Inquisidor era bruxa. Não falhava. Mesmo se dissesse não. Criam-se instituições para o combate à corrupção. Isso dá também realidade ao fenómeno. Se não houvesse corrupção, não seriam necessárias essas instituições. Reparem na circularidade do argumento. Para Moçambique ter a assistência do FMI e do Banco Mundial precisa de assinar uma carta de intenções em que, entre outras coisas, se compromete a tomar medidas contra a corrupção. Mesmo que ela não exista ou não seja assim tão importante. E isso também produz sorrateiramente o fenómeno. Esquece-se a infantaria do exército anti-corrupção entre nós que o Banco Mundial não está necessariamente interessado no combate à corrupção quando manda o Governo assinar seja o que for. O Banco Mundial quer emprestar ou dar dinheiro; emprestar ou dar dinheiro é importante para a manutenção do escritório em Moçambique e do departamento relevante em Washington. Pura economia política.
Promulgam-se leis anti-corrupção em que, tal como nos tempos gloriosos da revolução da Frelimo, se criminalizam cada vez mais áreas da nossa vida. Ajudar nossos parentes passa a ser nepotismo; não saber fazer bem as contas segundo os critérios dos doadores passa a ser desvio de fundos; conversava outro dia com o director de uma grande instituição de pesquisa na área do desenvolvimento em Maastricht, na Holanda, que me dizia uma coisa trivial: 80% de todos novos empreendimentos na área da agricultura na Holanda não sobrevivem o primeiro ano. Vão à falência. Uma conhecida e que ajuda empresas a lidar com as autoridades tributárias cá na Alemanha já me tinha dito há cinco anos que uma boa parte dos novos empreendimentos em seja qual for a área entram na falência em dois ou três anos. As grandes multinacionais que tantos de nós admiramos não são histórias de sucesso. Se não entram na falência é porque poucos são os governos que querem que isso aconteça por causa do receio do desemprego. Assim sendo, vão injectando capitais. O governo suíço só parou de fazer isso com a Swiss Air quando já não dava mesmo. Estas empresas vivem de crédito bancário, luxo que nós não nos podemos permitir. Mas é por isso que quando o FMI vem ter connosco não é para nos ajudar a sermos capazes de pagar as nossas dívidas; o FMI vem ter connosco para nos dar a credibilidade que precisamos para contrair mais dívidas. É louco, mas é assim mesmo. Alguém no Banco Mundial em Maputo me dizia abertamente que ninguém lá espera que Moçambique pague as suas dívidas. Ninguém. Perguntei-lhe várias vezes se era mesmo isso que queria dizer. Confirmou sem pestanejar. Contudo, ai do projecto que não tiver bons resultados em Moçambique: é da corrupção! Percebem onde quero chegar?
Isto tem a ver com as regras de inferência do discurso da corrupção. Este discurso ignora uma coisa muito importante: a evidência dos “factos” é apenas a própria interpretação desses “factos”. A lógica do discurso funciona assim mesmo. Quanto mais difícil é provar a corrupção, mais convencidos ficamos todos nós de que ela realmente existe. Os corruptos é que são mais espertos do que nós. Pedi a um embaixador ocidental em Maputo que falava longamente sobre a corrupção no país para me dar um exemplo de um caso de corrupção. Pedi-lhe quatro vezes e a resposta foi sempre a mesma: há corrupção em Moçambique. Lembram-se da discussão de conclusões? Os maus hábitos de discussão que andam por aí na nossa esfera pública têm a sua origem, parcialmente, na lógica do discurso da corrupção conforme também tentei mostrar aqui. A denúncia. Durante a Inquisição pedia-se às pessoas para denunciarem as bruxas. E lá iam: não sei, mas a vizinha lá do fundo da rua anda a fazer olhinhos ao meu marido; não sei, mas a velhinha lá do mercado olhou para o meu filho de dois anos de uma maneira estranha e no dia seguinte a criança morrreu. No nosso país em pleno século XXI? Só não quer ver a corrupção quem não quer ver; como podemos provar se os tribunais são controlados pelos corruptos? E uma vez recolhidas as pobres “bruxas” não havia maneira de regressarem do interrogatório inocentes. Arjun Appadurai: o acto de matar produz um Tutsi!
