terça-feira, setembro 18, 2007

De vento em popa

Extraí a notícia do País Online. Fiquei com vontade de bater palmas pelos 900 milhões de dólares arrecadados. 900 milhões de dólares? Parece-me muito dinheiro. Leiam o artigo e continuo logo a seguir:

Número de turistas supera capacidade do país

18/09/2007

Moçambique espera a entrada de mais de um milhão de turistas no presente ano, porém dispõe de uma capacidade de apenas 16 mil camas, correspondendo a 10% da procura. O turismo de sol e praia é o mais procurado pelos turistas, seguido de turismo familiar que mais atrai os nacionais e finalmente o turismo cinegético, que envolve parques e reservas.

Devido à localização geográfica de Moçambique, o turismo de sol e praia é o mais procurado pelos turistas. De acordo com Hiuane Abacar, director Nacional da Promoção Turística, só no ano passado, Moçambique registou a entrada de 991 mil estrangeiros, deste número, 600 eram turistas e foram arrecadados cerca de 900 milhões de dólares americanos.

Não adianta nada questionar este valor que me parece demasiado alto. Não tenho nenhum fundamento para contrariar. Contudo, gostaria de perguntar: quanto destes 900 milhões sobrou para as comunidades que vivem nos lugares onde essas instâncias turísticas estão localizadas? Sobra algum? Alguém se preocupa com essa questão? Alguém mede o impacto real destes lucros no bem estar das pessoas? 900 milhões de dólares é muita mola. 900 milhões?

4 comentários:

Eugénio Chimbutane disse...

É caso para mais investigação, sobretudo em termos de impacto nas comunidades e no país em geral.

Só no ano passado arrecadamos cerca de USD 900 MM. Entendi que recebemos 600 turistas (ou 600 mil? Se for, seria melhor colocar “mil”, quando se trata de números, não há subentendidos) e assumo que estes foram responsáveis pela maior parte das receitas, visto que os turistas nacionais são poucos e tendem a gastar muito pouco em relação aos estrangeiros. Se estiver certo, cada turista gastou cerca de USD 1,5 MM. Só se forem malta Bill Gates e companhia. Contudo, se recebemos 600 mil turistas, quer dizer que cada um gastou USD 1,500 e isso parece mais ou menos razoável.

A outra coisa que não clara é: os 991 mil é que geraram aquelas receitas ou apenas foram os 600 turistas, como estamos a falar de receitas de turismo. Para além de que nem todos os estrangeiros entram para fazer turismo.

Acho que devia se promover cursos de noções de economia e finanças para jornalistas e outros grupos não economistas ou não financeiros. Os casos de confusão nos números estão se multiplicando cada dia que passa, uns intencionalmente outros por mera inocência.

O seu post sobre Fala sem Consequências XI é exemplo disso. Carlos Serra colocou uma postagem (Da casca aos gomos) mais ou menos relacionada. Vi também no site do governo http://www.govnet.gov.mz/Mozambique a falarem de GDP (queriam dizer PIB em português) dado em percentagem. Existe isso em economia? Suponho que queriam dizer taxa de crescimento do PIB. E aquela inflançãozinha? É melhor colocarem inflação acumulada até ao mês em referência, só assim é que a taxa de inflação vai dizer algo aos potenciais utilizadores. Também, o site do IPEX www.ipex.gov.mz que não actualiza dados sobre preços internacionais de exportação desde Agosto/07 (para alguns produtos nem sequer foi indicado o preço), qual é a utilidade dessa informação hoje, se assumimos que os preços destes produtos mudam a cada semana. O INE www.ine.gov.mz também não produz estatísticas tão úteis assim (excepto o censo geral da população e habitação). Para além de andarem muito atrasados. Por exemplo o último anuário estatístico é de 2005, que decisões podemos tomar com dados de 2005? Neste mundo cada vez mais dinâmico?

Elísio Macamo disse...

é isso mesmo, genito. na próxima semana vou colocar umas postagens sobre o debate público em reacção a uma discussão no blogue do patrício langa. vou defender nesses textos a ideia de que nós os académicos temos a obrigação de contribuir para tornar o nosso mundo mais intelegível. as tuas perguntas e inquietações têm essa caraceterística.

Eugénio Chimbutane disse...

Aguardo com expectativa.
A prósito, o que acha sobre a entrevista concedida pelo Castel Branco à TVM, que vou publicando em partes no meu blogue?. Será que o Castel (na economia) é o Elísio (na sociologia) muitos acreditam que sim. Eu particularmente me inspiro muito no Castel Branco...recentemente criou uma instituição chamada IESE - Isntituto de Estudos Sociais e Económicos, conheces?

Elísio Macamo disse...

genito, estou a ler a entrevista com muito interesse. é bastante instructiva. aprecio muito o trabalho de castel-branco. parece-me que ele defende uma ideia de economia que é bastante próxima das ciências sociais que são, na verdade, o lugar da economia. tenho a impressão de que ele mantém uma tradição de economia política que é imprescindível ao país. sou membro do iese.