quarta-feira, maio 16, 2007

As mentiras da novidade

A polissemia não é apenas problema de conceitos centrais que usamos nas ciências sociais. É também um recurso. Reparem na palavra sublinhada na notícia que se segue e que extraí do País Online:

Comando Geral alega que a PGR nunca informou das dificuldades

16/05/2007

Segundo o porta-voz do Comando Geral da Polícia, Pedro Cossa, a sua instituição instruiu o Comando da Cidade e a PIC para colaborarem com a Procuradoria Geral da República na investigação do “caso Costa do Sol” e garantiu que em nenhum momento a PGR informou sobre as dificuldades que estaria a enfrentar na averiguação dos factos.

O Comando diz que as alegações do Procurador Geral da República, Joaquim Madeira, segundo as quais a PIC se recusou a entregar os três agentes da PRM acusados de protagonizarem execuções sumárias constituem novidade.

Segundo informações, Madeira nunca manteve contacto com a PIC relativamente a este assunto. Mais ainda, o Comando Geral diz não haver proteccionismo dentro da corporação e que os agentes em causa estão neste momento nas mãos da Procuradoria.

Porque é que o porta-voz não disse que as alegações são uma mentira? Reconheço que não é fácil interpretar o raciocínio do porta-voz. As alegações é que são novidade ou a sugestão de que a PIC recusou entregar os agentes é que é novidade? Ademais, o facto de a PGR não informar sobre as dificuldades anula a possibilidade de a PIC ter recusado entregar os agentes? E essas dificuldades não podem incluir a recusa de entrega dos agentes? Quando o Comando Geral da Polícia instrui também se cumpre? Assim mesmo, decisão tomada, decisão cumprida?

Como é que falamos em Moçambique?

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