No nosso caso complica a situação o facto de haver desigualidades gritantes. Há um punhado de gente que vive extremamente bem no nosso país; mas há também a esmagadora maioria que vive extremamente mal. E o que chateia é que a riqueza desses poucos foi feita em tempo recorde. A pobreza da maioria também. Um mais um é dois, logo, é dinheiro roubado aos pobres. É dinheiro do povo. Pior: a boa vida de poucos revela a sua falta de compromisso com a maioria. São uns poucos imorais. Tomem nota: a falta de compromisso com a maioria, com o povo, por assim dizer, produz o efeito de verdade que o discurso anti-corrupção confere à noção de corrupção. Como é que pessoas de carne e osso como nós podem estar alheias ao sofrimento dos demais? É a pergunta que a indústria do desenvolvimento se coloca. É uma pergunta circular, ou melhor, retórica. A resposta está clara e é sobejamente conhecida. É mais uma tese radical da minha parte: os governantes africanos não sabem como desenvolver os seus próprios países; quem sabe isso são os doadores. O discurso anti-corrupção é um discurso de ódio aos africanos por terem ousado a independência. Nós os doadores é que sabemos como dar melhor vida aos africanos.
A conclusão é dura, reconheço, mas preciso mesmo de a colocar assim desta maneira. É importante para que a gente comece a apreciar devidamente o perigo que o discurso anti-corrupção representa para a nossa soberania. É um discurso que atenta contra o que de mais precioso temos: a nossa liberdade. Não quero com isto dizer que os doadores nos devam deixar sermos corruptos. Longe de mim tal afirmação. O que eu quero dizer, já agora podem relaxar, não precisam mais de suspender as vossas convicções conforme vos pedi no início da postagem, portanto, o que eu quero dizer é que o discurso anti-corrupção mais do que ser a solução para os nossos problemas tornou-se ele próprio parte dos problemas que temos. Preciso de mais duas postagens para tentar demonstrar isso.
8 comentários:
"africanos não sabem como desenvolver os seus próprios países; quem sabe isso são os doadores. O discurso anti-corrupção é um discurso de ódio aos africanos por terem ousado a independência. Nós os doadores é que sabemos como dar melhor vida aos africanos"
Ilustre, esta é forte. Muito forte mesmo. Se pararmos e pensarmos que quase todos os doadores, na prática, gerem por si os fundos que injectam para o país, se calhar cheguemos a conclusão de que a sua conclusão faz sentido.
A pergunta que me ocorre é: na medida em que nós moçambicanos, beneficiários de fundos de ajuda das mais diversas instituições internacionais não gerimos, directamente, tais fundos, COMO e porque É QUE A INDÚSTRIA DE DESENVOLVIMENTO intensifica o discurso sobre a corrupção em Moçambique e em África? Será para se desculpabilizar dos seus falhanços ou é para legitimar uma maior influência na definição do que deve ou não deve ser feito nos nossos países? (estou a imaginar - já que o nosso orçamento do Estado é suportado em grande medida por fundos externos - o clube de paris a querer uma maior intervenção na definição do orçamento do Estado e a querer as "CHAVES" do SISTAFE e do sistema financeiro para controlar a sua execução). Será?
sim, caro júlio, esta é forte, mas parece-me mesmo inevitável como conclusão. estou a lembrar-me de um comentador deste blogue, o obed khan, que escrevia num dos seus comentários que quem devia prestar contas eram os doadores, não o governo, pois sem o "no objection" do banco mundial não há fundo que se desembolsa. não obstante, penso que corremos um grande risco de nos apoiarmos imenso numa teoria de conspiração para dar sentido ao que observamos. na próxima postagem tento distanciar-me duma perspectiva desse género com um olhar mais atento para a lógica do próprio auxílio ao desenvolvimento. para mim, contudo, está mais do que assente que o discurso anti-corrupção não é algo que serve o desenvolvimento de moçambique. é algo funcional à própria ajuda.
Caro ESM. Defendo que o objectivo-mor do governo moçambicano ou até, em geral, dos países receptores da ajuda deveria ser a eliminação de factores de dependência. A Ajuda é um factor de dependência de tal sorte que, segundo Harrison (2005), criou o sindroma da extroversão, que tem a ver com o facto de agências de desenvolvimento terem uma influência tal na política africana que os políticos e a sociedade em geral “pensam virados ao exterior” ao invés de pensar “virados para dentro”, para a sua sociedade. No nosso país a sociedade civil, governo e credores transformaram os seus workshops, seminários e debates numa Academia que gera know How para mobilizar mais ajuda externa. Quanto tempo esta forma consensual de fazer política vai durar? quando o dinheiro dos doadores acabar?
Creio que e legitimo acabar com essa dependência da ajuda(por tabela e de forma automática, na esfera de entendimento do ESM, a corrupção seria eliminada). Como fazer isso? Um dos obstáculos da ajuda ao desenvolvimento é que ela limita a ligação entre o cidadão e o estado, a favor de maior ligacão deste deste com os doadores. O desafio neste momento passa por reflectirmos em direcção a destruição das condições que fazem com que os Estados como o nosso não lidem com os seus cidadãos. Por exemplo: Para discutir/negociar mecanismos internos de financiamento do Orcamento do Estado. Voltarei ao assunto. GP-Nando Menete
sem dúvidas, caro nando, que um dos grandes desafios consiste em acabar com esta cultura de dependência. contudo, não sei se a corrupção iria desaparecer automaticamente. o meu argumento é de que ela deixava de ter a primazia que neste momento tem na nossa reflexão sobre porque não há desenvolvimento. isso seria um grande passo. fico a aguardar o teu regresso ao assunto, pois precisamos de aprofundar muitos aspectos desta reflexão. aqui ficaram algumas pistas que me parecem promissoras e que nos ajudam a dar outro sentido a reflexões anteriores: responsabilidade, desempenho, integridade intelectual, etc. gosto da tua ideia de "academia que gera know how para mobilizar mais ajuda externa". é este um dos perigos que vejo neste discurso da corrupção: moçambique como artefacto da intervenção externa.
Tou a imaginar esta potagem lida em voz alta num seminário sobre corrupção no Hotel Vip, em Maputo, organizado pela "sociedade civil". A convicção que temos sobre a existência da corrupção é mais perniciosa do que o que a própria corrupção representa ao desenvolvimento. Se calhar o país não desenvolve porque estamos empenhados no combate contra a corrupção.
caro anónimo, supondo que algo tão herético como isto fosse aceite numa dessas conferências, o mais provável é que o leitor fosse acusado de estar feito com os "corruptos". não chegaria ao extremo de dizer que o país não se desenvolve porque estamos empenhados no combate à corrupção; acho que a forma como combatemos a corrupção constitui grande obstáculo. só isso. não tenho nada contra a convicção que alguns de nós têm sobre a existência desse mal; o que espero dessas pessoas é que mantenham essa convicção com base num conhecimento responsável sobre o assunto. esse não me parece ser o caso, infelizmente. vou ver se arranho um "azagaia" para me compôr estas coisas em hiphop, quem sabe...
Cá estou novamente. Concordo com a observação feita em relação ao “desaparecer automaticamente”. Foi força do teclado. Voltando ao assunto.
Há dois, três anos numa discussão de amigos o assunto era a contenda entre o governo e os regressados da ex-RDA. Um dos intervenientes, por acaso uma interveniente, insurgiu-se e questionou a insistência e forma de luta dos regressados pela recuperação do dinheiro, produto do trabalho de anos lá para terras onde anda o ESM. A resposta que teve foi uma pergunta: Alguma vez foste roubada? Imagine a tua reacção caso isso aconteça? Dias depois tivemos a resposta quando a visada, em pleno local de trabalho, ficou sem o telemóvel numa jogada de mestria de um suposto técnico de computadores em suposta visita rotineira de manutenção. O que aconteceu depois só visto. A senhora fez tudo ao seu alcance. Perdeu a pose. Meteu queixa na policia. Usou seus meios para facilitar o trabalho da Policia. A instituição que presta assistência aos computadores teve que tirar anúncios no jornal a alertar e distanciar-se de supostos técnicos seus. O mecanismo de segurança do escritório foi reforçado. Ela virou até detective.
Caro ESM. Este episódio em parte dá pistas para as respostas que procurarmos. Quando “assaltam” directamente o nosso bolso agimos. Procuramos as instituições. Exigimos resultados e responsabilidades. Colaboramos e facilitamos. De repente viramos cidadãos. Para isto não foi preciso nenhuma ajuda, seminário de sensibilização ou capacitação. Aqui podemos questionar: Porque esta postura não acontece em relação aos males que grassam o (funcionamento) Estado?
Dei esta volta porque defendi na intervenção anterior que um dos obstáculos da ajuda ao desenvolvimento é que ela limita a ligação entre o cidadão e o estado (receptor), a favor de maior ligação deste com os doadores (melhor dito: com os cidadãos/contribuintes dos países doadores). Acontece que os Estados receptores não se esforçam para ligarem-se mais ao cidadão, pois encontram facilmente na ajuda externa a opção ideal. Quando falo em ligação, olho, sobretudo, na perspectiva de financiamento do Estado pelos seus cidadãos. Creio, para o nosso caso, que a vulnerabilidade do cidadão perante o Estado não será resolvido enquanto essa ligação for continuamente adiada. “Como alterar isto? Que opções temos? Como fazer do moçambicano verdadeiramente cidadão, e não simplesmente súbdito?”(questões do ESM na VI desta série)
Uma pista. Qual é a experiência dos doadores nos seus países nessa matéria? Creio que os estados europeus construíram essa ligação negociando (carga tributaria) e assumindo compromissos (processos, metas e responsabilidades) com os seus cidadãos para financiar e conduzir o próprio desenvolvimento. Cá para nós: Isto seria por um Orçamento do Estado (OE)orgulhosamente moçambicano. Um Orçamento Soberano. O selo “Made In Mozambique” só faz sentido se o mesmo estiver primeiro estampado no documento do OE e depois no resto.
Outra pista. Para o caso de apoiarmo-nos na História: Qual é a experiência dos “estados” pré coloniais em Africa/Moçambique? “Em termos de Estado, significa que é preciso que se pense nos valores e formas de governação do estado de Barué, Gaza, dos reinos Shona-Karanga, dos estados Ajaua, etc. Ou melhor, temos que pensar como foi que esses estados conseguiram ter uma relação com os seus cidadãos que estes (mesmo não alfabetizados de acordo com as medidas de hoje) entendessem, por exemplo, a necessidade de um comércio honesto. Isso pode significar que em termos de ordem e controlo da vida económica e social o actual Estado moçambicano esteja abaixo do nível de organização política dos estados existentes antes da Conferência de Berlim, isto apesar de todas as intervenções desenvolvimentistas” (In: http://www.fsmoc.org.mz/downloads/fsm_interessa.doc.). A Reflexão Continua. Nando Menete
grande nando! obrigado por esta elaboração do assunto. concordo contigo. estes são os desafios que se nos colocam. é disto que devíamos falar (na esfera pública) e não fazer mais um relatório sobre a corrupção. muito bem! gostei também imenso de ler o manifesto. é original e mostra que há espaço para muito mais do que simplesmente desabafo na nossa esfera pública. não concordo muito com a identificação quase que exclusiva do mal com o neo-liberalismo. aqui há ainda muito pano para manga. também não sei se a questão é mesmo se um outro moçambique é possível. vários moçambiques são possíveis. penso que para não inventarmos a pólvora de novo precisaríamos de regressar às ideias liberais, sobrertudo à ideia da tolerância que assenta no reconhecimento dessas possibilidades múltiplas. abraços
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